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quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Resenha: Torture Squad "Esquadrão de Tortura" (2013)


Tortura... A palavra está no nome de uma das bandas mais respeitas e tradicionais do Metal nacional o: Torture Squad. Esta mesma palavra é a que sintetiza o período negativo de (quase) 21 anos de duração (entre 1964 a 1985) do Regime Militar também ou mais conhecido como “Ditadura Militar”. Muitos sofreram com a opressão dos militares. Os sobreviventes dos combates e perseguições ou filhos destes vivem com as marcas até hoje. Alguns querem esquecer esta época, mas o Torture Squad não. O Brasil passou por problemas internos, mas mesmo assim conseguiu supera-los. Assim também foi com a banda. Em janeiro de 2011, o guitarrista Augusto Lopes sai e é substituído por André Evaristo. Porém, em abril de 2012, foi a vez do vocalista Vitor Rodrigues se desvincular. Isso após 19 anos no posto. O que poderia ser um grande problema para o Torture serviu para se reinventarem. De quarteto passaram para trio com Evaristo utilizando vocal rasgado Thrash Metal e o baixista Castor com o vocal gutural do Death Metal. O baterista Amilcar Christófaro fecha a formação. “Esquadrão de Tortura” foi lançado em 15 de novembro de 2013 (dia da proclamação da república). É o primeiro álbum conceitual do grupo e fala sobre o tempo sombrio na qual o país passou sob o comando dos militares no poder. Amilcar e Castor em entrevista a revista Roadie Crew (ed. 180 – janeiro de 2014) afirmaram que a ideia deste lançamento é a de levarem este tema tão importante, principalmente, para aqueles que não o conhecem muito só que através da música. 

A pesquisa para a construção da parte lírica contou com a ajuda de entrevistas com historiadores e até uma visita ao DOI-CODI (um prédio do exército para onde levados e torturados os “inimigos do Estado”) de São Paulo e que hoje é o Museu da Resistência em homenagem àqueles perseguidos e mortos naqueles anos por obra do governo. O retrato do período já pode ser visto pela capa.  As diferentes cruzes representam que ninguém estava a salvo. A águia evidencia a influência do governo americano no Golpe de 64. O jornal mostra a data e as velas na contracapa é homenagem aos que faleceram, além arte ser toda em verde-escuro a cor dos militares. Como um todo, devido ao estilo de Evaristo, o Thrash Metal é o foco, enquanto o Death vocalicamente foi quase eclipsado. As “boas vindas” são dadas na abertura com o anúncio: “Não há escapatória no inferno!”. A letra tenta passar o clima de incerteza que se apresentava em 1964 com a retirada do presidente Jango do poder. Os militares tentando tranquilizar a população com mentiras de “pacificação”. O favorecimento de certo grupos que manipulavam a massa como a elite e mídia, além da influência do “Tio Sam”. Direitos revogados, atos institucionais... “No Escape From Hell transcreve os primeiros choques das mudanças ocorridas em um Thrash veloz, riff memorável e refrão grudento, além de paradinhas para bater cabeça: “Military times. Arrived.         A better era coming? Nobody knows./ Tempos Militares. Chegaram. Um era melhor vindo? Ninguém sabe.” 

A repressão do Estado está em “Pull the Trigger”. A desculpa contra todos os abusos era a guerra contra o “perigo vermelho” dos comunistas. A hierarquia dos fardados eliminava qualquer um que se colocava como opositor. O ápice dos anos de chumbo foi 1968 que recebeu a alcunha de “o ano que nunca acabou”. Marcos como a queda do Congresso estudantil em Ibiúna e o assassinato de Edson Luiz também são citados. Uma faixa pesada e de levada viciante que leva até o refrão foi feito para ser gritado. Também há partes mais cadenciadas: “Restore the discipline. And military hierarchy. Against the communist threat.  It’s part of the excuse. About all the abuse. Upon all who oppose them./ Restaurar a disciplina. E a hierarquia militar. Contra a ameaça comunista. É parte da desculpa. Sobre todos os abusos.” 

Já “Pátria Livre” inicialmente teria uma letra, mas, em seguida, resolveram deixa-la instrumental. Mas as claras influências de Hardcore inspiraram a ideia de convidarem João Gordo (vocalista do Ratos de Porão) para cantar um trecho da carta escrita por Carlos Marighella contra o próprio partido por não concordar com a postura deste diante da ditadura. Marighella, além de político era guerrilheiro e poeta: “O dever do povo e de todo cidadão. É fazer revolução pelas próprias mãos. Conquistando o poder pela violência. Trocando o imperialismo pelo povo armado! Pátria livre!” O cenário de guerra entre estudantes e militares nas ruas é mostrado em “Wardance”. Bombas, molotovs, rifles, cães, pedras, explosões, infiltrações de espiões... Sonoramente há uma notória diferença. O peso está presente, mas a cadencia ocupa o lugar da velocidade. Mas o destaque mesmo fica para o solo e pós também bem melodioso e até acessível. Esta parte foi criação do ex-guitarrista Augusto Lopes. Quando a banda resolveu usar este trecho, chamou o próprio Augusto para grava-lo. Além disso, também tem trechos com blast-beats que fazem lembrar o Black Metal do Dimmu Borgir: “Shock troops push the crowd into the streets. Hundreds of students burn police cars. Soldiers with machine guns. Massacre on bandeiras square./ Tropa de Choque enfrenta a multidão nas ruas. Centenas de estudantes queimam carros da polícia. Soldados com armas de fogo. Massacre na Praça da Bandeira.” 

A introdução de “Architecture of Pain” é o discurso do então ministro da Justiça Luís Antônio da Gama e Silva anunciando o AI-5. Ato institucional que dava plenos poderes ao governo para cassar políticos opositores do regime militar, aposentar compulsoriamente professores com ideais de esquerda, além de validar medidas mais repressivas: The ai-5 arises. And violence starts to bloom.     “Just to prevent the disintegration of the regime”. We’re here to keep the order is what they say. Order and progress!/ O AI-5 surge. E a violência começa a florescer. "Apenas para evitar a desintegração do regime". Estamos aqui para manter a ordem é o que eles dizem. Ordem e progresso!” A faixa seguinte, “Never Surrender” começa com coro, passa para um intro com blast beats ao melhor estilo metal extremo. A música em si não é tão rápida, porém. O solo é melódico, mas o que chama atenção é a bela e triste melodia ao final. Fala da força da população na luta pela liberdade: “Many are joining now. Defend our country, defend our town. Looking for the best for brasil. Hail democracy!/ Muitos estão se unindo agora. Defender o nosso país, defender nossa cidade. Procurando o melhor para Brasil. Salve a democracia!” 

Já “In The Slaughterhouse” altera momentos de velocidade e lentidão. A guitarra dá tons melódicos, principalmente, no solo. A letra revela parte dos métodos de tortura utilizados pelos militares:In the slaughterhouse. Say or die. Dragon’s chair. Sit on a zinc plate. High voltage tearing your body./ No matadouro. Diga ou morrer. Cadeira do dragão. Sente-se em uma placa de zinco. Alta tensão rasgando seu corpo.” “Conspiracy of Silence” começa uma introdução longa e deprimida. Tudo muda com o grito de “revolution!” gritado em coro. O peso e a velocidade do Thrash vem, mas... Pouco depois, o som fica cadenciado. Também há, novamente, toques de Black Metal. Fala sobre a vontade libertária e revolucionária que guiava vários militantes contra o governo: “Revolutionary militants. And a few more peasants. The small against the big. The poor against the rich. Chinese and cuban revolutions./ Militantes revolucionários. E mais alguns camponeses. O pequeno contra o grande. Os pobres contra os ricos. Revoluções chinesa e cubana.” 

Após várias músicas mais longas, “Nothing to Declare” segue a linha do Thrash rápido, mas nem por isso menos melódica e em uma faixa mais curta. Destaque para o bom solo. É sobre os presos e torturados que se mantinham em silêncio nos depoimentos para os militares: “You hide your crimes behind a curtain of silence. But the time for you to pay is coming…/ Você esconde seus crimes atrás de uma cortina de silêncio. Mas o tempo para você pagar está chegando...” Curta, densa e dramática devido ao uso de violinos é “For The Countless Dead”. Cantada em inglês e português por dois diferentes narradores: “Every story has two sides. The good and bad. The truth and lies. A supposed security./ Toda história tem dois lados   O bom e o mal. As verdades e as mentiras. Uma suposta segurança.” 

Fear To the World” começa com poucos acordes e vai crescendo... A guitarra surge trazendo a melodia, depois vem o atabaque, a bateria e por fim a rapidez do Thrash Metal. O refrão foi feito para se cantar junto ao vivo. Ainda tem a bônus “A Soul in Hell”. Regravação da original da própria banda que saiu no debut “Shevering” em 1995 e de letra dura contra o fanatismo religioso: “Fanatic for religion. Alone with holy images. She consumes eagerly. Gospels and prayers./ Fanática pela religião. Sozinha com imagens santas. Ela consume ávida. Evangelhos e orações.” Mesmo com a mudança na sonoridade (focado mais no Thrash Metal) e a mudança na formação, os fãs, de modo geral, aprovaram o álbum. Os pontos negativos levantados, porém, voltam-se justamente ao vocal de Evaristo. 

Em um ano tão marcante como foi 2013 com as maiores manifestações públicas da população brasileira desde o movimento Diretas Já, “Esquadrão da Morte” revela os horrores de um período da história do pais, mas que não pode ser esquecido. Todo cidadão deveria conhecer mais sobre política. Afinal, este dever evitaria escolhas ignorantes nas eleições, convicções políticas infames, revolta e etc. Ao se conhecer os erros do passado há mais chances de não repeti-los no presente e futuro como, por exemplo, a mentira cultivada até hoje da implantação da “Ditadura Comunista” levantada pela direita fascista ou o pedido de intervenção militar... Intervenção militar!? O Torture Squad está de parabéns por ter a criatividade e a vontade de trabalhar com este assunto. O tema política pode ser tortuoso para muitos... Mas a maior tortura de uma nação (como a nossa) é viver alimentado pela ignorância de informações levianas publicadas por um mídia reacionária e manipuladora (escute e leia a letra “Chaos Corporation”). 


Faixas (clique e ouça):
12- A Soul in Hell (bônus) 



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

                                       
Nota track by track.



Nota do álbum.

Banda: Torture Squad
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 7
Gravadora: Substancial Music
Gênero: Thrash Metal
País: Brasil



terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Dica de Documentário: Mulheres no Metal (2013)



O Metal, infelizmente, sempre foi um gênero masculinizado. No Brasil, desde o início das primeiras cenas nos anos 80, os homens sempre foram uma esmagadora maioria. Mas isso não significa que não havia mulheres tocando um som pesado. Muito pelo contrário. Além de muitas fãs, o Heavy Metal no país possui não apenas bandas com integrantes femininas como grupos compostos exclusivamente por elas. No documentário "Mulheres no Metal" várias musicistas falam das dificuldades que as headbangers brasileiras enfrentaram e enfrentam contra o machismo dentro deste gênero musical, além de contarem curiosidades e como surgiu este amor verdadeiro pelo Metal.  

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Pergunte ao ArtistA | Ricardo Batalha: Metal no Rock in Rio?


Ricardo Batalha, redator chefe da revista Roadie Crew, em entrevista ao For headS afirma não se importar que o interesse da "grande mídia" pelo Metal só ocorra em grandes eventos como o Rock in Rio, por exemplo. Pelo contrário. Diz que considera uma verdadeira conquista a presença do gênero em dois dias específicos neste festival.




Este vídeo faz parte do material não aproveitado para o documentário Metal SP (2013). Se gostou deste vídeo confira também a versão com trilha de banda:



sábado, 6 de dezembro de 2014

Pergunte ao ArtistA | Ricardo Batalha: Metal para as massas?


Ricardo Batalha, redator chefe da revista Roadie Crew, em entrevista ao For headS diz que existem algumas bandas "mainstream" dentro do Metal e estas são conhecidas por todos. No entanto, ressalta que a essência "underground" do estilo dificulta o acesso de um público maior. 




Este vídeo faz parte do material não aproveitado para o documentário Metal SP (2013). Se gostou deste vídeo confira também a versão com trilha de banda:

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Pergunte ao ArtistA | Ricardo Batalha: Brasileiro prefere show de banda gringa?


Ricardo Batalha, redator chefe da revista Roadie Crew, em entrevista ao For headS diz que nos anos 80 o público era maior nos shows nacionais de Metal, porém isso mudou com o tempo. Um dos principais motivos foi o aumento na quantidade de shows internacionais. “Um fã com um trabalho normal não consegui ir a todos os shows que gostaria devido à demanda”, afirma Batalha.




Este vídeo faz parte do material não aproveitado para o documentário Metal SP (2013). Se gostou deste vídeo confira também a versão com trilha de banda:

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