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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Resenha: Black Veil Brides "Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones" (2013)


Uma garota solitária, estudante, que usa apenas roupas pretas, sem muitos amigos, não compreendida pelas outras pessoas e nem pelos próprios pais é internada em um hospício pelos mesmos. Presa, ela luta uma batalha interna mental contra o mal representado pela F.E.A.R. (em português lesse a palavra “MEDO”, mas a verdade é uma sigla para “For Every and All Religion” que significa “Toda e Qualquer Religião”). Mas a jovem não está sozinha. Para salvarem sua “mente, coração e corpo” terá ajuda dos “The Wild Ones”, liderado pelos integrantes da banda favorita dela: o Black Veil Brides. Parece roteiro de filme, não é? E é! Em 8 de janeiro de 2013, a banda Black Veil Brides lançou o álbum conceitual “Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones” pela Lava Records/Universal Republic Records. Para ilustrar as 19 faixas que compõem a obra foi lançado um filme chamado “The Legion Of Black”. 

Esta “ópera rock” é uma grande aposta apesar de ser um grupo tão novo, afinal este é apenas o terceiro trabalho. Os toques de Metalcore que ainda existiam no antecessor “Set The World On Fire” foram extintos aqui. “Wretched and Divine:...” é um Alternative Metal composto de linhas de Heavy Metal tradicional e principalmente de riffs de Hard Rock/Glam Metal. O visual carregado e extravagante evidencia esta influência só que em uma versão moderna e dark. É um desfile de músicas fáceis de serem memorizadas com melodias acessíveis e refrãos grudentos. A formação continua a mesma com a liderança de Andy Biersack (vocalista), Ashley Purdy (baixo e backing vocals), Christian “CC” Coma (bateria), Jake Pitts (guitarra solo) e Jinxx (guitarra base, teclado e violino). 

A intro “Exordium” é um conselho cristão sobre qual é a maneira correta de se encontrar deus: “The kingdom of god is inside of you. And all around you. Not in a mansion of wood and stone. Split the piece of wood. And god is there. Lift the stone, and you will find god./ O reino de Deus está dentro de você. E em tudo a sua volta. Não em uma mansão de pedra e madeira. Rache um pedaço de madeira. E Deus está lá. Levante uma pedra, e você encontrará Deus.” Serve como introdução de um filme e busca ambientar o ouvinte. O levante contra mal começa com a autoafirmação dos jovens guerreiros em “I Am Bulletproof”: “Got something to live for. I know that I won't surrender. A warrior of youth. I'm taking over, a shot to the new world order. I am bulletproof./ Tenho algo pelo o que viver. Eu sei que eu não vou me render. Um guerreiro da juventude. Estou me comprometendo, um tiro à nova ordem mundial. Eu sou a prova de balas.” Destaque para o solo veloz de guitarra. 

Em seguida, “New Year's Day” convoca os “derrotados” para a batalha em um novo começo: “This is New Year's Day (so rise from the ashes). Faith will find a way (like lightning crashes). We'll keep marching on and on and on. It's New Year's Day, so rise from the ashes./ Este é o Dia de Ano Novo (então renasça das cinzas). Fé vai encontrar um caminho (como queda de raios). Nós vamos continuar marchando e assim por diante. É dia de Ano Novo, então renasça das cinzas.” Depois vem o interlúdio F.E.A.R. Transmission 1: Stay Close”. A guerra está prestes a começar... A faixa título “Wretched and Divine” é grudenta, mas de qualidade. Vide o trabalho de guitarras e o belo solo. A letra tem o cunho de gerar uma ligação entre a banda e o fã. Afinal, ela fala que existem “heróis” (a banda) que podem salvar aqueles que foram esquecidos. A ideia clara é de passar a mensagem “você não está só”: “We live for broken hearts. Won't watch them fall apart. We live for the ones. Who don't know they exist. We die for endless winter. Beginner and the sinner. We die for the ones. Who raise their hands to resist./ Nos vivemos pelos corações partidos. Não veremos eles se despedaçarem. Nós vivemos por aqueles. Que não sabem que eles existem. Nós morremos por um interminável inverno. Iniciante e o pecador. Nós morremos por aqueles. Que levantam as suas mãos para resistir.” 

Os excluídos se unem em “We Don't Belong”. Uma faixa com um refrão extremamente chiclete com seu corinho “(Whoa oh oh, whoa oh oh oh)”: “Can you hear the march of the rejects? Line up the parade of the defects. Can I hear ‘we don't belong here’? / Você consegue ouvir a marcha dos rejeitados? Junte-se ao desfile dos defeitos. Posso ouvir um "não pertencemos aqui'?” Após, mais um interlúdio “F.E.A.R. Transmission 2: Trust” que segue a linha da transmissão de lavagem cerebral, vem a faixa “Devil's Choir” com toques de Heavy Metal tradicional na intro e no solo principalmente, e de letra heroica: “F.E.A.R won't. Steal what burns in you. I'll carry you. Away from the fire./ F.E.A.R. não vai. Roubar o que queima dentro de você. Eu irei te carregar. Pra longe do fogo.” Em seguida, “Resurrect the Sun” é um pouco mais calma, densa e sinistra como um túnel escuro, mas a luz ao final é refrão “pra cima”: “I pray for mourning. I swear I'll never let you die./ Eu oro pela manhã. Eu juro que eu nunca vou te deixar morrer.” 

Em seguida, vem a curta “Overture”. Instrumental e orquestrada apresenta uma belíssima melodia (a mesma do refrão da faixa anterior, aliás). Simples e épica. Já “Shadows Die” traz uma intro com alguns elementos sonoros lúdicos, mas depois se torna em um Hard Rock sinistro com refrão grudento. A letra é uma crítica à opressão e a ignorância propagada pelas religiões: “The church of lies. Can't tell me what is right./ A igreja das mentiras. Não pode me dizer o que é certo.” De fato todos os integrantes da banda são ateus (com exceção do baterista “CC” que é agnóstico). A posição fica ainda mais clara no rápido interlúdio “Abeyance”: “That god does not exist, I can not deny. That my whole being cry out for god. I can not forget./ Que deus não existe, Eu não posso negar. Que todo o meu ser clama por Deus. Eu não posso esquecer.” 

Após, vem “Days Are Numbered” que abre com um bom riff de Hard Rock e que possui um refrão melodioso para cantar junto. Conta com a participação de Bert McCracken vocalista do The Used. “Done For You” é uma balada curta e memorável. Calma e sentimental. Muitos acreditam que são pessoas especiais escolhidas por um deus ou algo do gênero, mas em “Nobody's Hero” o Black Veil Brides fala do lado humano e falho dos heróis, além de afirma que todos nós nascemos ateus, mas que somos doutrinados a acreditarmos em algo: “My life begins and Ends without the Faith. That we learn./ Minha vida começa e Termina sem a fé. Que aprendemos.” e “But I'm nobody's hero. I've come undone./ Mas não sou herói de ninguém. Eu vim incompleto.” 

Mais uma balada do álbum é a faixa “Lost It All”. Ela vai em uma crescente de peso. Começa ao piano, fica à capela e se torna em uma power ballad bem radiofônica. Conta ainda com os vocais da cantora Juliet Simms (ex-Automatic Lovelleter, segunda colocada do programa The Voice americano edição 2012 e também é namorada de Biersack).  A letra é sobre as dores depois de perda/ uma derrota... Todo mundo caie e sofre às vezes: “I'm just trying to breathe. Just trying to figure it out. Because i built these walls. To watch them crumbling down. I said. Then i lost it all. Who can save me now?/ Eu estou apenas tentando respirar. Apenas tentando desvendar. Porque eu construí esses muros. Para vê-los desmoronando. Eu disse. Então eu perdi tudo. E quem pode me salvar agora?” 

A locução da organização do mal está em “F.E.A.R. Transmission 3: As War Fades” tenta manter o poder contra a revolução: “F.E.A.R. cannot be vanquished, we can not be destroyed. F.E.A.R. will rise up again and control the masses/ A F.E.A.R. não pode ser vencida, não pode ser destruída. A F.E.A.R. se levantará novamente e controlará as massas.” No fim vem “In The End”. Grudenta, energética, radiofônica, refrão memorável e solos marcantes formam, talvez, a melhor faixa do álbum. Fala sobre não temer nada nem mesmo a morte quando se busca um sonho. Who will tell the story of your life? And who will remember your last goodbye? Cause it's the end and I'm not afraid. I'm not afraid to die./ Quem vai contar a história da sua vida? E quem vai se lembrar do seu último adeus? Porque é o fim e eu não tenho medo. Eu não tenho medo de morrer.”  

A última faixa é a transmissão final da F.E.A.R. falando sobre a derrota contra os rebeldes: “The rebels have defeated our illustrious armies. They have damaged our intention of ugly and defiant malevolence. All that we love and care for will sink into the abyss of a new dark age./ Os rebeldes derrotaram nossos ilustres exércitos. Eles danificaram a nossa intenção de malevolência feia e desafiadora. Tudo o que nós amamos e cuidamos vai afundar no abismo de uma nova idade das trevas.” A versão do lançamento conta 19 músicas, mas a especial trás três bônus. “Revelation” tem uma sonoridade mais Metalcore que o restando do álbum (talvez, por isso ficou como um bônus). Algo na linha do debut da banda: “We Stitch These Wounds” (2010). Mais uma sobre o levante contra a religião: “We are legions mesmerized. By the fools that killed our freedom. Won't stray or apologize. For their decisions./ Nós somos legiões hipnotizadas. Pelos tolos que mataram a nossa visão. Não se percam ou se desculpem. Por suas decisões.” 

Outra mais pesada e com refrão repetitivo e que ficou com bônus é “Victory Call”. Encerra com o rock moderno de “Let You Down” (tem algo de Foo Fighters, principalmente no refrão): “I'll never let you down. I promise right here, right now./ Eu nunca vou te decepcionar. Eu prometo aqui e agora.” A recepção da crítica foi boa. A média foi positiva. Pela primeira vez, o Black Veil Brides entrou no Top 10 da Billboard 200 americana. Alcançou o 7º lugar e vendeu 47 mil cópias na primeira semana. Até novembro de 2013, “Wretched and Divine...” já tinha ultrapassado a marca de 150 mil álbuns vendidas. “In The End” chegou a 39º colocação no Top faixas de Rock, além de se tornar trilha da edição de 2012 do evento de wrestling americano “Hell in a Cell” da WWE. O conceito do álbum como um todo é uma metáfora sobre a realidade onde muitos sofrem por serem diferentes e acabam sendo mal compreendidos. Outra crítica evidente é contra opressão religiosa. A banda merece respeito e atenção por vários aspectos. Exemplos como a ousadia de utilizarem um visual andrógeno mesmo depois de duas décadas da “morte” do Glam Metal, a de trabalharem com letras críticas a fé e de juntarem tudo isso em uma sonoridade acessível torna a banda ímpar, mas ao mesmo tempo traz a ira de muitos headbangers (metaleiros) tradicionais. Na parte da sonoridade, o destaque vai para o trabalho de guitarras. O timbre e os solos são muito bons, assim como a capacidade da banda em fazer refrãos “chicletes”. Andy Biersack pode não ser um grande vocalista, mas compensa com carisma. As letras não são vãs. Passam a mensagem de rebeldia com causa ao espalharem o ceticismo diante de um mundo adulto tão alienado pela religião. O Black Veil Brides tem um público específico e fiel, e que necessita e gosta desta letras protetivas e motivadoras em uma época difícil de transição entre a infância e a adolescência. 


Faixas (clique e ouça):
10- Overture
12- Abeyance
20- Revelation (bônus)
21- Victory Call (bônus)
22- Let You Down (bônus)


                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Black Veil Brides
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 3
Gravadora: Lava Records / Universal Records
Gênero: Alternative Metal
País: Estados Unidos



terça-feira, 30 de setembro de 2014

Dica de Documentário: Rock 70 (2011)


Nos anos 70, o Brasil vivia sob censura e a opressão dos militares. Porém, no meio disso, surge um forte cenário Rock com várias bandas de diferentes sonoridades afim de criticar indiretamente aqueles que estavam no poder. Com Raul Seixas, Made In Brazil, O Terço, Som Nosso de Cada Dia e Rita Lee, por exemplo. A via de escape da época vinha através do peso das guitarras. Isso pode ser visto no documentário "Rock 70" feito para o TCC de alunos da Universidade São Judas Tadeu. 

O trabalho apresenta entrevistas com Adonai Almeira, Oswaldo Vecchione (baixo, Made In Brazil), Paulo Zinner, Pedro Baldanza (baixo, Som Nosso de Cada Dia), Régis Tadeu (jornalista, Yahoo), e Sérgio Hinds (guitarra, O Terço), além de imagens de clipes e apresentações daquela década entre tópicos abordados como "o que o estilo representava para o público", "as críticas sobre a ditadura", "o cenário do período", "as bandas e os melhores discos"...




quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Humor: Aula sobre sexo... Versão Post-Hardcore


Pelos pubianos, menstruação, de onde vem os bebes, doenças sexualmente transmissíveis... Estas são algumas questões que questões comumente respondidas em vídeos de cunho científico para serem apresentados para alunos na pré-adolescência. O grupo de humor americano Smosh em parceira com a banda I Set My Friends On Fire resolveu criar a própria versão... Só que em formato de clipe ao som de Post-Hardcore:  



Letra (e aula... sabedoria nunca é demais):

Chega uma hora na vida de todos os homens
quanto cresce pêlos onde costumava ser careca

Eu sei que você está se sentindo estranho, mas você deveria estar feliz
Você não tem uma vagina, isso seria horrível
Porque pontos fedem (e vírgulas dominam!)
Isso é Educação Sexual, não gramática, idiota!

Quanto ela te da afeição, é melhor você vestir proteção
Aquela baranga pode ter uma infecção, você está prestando atenção?
Em Educação Sexual, lembre-se do que você leu
Apenas esqueça o que os outros disseram
Coloque isso na sua cabeça, use seu cérebro antes de ir para a cama.

E é usado apenas um espermatozóide para fazer um bebê,
E se você acha que eles são fofos, então você deve estar louco,
Bebês fedem porquê eles vomitam e cagam e choram
Eles têm a habilidade de mijar em seu olho
(OH MEU DEUS ISSO QUEIMA!)

E nós mencionamos
O risco de pegar DSTs
Não só as putas sujas têm isso
Mesmo Dennis Rodman pode ter um pouco
Você não sabe quem é Dennis Rodman?
Bem, talvez você deveria assistir mais basquete
Espere um segundo, isso não é sobre esportes
FATO RÁPIDO! Você não pode pegar garotas enquanto estiver vestindo esses shorts.

Quanto ela te da afeição, é melhor você vestir proteção
Aquela baranga pode ter uma infecção, você está prestando atenção?
Em Educação Sexual, lembre-se do que você leu
Apenas esqueça o que os outros disseram
Coloque isso na sua cabeça, use seu cérebro antes de ir para a cama.

Seu corpo está crescendo
Você ficará cabeludo
Sua fina voz começará a mudar
E o seu íntimo lugar se sentirá um pouco estranho
Seus suvacos irão feder
Você terá espinhas na sua cara
Sem essa sabedoria você espantará as garotas
Então escute esse som todos os dias

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Curiosidades: Pré-Metallica | James Hetfield


James Hetfield nasceu em 3 de agosto de 1963, na cidade de Downey na Califórnia (próximo de Los Angeles). A infância de James foi dura e traumática. Isso o afetou de tal forma que os reflexos puderam ser sentidos durante 4 décadas. Hetfield foi criado pelos pais dentro da doutrina religiosa chamada “Ciência Cristã”. Uma seita dentro do cristianismo tão obscura que é até difícil encontrar dados sobre. Um exemplo da rigidez dos dogmas era a de que nenhum fiel poderia cuidar-se em um hospital ou sequer tomar medicamentos. Logo, James um sujeito tímido, quieto, inseguro (principalmente por causa do problema de acne no rosto) ficava ainda mais constrangido quando precisava se retirar da sala de aula quando a matéria de ciências iria ser aplicada. Do lado de fora nos corredores da escola e sozinho, ele tinha que enfrentar os olhos de desconfiança dos outros, dando a entender que James tinha feito alguma coisa de errado para estar ali. 

Ainda jovem queria fazer um teste para entrar no time de futebol americano do colégio... Não pode, pois era necessário um atestado médico. O pai de Hetfield era um bom homem, mas muito severo. Trabalhava como caminhoneiro. Quando tinha 13 anos, porém, Virgil foi embora e nunca mais voltou... O isolamento que James sofrera foi bom por um lado, pois com não pertencia a um grupo ele pode forjar a própria identidade. Começou a tomar as próprias decisões, então. Na igreja que frequentava com a família, várias pessoas davam testemunhos de como tinham sido curadas pela fé, por exemplo, quando estavam com ossos quebrados. O problema foi quando Hetfield percebeu que isso era mentira, afinal os “curados” ainda reclamavam de dor. James abandona a escola dominical. 

Cinthia, a mãe dele, coloca-o em aulas de piano. Ele não gostava do repertório apresentado pela professora, mas adorava receber biscoitos ao final de cada aula. Apesar do aborrecimento, tocar piano ajudou-o a aprender a técnica de tocar com as duas mãos e cantar ao mesmo tempo. No campo da música, gostava de Black Sabbath, pois os outros meninos tinham medo da banda, por causa das letras sobre o diabo e magia negra. Adorava se isolar do mundo escutando Hard Rock 100% americano com bandas como Alice Cooper, Aerosmith, Ted Nugent e Kiss. O primeiro show que viu foi do AC/DC abrindo para o Aerosmith em 1978. Nele aprendeu que um músico podia até xingar o próprio público de "filho da puta” se quisesse. 

Porém, a solidão foi quebrada quando conheceu Ron McGovney. Ron também era um dos que não se encaixavam em nenhum grupo e fez amizade com James porque este sabia tocar violão. Eles e mais alguns outros colegas montaram uma banda e a chamaram de Obsession. Tocavam covers de bandas de Metal da década de 70 como Deep Purple, Led Zeppelin, U.F.O, Thin Lizzy... Porém, quando Hetfield pensou em levar as coisas mais a sério e apresentou uma composição própria sofreu rejeição. Logo, decidiu sair do grupo. Montou outro grupo, então, mas ainda seguindo a linha de covers. O Syrinx tocava músicas do Rush. Porém, novamente James teve que abandonar uma banda, só que dessa vez contra a vontade... E de maneira triste. 

Em 1980, a mãe de Hetfield ficou doente e como era fiel da Ciência Cristã não quis ir ao médico se tratar. Queria ser curada pela fé, mas “deus falhou”. Com a perda, James teve que se mudar e foi morar com um meio-irmão 10 anos mais velho em uma cidade a quilômetros. Segundos psicólogos, a passagem pelo luto faz bem para as pessoas, pois elas conseguem entender e superar a dor do falecimento de um ente querido, mas, infelizmente, este segmento cristão não concorda com esta ideia (e nem a com a do velório). Eles acreditam na separação entre corpo e alma, por isso James teve que guardar para si todo o sofrimento que sentira. Ele era tão fechado que não contou que a mãe tinha morrido para nenhum amigo. Por outro lado, na mesma época começou o primeiro relacionamento sério. 

Apesar de tudo, a vontade de fazer música ainda se mantinha intacta. Cria a Phantom Lord e chama Ron para ser baixista. Ele o ensina a tocar e vai morar na casa do amigo. Hetfield começou a trabalhar em uma fábrica de adesivos e com o primeiro salário e mais a ajuda de McGovney construíram um espaço para os futuros ensaios da Phantom Lord. Mas, quando o futuro parecia promissor, um integrante do grupo sai e a banda termina as atividades antes mesmo de começar. E mais uma vez James cria um novo projeto: o Leather Charm. Ron afirma que o visual e o som seguiam a linha do Glam (é difícil imaginar o futuro vocalista do Metallica fazendo beicinho ao cantar). Algumas canções foram recicladas dois anos depois e saíram no primeiro álbum do Metallica. No fim, sobraram apenas James e Ron. Um ex-integrante decide ajudar estes desanimados (não à toa) mostrando a eles um anúncio de jornal de um jovem que interessado em montar uma banda de Metal... Era o de Lars Ulrich! Um garoto esquisito e com um cheiro estranho. Ron não foi ao encontro, pois já deslumbrava uma carreira como fotógrafo de rock. Não perdeu muita coisa neste primeiro encontro em si, mas... Nascia aí o embrião do Metallica.



Leia a biografia de Lars Ulrich pré-Metallica.

Leia a resenha do álbum de estreia do Metallica. (em breve link)

sábado, 13 de setembro de 2014

Resenha: Beatallica "Masterful Mystery Tour" (2009)


A piada já começa pelo lado de fora. A capa do segundo álbum do Beatallica, banda que faz um Comedy Metal com letra parodiando canções dos Beatles e do Metallica, traz uma mistura dos álbuns “Magical Mystery Tour” (1967) dos ingleses e “Master of Puppets” (1986) dos americanos. O resultado é “Masterful Mystery Tour” lançado em 4 de agosto de 2009. A formação se manteve a mesma da primeira obra e conta com Grg Hammettson (guitarra e backing vocals), Jaymz Lannfield (vocal), Kliff McBurtrey (baixo e backing vocals) e Ringo Larz (bateria). Assim com “Master...” começa com “Battery”, “Masterful...” inicia-se com a mistura desta com “The Ballad of John and Yoko” (1969) do quarteto de Liverpool. Nasce “The Battery of Jaymz and Yoko”. A original do Metallica falava que o poder de uma bateria poderia destruir qualquer coisa... Mas quem precisa de um instrumento musical quando você tem uma pessoa amada entre você e seus amigos, não é mesmo? Se “Magical Mystery Tour” (álbum de mesmo nome, 1967) dos Beatles era um convite para uma “viagem”, “Master of Puppets” (álbum de mesmo nome, 1986) do Metallica era uma intimação de controle de um mestre perante o escravo. Ao se juntar os dois: “Masterful Mystery Tour”. 

Os ingleses tem “The Fool On The Hill” (“Magical Mystery Tour”). Tema sobre aqueles que se sentem sozinhos, isolados e que ninguém gosta dele, mas na verdade são os outros que são os tolos... Já o Metallica tem “Fuel” (“Reload” de 1997) que é a respeito daqueles que gostam de viver a vida no limite... O Beatallica tem “Fuel on the Hill” sobre um cara solitário que gostava de beber gasolina no alto de uma montanha... Nem só James Hetfield recebe uma excelente homenagem do Beatallica. Gleen Danzig (ex-Misfits) também é imitado com maestria pelo grupo. É muito divertido! Se Danzig tem “Am I Demon?” (“Danzig” de 1988), o Metallica tem “Am I Evil?” (na verdade, um cover do Diamond Head). Os Beatles surgem com “And I Love Her” (“A Hard Day’s Night” de 1964). Esta mistura resulta em “And I'm Evil”. 

Se os Beatles tem “Ticket To Ride” (“Help” de 1965) que conta a história de um sujeito apaixonado, porém triste ao ver a garota que tanto ama partindo feliz para outro lugar. O Metallica tem “Ride The Lightning” (“Ride The Lightning” de 1984) a respeito de um personagem morrendo em uma cadeira elétrica e contando os detalhes da situação. O que o Beatallica fez sobre? Juntou os dois, óbvio! “Everybody's Got A Ticket To Ride Except For Me And My Lightning” é sobre um metaleiro que ganha um ingresso para a cadeira elétrica... De “Rubber Soul” de 1965 vem “Run For Your Life” que fala de um homem de mente doentia que prefere ver a mulher morta que com outro. Do outro lado... Um cover de um cover. Em 1988, o Metallica lançou junto do single “Harvester Of Sorrow” a música “Breadfan” (10 anos depois a faixa foi relançada em “Garage Inc.”). Cover da banda britânica Budgie do álbum “Never Turn Your Back on a Friend” de 1973 e que fala sobre dinheiro. O resultado é “Running For Your Life”. 

O Metallica tem “The Thing That Should Not Be” (“Master of Puppets”) sobre loucura e os Beatles “Let It Be” (álbum de mesmo nome de 1970) que fala sobre esperança e fé nos momentos difíceis. Já “The Thing That Should Not Let It Be” é sobre crianças híbridas e Metal…? Na sequência, misturam “Hero of the Day” (“Load” de 1996) com “Day Tripper” (single de 1965). A primeira do Metallica fala sobre como o sucesso pode destruir a vida de uma pessoa. Já a música dos Beatles fala sobre uma prostituta. Nasce “Hero of the Day Tripper”. Se os ingleses tem “Got to Get You Into My Life” (“Revolver” de 1966) fala sobre um sujeito que saiu para passear e acabou encontrando a paixão da própria vida. Do outro lado tem os americanos falando sobre congelamento criogênico em “Trapped Under Ice” (“Ride The Lightning”). A junção dos dois dá em “Got To Get You Trapped Under Ice” que fala sobre o inferno que é ficar preso no gelo e com poucas opções de lazer, como assistir a MTV ou jogar Bananarama. 

The Frayed Ends Of Sanity” (“...And Justice For All” de 1988) é um retrato sobre a esquizofrenia. Porém, “I've Just Seen a Face” (“Help”) é a respeito de um cara apaixonado depois de um amor à primeira vista. A combinação disso é a “romântica” “I'll Just Bleed Your Face”. A penúltima faixa é “I Want To Choke Your Band”. Uma paródia da verdadeira romântica “I Want To Hold Your Hand” (“The Beatles“ de 1963). Na versão do Beatallica, “James” vocifera palavras de ódio contra as bandas de Hair Metal, como o White Lion e C.C. DeVille guitarrista do Poison. Uma clara alusão a rivalidade dos anos oitenta entre o Thrash Metal e o Hard Rock. Um ano antes, em 2008, o Metallica lançou “The Day That Never Comes” (“Death Magnetic”) que é uma música sobre os horrores da guerra. Em 1966, os Beatles lançam e adentram ao psicodelismo com “Revolver” e a última faixa daquele álbum (“Tomorrow Never Knows”) inspirou a última faixa deste álbum: “Tomorrow Never Comes”. É interessante notar a criatividade do Beatallica ao misturar a melodia de “The Day...” ao estilo psicodélico de “...Never Knows”. Apesar do Beatallica ser uma banda que trabalha misturando músicas de outras bandas é perceptível que existe uma leve evolução entre “Masterful Mystery Tour” e o antecessor “Sgt.Hetfield’s Motorbreath Pub Band”. “Masterful...” é mais fluído e as faixas soam mais naturais. Sem contar a sensibilidade da banda em fazer as melhores combinações possíveis entre as obras dos Beatles e do Metallica. 



                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Beatallica
Ano: 2009
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Oglio Records
Gênero: Comedy Metal (Rock/Metal)
País: Estados Unidos


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