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sábado, 25 de outubro de 2014

Resenha: HIM "Razorblade Romance" (1999)


O segundo álbum do HIM “Razorblade Romance” foi lançado na terra natal da banda a Finlândia em 19 de dezembro de 1999, mas o sucesso do mesmo começou a se formar ainda em fevereiro daquele ano com o lançamento do single “Join Me In Death”. A banda já obtinha reconhecimento no país de origem, mas foi com este hit que o grupo formado por Mikko “Linde” Lindström (guitarra), Mikko “Mige” Paananen (baixo) e o líder e vocalista Ville Valo, além dos novatos Jussi-Mikko “Juska” Salminen (teclado) e Mika “Gas Lipstick” Karppinen (bateria) nos lugares de Antto Melasniemi e  Juhana Tuomas “Pätka” Rantala respectivamente conquistaram a Europa. A fama aumentou quando a faixa citada fez parte da trilha sonora do filme de ficção-científica “The Thirteenth Floor” (“13º Andar” em português) lançado em abril de 99. 

É interessante notar que “Razorblade Romance” foi lançado de uma maneira bem esquisita. Se os finlandeses puderam compra-lo no último Natal da década de 90 o restante do mundo teve que esperar a chegada da década seguinte. No restante da Europa o álbum só chegou às prateleiras em 26 de janeiro de 2000 e no Reino Unido a espera foi ainda maior, pois foi lançado apenas em 15 de maio daquele ano. Mas isso nem se compara com a demora e os problemas ocorridos nos Estados Unidos. Os americanos só tiveram contato com “Razorblade Romance” a partir de 28 de outubro de 2003 (para que aqueles, obviamente, que não os conheciam, pois não tinham o baixado). Quase 4 anos depois do lançamento original (até lá a banda já tinha lançado outros dois álbuns de estúdio). A distribuição também foi afetada. A questão é que já existia uma banda HIM na Terra do Tio Sam e que alegou possuir os direitos sobre o nome. Sendo assim, de início, “Razorblade...” foi comercializado sob o nome “HER” (“DELA” em português). Só depois de um acerto é que CDs foram produzidos com o nome HIM. 

As diferenças entre esta obra e o antecessor “Greatest Love Songs Vol.666” (1997) são sutis, mas notáveis. O lado gótico e denso deu espaço para um som mais acessível com melodias e refrãos memoráveis. As letras cheias de amor e paixão continuam presentes. A começar por “I Love You (Prelude to Tragedy)” que fala que quanto mais a garota tenta se distanciar do sujeito mais ele fica apaixonado por ela: “Don't you feel it. The colder you touch. The more it turns me on. And the faster beats my heart. And baby more I love you./ Você não sente isso. Quanto mais frio o seu toque. Mais "ligado" eu estarei. E mais rápido vai bater o meu coração. E, baby, mais eu vou te amar.” Ville começa surrando os primeiros versos tão baixo que quando a música começa de “verdade” você leva um susto. Destaque para o refrão grudento em que Valo usa um tom mais grave. 

Poison Girl” é calma, mas tem um refrão envolvente. A letra apaixonada segue a linha Shakespeariana da obra “Romeu & Julieta” onde aparentemente a única maneira do amor do casal se manter vivo é através da morte: “I did it all just for her. Love's heart is death, for me and my poison girl. In this poison world./ Eu fiz tudo só por ela. E o amor nos quer mortos, só eu e minha garota veneno. Nesse mundo envenenado.” Em seguida, vem a faixa mais clássica e hit da banda até hoje “Join Me in Death”. Ela traz o lado gótico mais forte do primeiro álbum. É densa, tem um clima frio, mas ao mesmo tempo sexy e romântica. Tem um ar sedutor como a de um(a) vampiro(a). As notas do piano somadas à interpretação única de Valo a torna a síntese do HIM. A letra é um convite para a morte em sacrifício pelo amor: “This world is a cruel place. And we're here only to lose. So before live tears us apart let. Death bless me with you./ Este mundo é um lugar cruel. E nós estamos aqui apenas para perder. Então antes que a vida nos separe. Deixe que a morte me abençoe com você.” 

Mas a banda sabe trabalhar o mesmo tema só que de uma maneira. O amor ainda é o foco em “Right Here in My Arms”, mas não de forma mórbida. Nela a vida é celebrada. Até a sonoridade é diferente... O lado gótico e frio dá espaço para um Hard Rock rápido e energético: “She'll be right here in my arms. So in love. She'll be right here in these arms. She can't let go./ Ela estará bem aqui em meus braços. Tão apaixonada. Ela estará bem aqui nesses braços. Ela não pode partir.” O lado perverso do “amor” está em “Gone With the Sin”. A letra dá margem para várias interpretações... Como entender que a faixa trata de um estupro ou um assassinato através de um psicopata que sente prazer ao ver as lágrimas e a vida da pessoa de esvaindo. Ou pode ser vista através do lado fantasioso como um vampiro e vítima: “I adore the despair in your eyes. I worship your lips once red as wine. I crave for your scent sending shivers down my spine. I just love the way you're running out of life./ Eu adoro o desespero em seus olhos. Eu idolatro seus lábios uma vez vermelhos como vinho. Eu suplico por seu aroma me dando frio na minha espinha. Eu apenas amo o jeito que você está acabando com sua vida.” De aura densa para combinar com o tema e conta com Ville cantando de uma forma mais grave. 

Já na faixa título “Razorblade Kiss” liricamente fala sobre o prazer proveniente da dor.  Esta paixão sadomasoquista vem acompanhada de uma sonoridade que evidencia as mudanças da banda. Ville Valo mantém o lado soturno no timbre, mas o clima da música é mais moderno. Está mais próxima de um Hard Rock e menos “dark”: “Every time we touch we get closer to heaven. And at every sunrise our sins are forgiven. You on my skin this must be the end. The only way you can love me is to hurt me again. And again. And again. And again./ Toda vez que nos tocamos chegamos mais perto do paraíso. E a cada nascer do sol nossos pecados são perdoados. Você sobre a minha pele, isso deverá ser o fim. A única forma de me amar é me machucando de novo. E de novo. E de novo. E de novo.” 

Em “Bury Me Deep Inside Your Heart” é lenta, calma, densa e Ville canta com bastante sentimento. Os versos são sussurrados mudando apenas no refrão. A Letra apaixonada é em um mix de morbidez e paixão profunda: “Let me never see the sun. And never see you smile. Let us be so dead and so gone. So far away from life. Close my eyes. Hold me tight. And bury me deep inside your heart./ Deixe-me nunca ver o sol. E nunca te ver sorrir. Deixe-nos ser tão mortos e tão além. Tão longe da vida. Feche meus olhos. Abrace-me forte. E enterre-me dentro de seu coração.” A seguinte, “Heaven Tonight” tem a mesma linha, só que um refrão leve pra cantar junto. A parte lírica soa como um vampiro apaixonado e em êxtase pela vítima morta e vazia (...sem sangue, talvez): “I hold your hand in mine. I hold your hand and you're so lonely. Oh so lonely. Your eyes have lost their light. Your eyes have lost their light and you're empty. Oh my God you're so empty. (I'm in love with you). You are my heaven tonight./ Eu seguro sua mão na minha. Eu seguro sua mão e você é tão solitária. Oh, tão solitária. Seus olhos perderam seu brilho. Seus olhos perderam seu brilho e você está vazia. Oh meu deus, você está tão vazia. (Eu estou apaixonado por você). Você é meu paraíso hoje à noite.” 

A velocidade, energia e peso do Hard voltam na curta “Death Is In Love With Us”. O que não muda é a presença da morte no meio de tanto amor nas letra do HIM: “Death's in love with us oh oh. The Reaper holds our hearts oh oh./ A morte está apaixonada por nós oh oh. O ceifador segura nossos corações oh oh.” Um dos destaques do álbum é “Resurrection”. Tem um tom sombrio, frio e gótico, mas romântico e delicado graças a interpretação de Ville Valo sob a belíssima melodia memorável junto de um refrão extremamente grudento. Na letra, nem a morte pode separar uma grande paixão: “You kissed my lips. With those once cold fingertips. You reached out for me. And oh how you missed. You touched my face. And all life was erased. You smiled like an angel. (falling from grace). We've been slaves to this love. From the moment we touched. And keep begging for more. Of this resurrection./ Você beijou meus lábios. Com aquelas antes frias pontas dos dedos. Você foi longe por mim. E oh como você perdeu. Você tocou meu rosto. E toda a vida estava apagada. Você sorriu como um anjo. (caído do encanto). Nós temos sido escravos desse amor. Desde o momento em que nos tocamos. E ficamos implorando por mais. Dessa ressurreição.” 

A última faixa é “One Last Time”. A introdução a princípio é estranha e cheia de distorção, mas que depois dá espaço para uma melodia acessível regida por teclado e violão. A mixagem deixa com que a voz de Valo soe com se estivesse cantando através do telefone. Na letra, um pedido de mais uma chance em reconciliamento: “Is it so hard to believe that hearts. Are made to be broken by love… Oh at least you could try. (and we just will be closer). For this one last time. (let me fall into your arms). It could be alright. (don't let us grow colder). For this one last time. (let me close to your heart)./ É tão difícil acreditar que nossos corações. São feitos pra serem partidos pelo amor... Oh ao menos você poderia tentar. (e nós estaremos juntos). Por uma última vez. (deixe-me cair em seus braços). Poderia ficar tudo bem. (não nos deixe crescer mais frios). Por uma última vez. (deixe-me perto de seu coração).” 

Está neste álbum, talvez, o maior “hit” da banda: “Join Me In Death”. Lançada primeiramente como single ultrapassando a marca de meio milhão de cópias vendidas. Na Finlândia a banda já estava consagrada e “Razorblade Romance” chegou ao topo das paradas de sucesso, assim como no Alemanha. Na Polônia e o lançamento alcançou a 46ª posição. Ao todo foram mais de 2 milhões de álbuns vendidos. A sonoridade foi um pouco alterada. A essência gótica, mórbida, vampírica envolta de um atmosfera fria vinda da combinação de teclados, guitarra, baixo e, principalmente, graças a interpretação e vocais únicos de Ville Valo continuam atraentes como de nenhuma outra banda. Porém, a primeira diferença notável e a produção superior e mais cristalina. As melodias e os refrãos estão ainda mais acessíveis e memoráveis, além da inserção se outros estilos como a energia do Hard Rock em “Right Here in My Arms”, quem sabe, visando um mercado maior como o do restante da Europa e o americano. Mas este era apenas o começo...


Faixas (clique e ouça):
9- Death Is In Love With Us
10- Resurrection
11- One Last Time

                                                                   Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: HIM
Ano: 1999
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Supersonic Records / BMG Finland
Gênero: Alternative Metal
País: Finlândia


quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Humor: Com vocês... Necrosexual


Quem disse que uma entrevista com uma banda de Metal tem que ser necessariamente séria? "Necrosexual" é um repórter, digamos, atípico. Ele se define como "guerreiro do Black Metal, mestre do caos, ceifador de posers. Disponível para festas, eventos corporativos e funerais". Esta figura norte-americana é responsável por levar o "humor metálico" a um novo patamar. Ele é tão engraçado que até os entrevistados entram na brincadeira e assim quebram o estereótipo de "metaleiros mal encarados", além de fugir das perguntas óbvias.

Necrosexual já realizou entrevistas com Gary Holt (guitarrista do Exodus e Slayer), Johan Söderberg (guitarrista do Amon Amarth), Master, Municipal Waste, Peter Iwers (baixista do In Flames), Skeletonwitch, Steve Grimmett (vocalista do Grim Reaper), Vomitor, entre outros. 

Veja abaixo a entrevista com Mille Petrozza (vocalista do Kreator):


Também conheça um pouco do dia a dia de Necrosexual:



quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Resenha: Sepultura "The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart" (2013)


“O mediador entre a cabeça e as mãos deve ser o coração.” Esta frase célebre marca o clímax de um dos maiores clássicos cinematográficos do começo do século XX. “Metrópolis” é um filme alemão, dirigido pelo cineasta austríaco Fritz Lang, baseado no livro de Thea von Harbou. Mesmo lançado em 1927 o roteiro da obra é tão realista que se tornou atemporal. A história se passa no ano de 2026, onde um empresário ditador vive com uma parcela da população em um local privilegiado. Enquanto os trabalhadores pobres moram no subterrâneo no meio da miséria e escravidão. Em síntese, a crítica de “Metrópolis” é de que os seres humanos acabaram perdendo os sentimentos e que vivem em um mundo alienado e controlado. Em 2008, 30 minutos originais e inéditos do longa foram encontrados e dois anos depois o filme foi relançado com o conteúdo acrescido. O guitarrista e líder da banda Sepultura Andreas Kisser assistiu a nova versão e isso o motivou como gancho inspirador para o álbum “The Mediator Between Head and Hands Must To Be The Heart” lançado em 25 de outubro de 2013. 

Em entrevista a revista Roadie Crew (edição #180 – Janeiro/2014), Andreas disse que o tema tem tudo a ver com o momento atual do mundo e especialmente do Brasil. Afirmou que as pessoas vivem robotizadas e doutrinadas a aceitarem tudo o que lhes é apresentado. Fala que as pessoas perderam o lado humano de questionar e argumentar e que isso tem uma forte ligação com as manifestações de junho de 2013, além do fato das pessoas apenas se comunicarem apenas através do celular e fora os perigos da lavagem cerebral dada pelo cristianismo. Kisser, porém, também criticou os próprios fãs de Metal ao dizer que a arte é livre e o nome longo do álbum já serve e mostra como as pessoas vivem robotizadas, pois incomodou alguns. 

Além de Andreas, a formação é completada por Derrick Green (vocal), Paulo Jr. (baixo) e do estreante Eloy Casagrande de apenas 22 anos (ex-Gloria). A produção é Ross Robinson. O mesmo que produziu o clássico “Roots” de 1996. “...Mediator...” segue o lado do Metal extremo (mais precisamente do Death) predominantemente, além é claro de Groove e Thrash Metal, mas com menor participação. Porém, este Thrash aparece em evidência na primeira faixa “Trauma of War”. Rápida, violenta e que já mostra as qualidades técnicas do novato e jovem baterista Eloy com belas “viradas’ ao final. Fala sobre os traumas que as imagens perturbadoras de uma guerra podem causar em alguém: “Children watch their mothers die. Raping a city in the name of freedom. Children growing their hate inside. A world they lost in the name of reason./ Crianças assistem suas mães morrerem. Estuprando a cidade em nome da liberdade. Crianças crescendo o seu ódio interior. Um mundo perdido em nome da razão.” 

O clima pesado continua na polêmica “The Vatican”. Uma crítica ao catolicismo e do falso Papa bonzinho. Um fantoche, na verdade, que faz parte de um sistema que quer que seus fieis continuem seguindo doutrinas como ovelhinhas. O mundo é pobre, mas o trono é de ouro.  As cruzadas, os casos de pedofilia acobertados e todo a podridão da Igreja Católica e citada neste Thrash/Death: “A bloody revolution in the name and love of Christ. Sadistic pedophile, abusers of lies and lust. The power of the church over men's intellect. A story of sacred swords, the darkest age of mankind./ Uma revolução sangrenta em nome e amor de Cristo. Pedófilo sádico, abusadores da mentira e da luxúria. O poder da igreja sobre o intelecto dos homens. Uma história de espadas sagradas, a era mais sombria da humanidade.” 

A velocidade dá espaço para a cadência em “Impending Doom”. Agora o alvo da crítica é a humanidade, pois esta está destruindo a natureza levando a todos para um futuro incerto: “Creating a wasteland, we sink slowly awaiting death. Born to suffer, live to kill, our motto of all mankind./ Criando uma terra devastada, nós afundamos lentamente aguardando a morte. Nascido para sofrer, viver para matar, o nosso lema de toda a humanidade.” A televisão (seja noticiário ou programa religioso) é criticada em “Manipulation of Tragedy”. Pesada indo mais para o lado do Death Metal, porém a inserção de atabaques dão o tradicional toque abrasileirado da banda: “Manipulated my God, the box. Worship, worship, bow down./ Manipularam meu Deus, a caixa. Veneração, veneração, curve-se.” 

A vingança e ira da mãe natureza sobre os humanos está em “Tsunami” que traz alguns elementos de Metal moderno: “Many run to look for shelter, and realize it can't exist. It has only one mission. To wipe all that's in the way./ Muitos correm em busca de abrigo e percebem que não existe. Há apenas uma missão. Limpar tudo o que está no caminho.” A alegria daqueles que vivem na ignorância e escuridão forjada pela religião está presente no Metal cheio de groove de “The Bliss of Ignorants”. O triângulo e as passagens acústicas no meio de todo peso evidenciam as origens da banda: “You didn't make us. In the end we'll save us. The bliss is gone, you awake to see./ Você não nos criou. No fim vamos nos salvar. A alegria se foi, você está acordado para ver.” 

Densa, sinistra e com um aura pesada. Esta é a depressiva “Grief”. Aqui o destaque é a interpretação de Derrick Green cheia de dor, transparecendo o sofrimento de alguém passando por um luto. Ela foi escrita em homenagem aos jovens que faleceram no incêndio da boate Kiss no Rio Grande do Sul no início de 2013. Em certos momentos, Green usa um vocal mais limpo com uma voz emocionada como se estivesse chorando: “Abandon by God. Warmth of death comforts my skin. Leave me with my grief./ Abandonado por Deus. O calor da morte conforta minha pele. Me deixe com meu luto.” A “bandeira do ateísmo” é erguida em “The Age of the Atheist”. Um Death/Thrash cheio de ceticismo contra as mentiras oriundas da fé e da distorção da realidade que esta traz: “Diversions are blocking our vision from the truth. The clear reality. Diversions turn our world to shit must stop. Deny. No gods, no leaders, no prophets telling my future. No heaven, no hell, not a messiah./ Distrações bloqueiam nossa visão da verdade. A limpa realidade. Distrações transformam nosso mundo em merda, isso deve parar. Negue. Sem deuses, sem líderes, sem profetas dizendo o meu futuro. Sem céu, sem inferno, nem um messias.” 

A obsessão em se ter isso ou aquilo também é um dos maus que afligem a sociedade. Está é o foco de “Obsessed”. Vale ressaltar a participação especial do baterista Dave Lombardo. A contribuição do ex-Slayer aconteceu por acaso. Lombardo estava passeando pela praia com a família (o álbum foi gravado em Los Angeles, Califórnia, Estados Unidos) e ligou para o produtor Ross Robinson. Robinson falou para ele passar no estúdio para uma jam com o Sepultura e aí... Sonoramente, a faixa é dark, meio tempo: “Want that, need that, I must have that. Hunger endless, restless spirit./ Quero isso, preciso disso, eu devo ter isso. Fome sem fim, espírito inquieto.” Ao fim uma surpresa. Encerra “Da Lama ao Caos”. Cover da banda pernambucana Chico Sciense e Nação Zumbi com Andreas Kisser cantando em português. Na entrevista a para a Roadie Crew (edição #180 – Janeiro/2014), Kisser afirmou que sempre teve vontade de lançar músicas cantadas em português, porém havia o empecilho da dificuldade de pronúncia por parte do americano Derrick Green. A última vez que isso ocorreu no Sepultura foi em 1993, ainda com Max Cavaleira, no álbum “Chaos A.D.” com “Polícia” do Titãs. O cover da banda de Andreas segue fiel a de Chico Sciense, porém, obviamente, com os adicionais elementos do Sepultura como o peso do Metal e os elementos brasileiros percussivos. A performance de Kisser nos vocais é boa e nada mais. A faixa tem 25 minutos ao total. No meio há um silêncio que é só interrompido ao final com um solo de bateria. 

Na versão para download via iTunes tem a música bônus “Stagnate State of Affairs” que começa sem chamar atenção, mas que possui uma belas passagens de Thrash Metal rápido e vigoroso. Já juntou na versão do single “The Age of the Atheist” veio outro cover: “Zumbie Ritual” do Death. A letra retrata um “ritual zumbi” cheio de escatologias: “Revengeful corpse out to kill. Smell the stench, your guts will spill. Vomit for a mind, maggots for a cock. With his axe the corpse will chop./ Cadáveres vingativos saem para matar. Sinta o mau cheiro, suas tripas derramarão. Vomito para um cérebro, larvas para um pênis. Com o seu machado, o cadáver fatiará.” A recepção do público e crítica não foi unanime, mas denota uma grande mudança. Com “Mediator...” e o antecessor “Kairos” a banda conseguiu conquistar respeito próprio diante da maioria dos fãs. A banda deixou de ser vista apenas na sombra da era dos irmãos Cavaleras. O público gostou da volta ao peso extremo tradicional do Death e do Thrash nos lançamentos recentes. Death Metal, aliás, é o que chama atenção e fazendo esta obra uma das mais pesadas da carreira do grupo. 

“The Mediator Between Head and Hands Must Be The Heart” é diversificado (cheio de mudanças de andamento, peso e velocidade, Metal e música brasileira...), denso e sinistro. Algumas faixas e passagens são sufocantes e até depressivas. Há uma aura de rancor, ódio e dor ao longo de toda o álbum sonoramente e liricamente com os ataques ao Cristianismo e sociedade em geral, além da tragédia da boate Kiss. De todo modo, os vocais gritados e nem um pouco melódicos de Derrick Green, assim como da própria sonoridade, além da incursão dos elementos brasileiros não me agradam. Porém é interessante notar que apesar de manter as características conhecidas da banda, o Sepultura conseguiu mostrar mais uma vez que é impossível saber exatamente o que eles vão trazer a cada lançamento. A única certeza é o peso. Em síntese, um álbum feito de caos e lama.


Faixas (clique e ouça):
5- Tsunami
7- Grief
12- Zumbie Ritual (bônus) 
                                                                       Opinião do autor:
Nota track by track.



Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: Sepultura
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 13
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Death Metal
País: Brasil


sábado, 18 de outubro de 2014

Resenha: Black Sabbath "Sabbath Bloody Sabbath" (1973)


Depois de lançarem o bem sucedido “Vol.4” (para os padrões da banda) em 1972, o Black Sabbath formado por Bill Ward (bateria), Geezer Butler (baixo), Tony Iommi (guitarra) e Ozzy Osbourne (vocal) estava com receio de fracassar. Osbourne não queria, no entanto, que o Black Sabbath perdesse o direcionamento para fazer algo com uma sonoridade distante daquilo que se remetia ao ouvir o nome da banda. O antecessor foi produzido em meio às regalias (mansão, drogas, mulheres, sol...) em Los Angeles nos Estados Unidos. Porém, desta vez, eles resolveram permanecer na terra natal: a Grã-Bretanha. Mais especificamente na Floresta de Dean, fronteira da Inglaterra com País de Gales no castelo Clearwell. Desde o primeiro dia que chegaram ao local, já ficaram com medo. Era mórbido, repleto de cabeças de animais empalhados pelas paredes, camas com colunas pelos quatro cantos, lareiras e um calabouço que usaram para ensaiar. Os moradores da região afirmaram que sempre ouviam vozes, choros e sombras dentro do castelo à noite. Ozzy na biografia “Eu Sou Ozzy” (Benvirá, 2010) afirma que não sabe quem deu a “ideia brilhante” de gravarem ali. De repente a banda acusada de satanismo estava morrendo de medo da própria sombra naquele lugar. 

Originalmente, eles queriam voltar a Bel Air na América, mas não puderam, pois Steve Wonder estava usando o estúdio que gravaram o “Vol.4”: o Record Plant. Para se divertirem escolheram a opção mais óbvia e “sadia”: se assustarem. A todo instante, um aplicava uma pegadinha tentando assustar o outro. O ambiente estava divertido, mas havia um problema... A criatividade para compor não surgia. A mente de Iommi para riffs estava em branco. E sem isso, não havia músicas. O fim das preocupações só aconteceu quando ouviram o álbum “Moontan” da banda holandesa Earring. Tony voltou a se inspirar e compôs o riff da futura faixa “Sabbath Bloody Sabbath”. Para celebrarem o fim do “apagão” definiram que o novo álbum se chamaria “Sabbath Bloody Sabbath”. 

Com o trabalho já quase pronto, o Black Sabbath volta para Londres no Morgan Studios para termina-lo. O estúdio era famoso na época, por isso não era raras as vezes que grandes grupos se esbarrando no local. Desta vez, o Sabbath dividiu espaço com a banda Yes de Rock Progressivo. Eles eram hippies e espalharam no estúdio deles vacas de cartolina com tetas elétricas e feno para que se sentissem no campo. Estavam gravando o álbum “Tales From Topographic Oceans”. O tecladista do grupo Rick Wakeman fez amizade com Ozzy Osbourne. Ambos tomavam cerveja, jogavam dardos e contavam histórias em bar perto dali. São amigos até hoje. 

Um dia, Rick estava entediado e Ozzy resolveu distraí-lo. Levou-o até o estúdio e mostro o riff de “Sabbra Cadabra”. Wakeman gostou, mas mostrou no teclado como esta poderia ficar melhor. Osbourne ficou tão empolgado com o que ouviu que pediu para que ele tocasse novo álbum do Sabbath. O tecladista aceitou e participou de duas faixas. A citada “Sabbra Cadabra” e em “Who Are You?”. A arte da capa chama atenção. Feita pelo ilustrador americano Drew Strutzan ela mostra um homem deitado em uma cama sendo torturado por demônios. Acima da cabeça dele o símbolo de 666. Ozzy Osbourne na autobiografia afirma que este álbum traz o velho som do Sabbath combinado ao novo e experimental, porém diz que foi o último grande lançamento do grupo. Ele foi lançado em 1 de dezembro de 1973. 

A obra já começa com a faixa título “Sabbath Bloody Sabbath”. Não é a toa que Tony Iommi é reconhecido como mestre dos riffs... O desta música é pesado e memorável. Como um todo, varia entre momentos fortes e calmos quase acústicos. A letra pode ser entendida como uma crítica ao cristianismo: “Nobody will ever let you know. When you ask the reasons why. They just tell you that you're on your own. Fill your head all full of lies, lies. Lies, lies, lies./ Ninguém nunca vai te deixar saber. Quando você pergunta as razões, o porquê. Eles apenas dizem que você está por conta própria. Enchem sua cabeça de mentiras, mentiras. Mentiras, mentiras, mentiras.” O peso continua (como se tivesse sido atingido na cabeça por um pedaço de concreto, brinca Ozzy em “Eu Sou Ozzy”) em “A National Acrobat”. Destaque para o riff de abertura e a harmonia que acompanha Osbourne na entrada do vocalista. Porém ao final o andamento muda para um som mais rápido e de melodia “quase feliz”. A letra é cheia de metáforas e tem um ar de ficção científica talvez alavancado pelo auto consumo de drogas à época, mas há um pouco de consciência no meio: “Just remeber love is life and hate is living dead. Treat your life for what it's worth and live for every breath./ Apenas se lembre que amor é vida e ódio é vida morta. Empenhe sua vida no que vale a pena e viva por cada respiração sua.” 

Mantendo a tradição de faixas instrumentais “Fluff” ao violão e piano é calma, melódica e até relaxante. Bela e singela soa como a inocência infantil. Letras sobre as diversas formas de amor tendem (até no Metal) a serem acompanhadas de músicas mais leves, acessíveis e bem melódicas, mas... Já que é o Black Sabbath que está abordando o tema, logo nos primeiros segundos de “Sabbra Cadabra” surge mais belo riff de Tony. A faixa é pesada, tem passagens mais calmas e até a adição dos teclados de Wakeman (como citado no início do texto). A letra é simples e apaixonada: “Feel so happy since I met that girl. When we're making love. It's something out of this world. Feels so good to know that she's all mine. Going to love that woman till the end of time./ Me sinto tão feliz desde que conheci aquela garota. Quando nós estamos fazendo amor. É algo fora desse mundo. Me sinto tão bem em saber que ela é toda minha. Vou amar aquela mulher até o fim dos tempos.” O problema é que ela dá margem a diversas interpretações, como uma singela de paixão, um amor possessivo (como se o narrador tivesse aprisionado a amada)... Vai da cabeça de cada um. 

Killing Yourself To Live” traz vários elementos do Sabbath, como um grande riff, a veia blues ainda viva (escute o final), passagens mais lentas e densas e outras mais rápidas. Para algumas pessoas a realidade pode ser tão dura que a única maneira de sentir melhor é ficando chapado com drogas. A pressão da sociedade e os problemas pessoais somados resulta neste comportamento suicida e auto destrutivo: “How people look and people stare. Well I don't think that I even care. You rot your life away and what do they give? You're only killing yourself to live. Killing Yourself To Live! Killing Yourself To Live!/ O modo como as pessoas olham e encaram. Bem, eu não penso assim, não dou a mínima. Você joga(apodrece) sua vida fora e o que eles te dão? Você só está matando-se para viver. Matando-se para viver. Matando-se para viver.” 

Deus ou o diabo? Um destes manipulam as pessoas ao bel prazer os próprios fiéis. O Sabbath quer saber quem afinal é esta criatura maléfica na sintetizada “Who Are You”: “Giving us your trust. And when you have played enough. You'll just cast our souls. Into the dust. Into the dust./ Nos dando sua confiança. E quando você tiver brincado o bastante. Você apenas jogará nossas almas. No pó. No pó.” Depois, vem a mais simples e rock n’ roll “Looking For Today”. Ela também possui partes calmas e acústicas acompanhadas de instrumento de sopro. Fala sobre as dores e pressões do dia a dia que acabam com os sonhos e orgulho pessoal dos indivíduos: “Everyone just gets on top of you. The pain begins to eat your pride. You can't believe in anything you knew. When was the last time that you cried./ Todo mundo sobe em cima de você. A dor começa a comer o seu orgulho. Você não pode acreditar em nada daquilo que você sabia. Quando foi a última vez que você chorou?” 

A última faixa “Spiral Architect” conta com a presença de uma orquestra e dá um tom épico em vários momentos ao se escutar o peso do Sabbath somado aos violinos. A letra é viajante e talvez reflita o estado (chapado) de espírito da banda na época: “Superstitious century. Didn't time go slow. Separating sanity. Watching children grow. Synchronated undertaker. Spiral sky. Silver ships on plasmic oceans. In disguise./ Século supersticioso. O tempo não passou muito devagar? Separando a sanidade. Vendo as crianças crescerem. Coveiro sincronizado. Céus espirais. Navios prateados em oceanos plasmáticos. Em disfarce.” 

“Sabbath Bloody Sabbath” foi o primeiro álbum bem recebido por boa parte da crítica. O motivo, provavelmente, deva-se as mudanças sonoras. O Rock Progressivo estava no auge. O estilo conhecido em síntese pelo virtuosismo influenciou a banda. O peso do Metal agora estava aliado ao experimentalismo oriundo da utilização de diferentes instrumentos musicais. O diferencial da obra fica pela utilização de sintetizadores graças a participação de Rick Wackman e das construções elaboradas e com mudanças de tempo ao longo de cada música. Muitos fãs o consideram um clássico por tudo isso, mas alguns torceram o nariz. O destaque positivo mesmo é o equilíbrio apresentado entre o novo e o antigo. Os riff de Heavy Metal estão lá, assim como as letras “satânicas” que retornaram. Apesar do lado Prog e da bela “Fluff”, “Sabbath Bloody Sabbath” mostrava o peso do Heavy Metal tradicional e não mais apenas aquele “blues mal encarado” que serviu de base o Doom Metal como nos primeiros lançamentos. 


Faixas (clique e ouça):
1- Sabbath Bloody Sabbath
2- A National Acrobat
3- Fluff
4- Sabbra Cadabra
5- Killing Yourself To Live
6- Who Are You
7- Looking For Today
8- Spiral Architect

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota do álbum.


Banda: Black Sabbath
Ano: 1973
Álbum de estúdio nº 5
Gravadora: Vertigo / Warner Brothers
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido




sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Curiosidades: Metallica | A entrada de Dave Mustaine



Ron McGovney, baixista à época na banda, de fato, não queria entrar para o Metallica. Ele encarava os ensaios, shows e afins apenas com um hobbie. Por outro lado, o vocalista James Hetfield e o baterista Lars Ulrich levavam tudo com seriedade, foco e profissionalismo, afinal era a banda “James e Lars” desde o início. Para encontrarem um guitarrista, colocaram um anúncio em um jornal. Certo dia, um tal de Dave Mustaine (muito falastrão) ligou para eles... Dave era um sujeito alto, loiro, boa pinta e que para muitos era um babaca! Mustaine cresceu em um lar desfeito, logo, a ligação com Hetfield foi quase automática (leia sobre a vida do vocalista antes da criação do Metallica). Dave ingressou no projeto sem sequer tocar um acorde. Ele foi contratado devido ao ótimo equipamento musical que possuía. Tinha como “hobbie” vender drogas e praticar artes marciais, logo, achava que ninguém poderia fazer-lhe frente. Mustaine também gostava de ocultismo e afirma que uma vez conseguiu até ficar com uma garota que não queria nada com ele. No entanto, diz que parou de mexer com magia negra depois que pediu que algo ruim acontecesse a um garoto implicante na escola. 

Desde o início, Dave apresentou uma confiança tamanha que era capaz de eclipsar o inseguro vocalista James Hetfield que (teoricamente) que deveria ser o líder no palco. Mas quem fazia às vezes de front-man era o comunicativo guitarrista. O Metallica era uma banda americana, mas que tocava ao estilo europeu. Em 1982, Lars acreditava apenas em trabalhar no presente e não sonhava com o futuro. Ulrich trabalhava como caixa de posto de gasolina e Mustaine (que tinha o próprio apartamento) era um “vendedor autônomo”. O primeiro show foi em 14 de março de 1982. Tocaram três músicas próprias e muitos covers... Que não eram apresentadas como sendo de autoria de terceiros. O primeiro show contou com James sem guitarra. O público era composto por amigos dos integrantes. Na primeira música, a corda da guitarra de Dave quebrou e o concerto durou “uma eternidade” para o retraído Hetfield. Mustaine era o único à vontade no primeiro show. Lars comentou no próprio diário o que achou: 75 pessoas... Ganharam 15 dólares... Tocou mais ou menos... Show bom. 

Graças a influência do Motley Crüe (Hard Rock americano), o Metallica abriu a 2ª noite de show dos ingleses do Saxon (Heavy Metal inglês). A primeira foi do Ratt (Hard Rock americano). No meio de tanto Glam Metal, James usou calça de oncinha e estava muito tímido. A banda recebeu a primeira crítica da mídia e foi em um jornal grande. Lars achou que a apresentação foi ótima. Em junho, gravaram a demo “Power Metal”. A sonoridade da banda era bem diferente. O nome veio dos cartões de visitas criados por Ron. Ulrich odiou a ideia. Dave e James acharam graça, por outro lado. Hetfield queria ser apenas o guitarrista base e não vocalista também, devido à insegurança e aparência cheia de espinhas. Alguns vocalistas surgiram, mas não ficaram na banda. James Hetfield permaneceu no cargo, mas contrariado. 



Leia a biografia de Lars Ulrich pré-Metallica.

Leia a biografia de James Hetfield pré-Metallica.

Leia sobre o pontapé na carreira do Metallica

Leia a resenha do álbum de estreia do Metallica. (em breve link)
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