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quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Resenha: Sepultura "The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart" (2013)


“O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração.” Esta frase célebre marca o clímax de um dos maiores clássicos cinematográficos do começo do século XX. “Metrópolis” é um filme alemão, dirigido pelo cineasta austríaco Fritz Lang, baseado no livro de Thea von Harbou. Mesmo lançado em 1927 o roteiro da obra é tão realista que se tornou atemporal. A história se passa no ano de 2026, onde um empresário ditador vive com uma parcela da população em um local privilegiado. Enquanto os trabalhadores pobres moram no subterrâneo no meio da miséria e escravidão. Em síntese, a crítica de “Metrópolis” é de que os seres humanos acabaram perdendo os sentimentos e que vivem em um mundo alienado e controlado. Em 2008, 30 minutos originais e inéditos do longa foram encontrados e dois anos depois o filme foi relançado com o conteúdo acrescido. O guitarrista e líder da banda Sepultura Andreas Kisser assistiu a nova versão e isso o motivou como gancho inspirador para o álbum “The Mediator Between Head and Hands Must To Be The Heart” lançado em 25 de outubro de 2013. 

Em entrevista a revista Roadie Crew (edição #180 – Janeiro/2014), Andreas disse que o tema tem tudo a ver com o momento atual do mundo e especialmente do Brasil. Afirmou que as pessoas vivem robotizadas e doutrinadas a aceitarem tudo o que lhes é apresentado. Fala que as pessoas perderam o lado humano de questionar e argumentar e que isso tem uma forte ligação com as manifestações de junho de 2013, além do fato das pessoas apenas se comunicarem apenas através do celular e fora os perigos da lavagem cerebral dada pelo cristianismo. Kisser, porém, também criticou os próprios fãs de Metal ao dizer que a arte é livre e o nome longo do álbum já serve e mostra como as pessoas vivem robotizadas, pois incomodou alguns. 

Além de Andreas, a formação é completada por Derrick Green (vocal), Paulo Jr. (baixo) e do estreante Eloy Casagrande de apenas 22 anos (ex-Gloria). A produção é Ross Robinson. O mesmo que produziu o clássico “Roots” de 1996. “...Mediator...” segue o lado do Metal extremo (mais precisamente do Death) predominantemente, além é claro de Groove e Thrash Metal, mas com menor participação. Porém, este Thrash aparece em evidência na primeira faixa “Trauma of War”. Rápida, violenta e que já mostra as qualidades técnicas do novato e jovem baterista Eloy com belas “viradas’ ao final. Fala sobre os traumas que as imagens perturbadoras de uma guerra podem causar em alguém: “Children watch their mothers die. Raping a city in the name of freedom. Children growing their hate inside. A world they lost in the name of reason./ Crianças assistem suas mães morrerem. Estuprando a cidade em nome da liberdade. Crianças crescendo o seu ódio interior. Um mundo perdido em nome da razão.” 

O clima pesado continua na polêmica “The Vatican”. Uma crítica ao catolicismo e do falso Papa bonzinho. Um fantoche, na verdade, que faz parte de um sistema que quer que seus fieis continuem seguindo doutrinas como ovelhinhas. O mundo é pobre, mas o trono é de ouro.  As cruzadas, os casos de pedofilia acobertados e todo a podridão da Igreja Católica e citada neste Thrash/Death: “A bloody revolution in the name and love of Christ. Sadistic pedophile, abusers of lies and lust. The power of the church over men's intellect. A story of sacred swords, the darkest age of mankind./ Uma revolução sangrenta em nome e amor de Cristo. Pedófilo sádico, abusadores da mentira e da luxúria. O poder da igreja sobre o intelecto dos homens. Uma história de espadas sagradas, a era mais sombria da humanidade.” 

A velocidade dá espaço para a cadência em “Impending Doom”. Agora o alvo da crítica é a humanidade, pois esta está destruindo a natureza levando a todos para um futuro incerto: “Creating a wasteland, we sink slowly awaiting death. Born to suffer, live to kill, our motto of all mankind./ Criando uma terra devastada, nós afundamos lentamente aguardando a morte. Nascido para sofrer, viver para matar, o nosso lema de toda a humanidade.” A televisão (seja noticiário ou programa religioso) é criticada em “Manipulation of Tragedy”. Pesada indo mais para o lado do Death Metal, porém a inserção de atabaques dão o tradicional toque abrasileirado da banda: “Manipulated my God, the box. Worship, worship, bow down./ Manipularam meu Deus, a caixa. Veneração, veneração, curve-se.” 

A vingança e ira da mãe natureza sobre os humanos está em “Tsunami” que traz alguns elementos de Metal moderno: “Many run to look for shelter, and realize it can't exist. It has only one mission. To wipe all that's in the way./ Muitos correm em busca de abrigo e percebem que não existe. Há apenas uma missão. Limpar tudo o que está no caminho.” A alegria daqueles que vivem na ignorância e escuridão forjada pela religião está presente no Metal cheio de groove de “The Bliss of Ignorants”. O triângulo e as passagens acústicas no meio de todo peso evidenciam as origens da banda: “You didn't make us. In the end we'll save us. The bliss is gone, you awake to see./ Você não nos criou. No fim vamos nos salvar. A alegria se foi, você está acordado para ver.” 

Densa, sinistra e com um aura pesada. Esta é a depressiva “Grief”. Aqui o destaque é a interpretação de Derrick Green cheia de dor, transparecendo o sofrimento de alguém passando por um luto. Ela foi escrita em homenagem aos jovens que faleceram no incêndio da boate Kiss no Rio Grande do Sul no início de 2013. Em certos momentos, Green usa um vocal mais limpo com uma voz emocionada como se estivesse chorando: “Abandon by God. Warmth of death comforts my skin. Leave me with my grief./ Abandonado por Deus. O calor da morte conforta minha pele. Me deixe com meu luto.” A “bandeira do ateísmo” é erguida em “The Age of the Atheist”. Um Death/Thrash cheio de ceticismo contra as mentiras oriundas da fé e da distorção da realidade que esta traz: “Diversions are blocking our vision from the truth. The clear reality. Diversions turn our world to shit must stop. Deny. No gods, no leaders, no prophets telling my future. No heaven, no hell, not a messiah./ Distrações bloqueiam nossa visão da verdade. A limpa realidade. Distrações transformam nosso mundo em merda, isso deve parar. Negue. Sem deuses, sem líderes, sem profetas dizendo o meu futuro. Sem céu, sem inferno, nem um messias.” 

A obsessão em se ter isso ou aquilo também é um dos maus que afligem a sociedade. Está é o foco de “Obsessed”. Vale ressaltar a participação especial do baterista Dave Lombardo. A contribuição do ex-Slayer aconteceu por acaso. Lombardo estava passeando pela praia com a família (o álbum foi gravado em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos) e ligou para o produtor Ross Robinson. Robinson falou para ele passar no estúdio para uma jam com o Sepultura e aí... Sonoramente, a faixa é dark, meio tempo: “Want that, need that, I must have that. Hunger endless, restless spirit./ Quero isso, preciso disso, eu devo ter isso. Fome sem fim, espírito inquieto.” Ao fim uma surpresa. Encerra “Da Lama ao Caos”. Cover da banda pernambucana Chico Sciense e Nação Zumbi com Andreas Kisser cantando em português. Na entrevista a para a Roadie Crew (edição #180 – Janeiro/2014), Kisser afirmou que sempre teve vontade de lançar músicas cantadas em português, porém havia o empecilho da dificuldade de pronúncia por parte do americano Derrick Green. A última vez que isso ocorreu no Sepultura foi em 1993, ainda com Max Cavaleira, no álbum “Chaos A.D.” com “Polícia” do Titãs. O cover da banda de Andreas segue fiel a de Chico Sciense, porém, obviamente, com os adicionais elementos do Sepultura como o peso do Metal e os elementos brasileiros percussivos. A performance de Kisser nos vocais é boa e nada mais. A faixa tem 25 minutos ao total. No meio há um silêncio que é só interrompido ao final com um solo de bateria. 

Na versão para download via iTunes tem a música bônus “Stagnate State of Affairs” que começa sem chamar atenção, mas que possui uma belas passagens de Thrash Metal rápido e vigoroso. Já juntou na versão do single “The Age of the Atheist” veio outro cover: “Zumbie Ritual” do Death. A letra retrata um “ritual zumbi” cheio de escatologias: “Revengeful corpse out to kill. Smell the stench, your guts will spill. Vomit for a mind, maggots for a cock. With his axe the corpse will chop./ Cadáveres vingativos saem para matar. Sinta o mau cheiro, suas tripas derramarão. Vomito para um cérebro, larvas para um pênis. Com o seu machado, o cadáver fatiará.” A recepção do público e crítica não foi unanime, mas denota uma grande mudança. Com “Mediator...” e o antecessor “Kairos” a banda conseguiu conquistar respeito próprio diante da maioria dos fãs. A banda deixou de ser vista apenas na sombra da era dos irmãos Cavaleras. O público gostou da volta ao peso extremo tradicional do Death e do Thrash nos lançamentos recentes. Death Metal, aliás, é o que chama atenção e fazendo esta obra uma das mais pesadas da carreira do grupo. 

“The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart” é diversificado (cheio de mudanças de andamento, peso e velocidade, Metal e música brasileira...), denso e sinistro. Algumas faixas e passagens são sufocantes e até depressivas. Há uma aura de rancor, ódio e dor ao longo de toda o álbum sonoramente e liricamente com os ataques ao Cristianismo e sociedade em geral, além da tragédia da boate Kiss. De todo modo, os vocais gritados e nem um pouco melódicos de Derrick Green, assim como da própria sonoridade, além da incursão dos elementos brasileiros não me agradam. Porém é interessante notar que apesar de manter as características conhecidas da banda, o Sepultura conseguiu mostrar mais uma vez que é impossível saber exatamente o que eles vão trazer a cada lançamento. A única certeza é o peso. Em síntese, um álbum feito de caos e lama.


Faixas (clique e ouça):
5- Tsunami
7- Grief
12- Zumbie Ritual (bônus) 
                                                                       Opinião do autor:
Nota track by track.



Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: Sepultura
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 13
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Death Metal
País: Brasil


sábado, 18 de outubro de 2014

Resenha: Black Sabbath "Sabbath Bloody Sabbath" (1973)


Depois de lançarem o bem sucedido “Vol.4” (para os padrões da banda) em 1972, o Black Sabbath formado por Bill Ward (bateria), Geezer Butler (baixo), Tony Iommi (guitarra) e Ozzy Osbourne (vocal) estava com receio de fracassar. Osbourne não queria, no entanto, que o Black Sabbath perdesse o direcionamento para fazer algo com uma sonoridade distante daquilo que se remetia ao ouvir o nome da banda. O antecessor foi produzido em meio às regalias (mansão, drogas, mulheres, sol...) em Los Angeles nos Estados Unidos. Porém, desta vez, eles resolveram permanecer na terra natal: a Grã-Bretanha. Mais especificamente na Floresta de Dean, fronteira da Inglaterra com País de Gales no castelo Clearwell. Desde o primeiro dia que chegaram ao local, já ficaram com medo. Era mórbido, repleto de cabeças de animais empalhados pelas paredes, camas com colunas pelos quatro cantos, lareiras e um calabouço que usaram para ensaiar. Os moradores da região afirmaram que sempre ouviam vozes, choros e sombras dentro do castelo à noite. Ozzy na biografia “Eu Sou Ozzy” (Benvirá, 2010) afirma que não sabe quem deu a “ideia brilhante” de gravarem ali. De repente a banda acusada de satanismo estava morrendo de medo da própria sombra naquele lugar. 

Originalmente, eles queriam voltar a Bel Air na América, mas não puderam, pois Steve Wonder estava usando o estúdio que gravaram o “Vol.4”: o Record Plant. Para se divertirem escolheram a opção mais óbvia e “sadia”: se assustarem. A todo instante, um aplicava uma pegadinha tentando assustar o outro. O ambiente estava divertido, mas havia um problema... A criatividade para compor não surgia. A mente de Iommi para riffs estava em branco. E sem isso, não havia músicas. O fim das preocupações só aconteceu quando ouviram o álbum “Moontan” da banda holandesa Earring. Tony voltou a se inspirar e compôs o riff da futura faixa “Sabbath Bloody Sabbath”. Para celebrarem o fim do “apagão” definiram que o novo álbum se chamaria “Sabbath Bloody Sabbath”. 

Com o trabalho já quase pronto, o Black Sabbath volta para Londres no Morgan Studios para termina-lo. O estúdio era famoso na época, por isso não era raras as vezes que grandes grupos se esbarrando no local. Desta vez, o Sabbath dividiu espaço com a banda Yes de Rock Progressivo. Eles eram hippies e espalharam no estúdio deles vacas de cartolina com tetas elétricas e feno para que se sentissem no campo. Estavam gravando o álbum “Tales From Topographic Oceans”. O tecladista do grupo Rick Wakeman fez amizade com Ozzy Osbourne. Ambos tomavam cerveja, jogavam dardos e contavam histórias em bar perto dali. São amigos até hoje. 

Um dia, Rick estava entediado e Ozzy resolveu distraí-lo. Levou-o até o estúdio e mostro o riff de “Sabbra Cadabra”. Wakeman gostou, mas mostrou no teclado como esta poderia ficar melhor. Osbourne ficou tão empolgado com o que ouviu que pediu para que ele tocasse novo álbum do Sabbath. O tecladista aceitou e participou de duas faixas. A citada “Sabbra Cadabra” e em “Who Are You?”. A arte da capa chama atenção. Feita pelo ilustrador americano Drew Strutzan ela mostra um homem deitado em uma cama sendo torturado por demônios. Acima da cabeça dele o símbolo de 666. Ozzy Osbourne na autobiografia afirma que este álbum traz o velho som do Sabbath combinado ao novo e experimental, porém diz que foi o último grande lançamento do grupo. Ele foi lançado em 1 de dezembro de 1973. 

A obra já começa com a faixa título “Sabbath Bloody Sabbath”. Não é a toa que Tony Iommi é reconhecido como mestre dos riffs... O desta música é pesado e memorável. Como um todo, varia entre momentos fortes e calmos quase acústicos. A letra pode ser entendida como uma crítica ao cristianismo: “Nobody will ever let you know. When you ask the reasons why. They just tell you that you're on your own. Fill your head all full of lies, lies. Lies, lies, lies./ Ninguém nunca vai te deixar saber. Quando você pergunta as razões, o porquê. Eles apenas dizem que você está por conta própria. Enchem sua cabeça de mentiras, mentiras. Mentiras, mentiras, mentiras.” O peso continua (como se tivesse sido atingido na cabeça por um pedaço de concreto, brinca Ozzy em “Eu Sou Ozzy”) em “A National Acrobat”. Destaque para o riff de abertura e a harmonia que acompanha Osbourne na entrada do vocalista. Porém ao final o andamento muda para um som mais rápido e de melodia “quase feliz”. A letra é cheia de metáforas e tem um ar de ficção científica talvez alavancado pelo auto consumo de drogas à época, mas há um pouco de consciência no meio: “Just remeber love is life and hate is living dead. Treat your life for what it's worth and live for every breath./ Apenas se lembre que amor é vida e ódio é vida morta. Empenhe sua vida no que vale a pena e viva por cada respiração sua.” 

Mantendo a tradição de faixas instrumentais “Fluff” ao violão e piano é calma, melódica e até relaxante. Bela e singela soa como a inocência infantil. Letras sobre as diversas formas de amor tendem (até no Metal) a serem acompanhadas de músicas mais leves, acessíveis e bem melódicas, mas... Já que é o Black Sabbath que está abordando o tema, logo nos primeiros segundos de “Sabbra Cadabra” surge mais belo riff de Tony. A faixa é pesada, tem passagens mais calmas e até a adição dos teclados de Wakeman (como citado no início do texto). A letra é simples e apaixonada: “Feel so happy since I met that girl. When we're making love. It's something out of this world. Feels so good to know that she's all mine. Going to love that woman till the end of time./ Me sinto tão feliz desde que conheci aquela garota. Quando nós estamos fazendo amor. É algo fora desse mundo. Me sinto tão bem em saber que ela é toda minha. Vou amar aquela mulher até o fim dos tempos.” O problema é que ela dá margem a diversas interpretações, como uma singela de paixão, um amor possessivo (como se o narrador tivesse aprisionado a amada)... Vai da cabeça de cada um. 

Killing Yourself To Live” traz vários elementos do Sabbath, como um grande riff, a veia blues ainda viva (escute o final), passagens mais lentas e densas e outras mais rápidas. Para algumas pessoas a realidade pode ser tão dura que a única maneira de sentir melhor é ficando chapado com drogas. A pressão da sociedade e os problemas pessoais somados resulta neste comportamento suicida e auto destrutivo: “How people look and people stare. Well I don't think that I even care. You rot your life away and what do they give? You're only killing yourself to live. Killing Yourself To Live! Killing Yourself To Live!/ O modo como as pessoas olham e encaram. Bem, eu não penso assim, não dou a mínima. Você joga(apodrece) sua vida fora e o que eles te dão? Você só está matando-se para viver. Matando-se para viver. Matando-se para viver.” 

Deus ou o diabo? Um destes manipulam as pessoas ao bel prazer os próprios fiéis. O Sabbath quer saber quem afinal é esta criatura maléfica na sintetizada “Who Are You”: “Giving us your trust. And when you have played enough. You'll just cast our souls. Into the dust. Into the dust./ Nos dando sua confiança. E quando você tiver brincado o bastante. Você apenas jogará nossas almas. No pó. No pó.” Depois, vem a mais simples e rock n’ roll “Looking For Today”. Ela também possui partes calmas e acústicas acompanhadas de instrumento de sopro. Fala sobre as dores e pressões do dia a dia que acabam com os sonhos e orgulho pessoal dos indivíduos: “Everyone just gets on top of you. The pain begins to eat your pride. You can't believe in anything you knew. When was the last time that you cried./ Todo mundo sobe em cima de você. A dor começa a comer o seu orgulho. Você não pode acreditar em nada daquilo que você sabia. Quando foi a última vez que você chorou?” 

A última faixa “Spiral Architect” conta com a presença de uma orquestra e dá um tom épico em vários momentos ao se escutar o peso do Sabbath somado aos violinos. A letra é viajante e talvez reflita o estado (chapado) de espírito da banda na época: “Superstitious century. Didn't time go slow. Separating sanity. Watching children grow. Synchronated undertaker. Spiral sky. Silver ships on plasmic oceans. In disguise./ Século supersticioso. O tempo não passou muito devagar? Separando a sanidade. Vendo as crianças crescerem. Coveiro sincronizado. Céus espirais. Navios prateados em oceanos plasmáticos. Em disfarce.” 

“Sabbath Bloody Sabbath” foi o primeiro álbum bem recebido por boa parte da crítica. O motivo, provavelmente, deva-se as mudanças sonoras. O Rock Progressivo estava no auge. O estilo conhecido em síntese pelo virtuosismo influenciou a banda. O peso do Metal agora estava aliado ao experimentalismo oriundo da utilização de diferentes instrumentos musicais. O diferencial da obra fica pela utilização de sintetizadores graças a participação de Rick Wackman e das construções elaboradas e com mudanças de tempo ao longo de cada música. Muitos fãs o consideram um clássico por tudo isso, mas alguns torceram o nariz. O destaque positivo mesmo é o equilíbrio apresentado entre o novo e o antigo. Os riff de Heavy Metal estão lá, assim como as letras “satânicas” que retornaram. Apesar do lado Prog e da bela “Fluff”, “Sabbath Bloody Sabbath” mostrava o peso do Heavy Metal tradicional e não mais apenas aquele “blues mal encarado” que serviu de base o Doom Metal como nos primeiros lançamentos. 


Faixas (clique e ouça):
1- Sabbath Bloody Sabbath
2- A National Acrobat
3- Fluff
4- Sabbra Cadabra
5- Killing Yourself To Live
6- Who Are You
7- Looking For Today
8- Spiral Architect

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota do álbum.


Banda: Black Sabbath
Ano: 1973
Álbum de estúdio nº 5
Gravadora: Vertigo / Warner Brothers
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Curiosidades: Metallica | A entrada de Dave Mustaine



Ron McGovney, baixista à época na banda, de fato, não queria entrar para o Metallica. Ele encarava os ensaios, shows e afins apenas com um hobbie. Por outro lado, o vocalista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich levavam tudo com seriedade, foco e profissionalismo, afinal era a banda “James e Lars” desde o início. Para encontrarem um guitarrista, colocaram um anúncio em um jornal. Certo dia, um tal de Dave Mustaine (muito falastrão) ligou para eles... Dave era um sujeito alto, loiro, boa pinta e que para muitos era um babaca! Mustaine cresceu em um lar desfeito, logo, a ligação com Hetfield foi quase automática (leia sobre a vida do vocalista antes da criação do Metallica). Dave ingressou no projeto sem sequer tocar um acorde. Ele foi contratado devido ao ótimo equipamento musical que possuía. Tinha como “hobbie” vender drogas e praticar artes marciais, logo, achava que ninguém poderia fazer-lhe frente. Mustaine também gostava de ocultismo e afirma que uma vez conseguiu até ficar com uma garota que não queria nada com ele. No entanto, diz que parou de mexer com magia negra depois que pediu que algo ruim acontecesse a um garoto implicante na escola. 

Desde o início, Dave apresentou uma confiança tamanha que era capaz de eclipsar o inseguro vocalista James Hetfield que (teoricamente) que deveria ser o líder no palco. Mas quem fazia às vezes de front-man era o comunicativo guitarrista. O Metallica era uma banda americana, mas que tocava ao estilo europeu. Em 1982, Lars acreditava apenas em trabalhar no presente e não sonhava com o futuro. Ulrich trabalhava como caixa de posto de gasolina e Mustaine (que tinha o próprio apartamento) era um “vendedor autônomo”. O primeiro show foi em 14 de março de 1982. Tocaram três músicas próprias e muitos covers... Que não eram apresentadas como sendo de autoria de terceiros. O primeiro show contou com James sem guitarra. O público era composto por amigos dos integrantes. Na primeira música, a corda da guitarra de Dave quebrou e o concerto durou “uma eternidade” para o retraído Hetfield. Mustaine era o único à vontade no primeiro show. Lars comentou no próprio diário o que achou: 75 pessoas... Ganharam 15 dólares... Tocou mais ou menos... Show bom. 

Graças a influência do Motley Crüe (Hard Rock americano), o Metallica abriu a 2ª noite de show dos ingleses do Saxon (Heavy Metal inglês). A primeira foi do Ratt (Hard Rock americano). No meio de tanto Glam Metal, James usou calça de oncinha e estava muito tímido. A banda recebeu a primeira crítica da mídia e foi em um jornal grande. Lars achou que a apresentação foi ótima. Em junho, gravaram a demo “Power Metal”. A sonoridade da banda era bem diferente. O nome veio dos cartões de visitas criados por Ron. Ulrich odiou a ideia. Dave e James acharam graça, por outro lado. Hetfield queria ser apenas o guitarrista base e não vocalista também, devido à insegurança e aparência cheia de espinhas. Alguns vocalistas surgiram, mas não ficaram na banda. James Hetfield permaneceu no cargo, mas contrariado. 



Leia a biografia de Lars Ulrich pré-Metallica.

Leia a biografia de James Hetfield pré-Metallica.

Leia sobre o pontapé na carreira do Metallica

Leia a resenha do álbum de estreia do Metallica. (em breve link)

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Humor: Os piores clipes de Black Metal de todos os tempos


O Black Metal é um subgênero do Metal que ficou caracterizado nos anos 90 não só pela aparência das bandas, como ideologia, visual e, é claro, sonoridade. Esta última formada por uma mistura artística de rispidez de vanguarda (quase uma "anti-música") catalizada com a utilização de instrumentos e produção de baixíssima qualidade. Tudo isso de forma intencional para certos grupos e com seriedade. O problema acontece quando alguns destes resolvem produzir videoclipes. As técnicas então a favor voltam-se contra e o rústico, pobre e "alternativo" vira algo, no mínimo, hilário. Confira os piores clipes de Black Metal de todos os tempos:



PS: O clipe de "Call Of The Wintermoon" do Immortal é tão ruim... Que é bom!

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Dica de Documentário: Heavy Metal em Bagdá (2007)


Uma equipe de jornalistas se prepara para uma entrevista especial... Antes de entrarem no carro para irem até o local combinado, colocam coletes a prova de bala e são escoltados por homens fortemente armados. O local? Iraque. Um dos locais mais perigosos do mundo. E no meio desta guerra diária constante um grupo de jovens decidem expressarem os horrores vividos através do Metal. 

No documentário "Heavy Metal em Bagdá" de 2007, a banda de Thrash Metal chamada Acrassicauda (espécie de escorpião negro comum no Iraque) é acompanhada. As entrevistas e as imagens de destruição da cidade de Bagdá causadas pelas explosões revelam a dificuldade em se tocar este estilo musical em um pais tão violento, fechado e conservador. 

Sem cabelos compridos. Apenas camisas de bandas ocidentais como Metallica, Iron Maiden, Megadeth, Slipknot e até dos brasileiros do Sepultura! Foi através de bandas como essas que os integrantes do Acrassicauda aprenderam inglês. Nada mais natural do que o Metal nasça e se desenvolva em um ambiente tão inóspito.  Um som pesado e um mundo tão agressivo. 

Assista!:

























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