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sábado, 13 de setembro de 2014

Resenha: Beatallica "Masterful Mystery Tour" (2009)


A piada já começa pelo lado de fora. A capa do segundo álbum do Beatallica, banda que faz um Comedy Metal com letra parodiando canções dos Beatles e do Metallica, traz uma mistura dos álbuns “Magical Mystery Tour” (1967) dos ingleses e “Master of Puppets” (1986) dos americanos. O resultado é “Masterful Mystery Tour” lançado em 4 de agosto de 2009. A formação se manteve a mesma da primeira obra e conta com Grg Hammettson (guitarra e backing vocals), Jaymz Lannfield (vocal), Kliff McBurtrey (baixo e backing vocals) e Ringo Larz (bateria). Assim com “Master...” começa com “Battery”, “Masterful...” inicia-se com a mistura desta com “The Ballad of John and Yoko” (1969) do quarteto de Liverpool. Nasce “The Battery of Jaymz and Yoko”. A original do Metallica falava que o poder de uma bateria poderia destruir qualquer coisa... Mas quem precisa de um instrumento musical quando você tem uma pessoa amada entre você e seus amigos, não é mesmo? Se “Magical Mystery Tour” (álbum de mesmo nome, 1967) dos Beatles era um convite para uma “viagem”, “Master of Puppets” (álbum de mesmo nome, 1986) do Metallica era uma intimação de controle de um mestre perante o escravo. Ao se juntar os dois: “Masterful Mystery Tour”. 

Os ingleses tem “The Fool On The Hill” (“Magical Mystery Tour”). Tema sobre aqueles que se sentem sozinhos, isolados e que ninguém gosta dele, mas na verdade são os outros que são os tolos... Já o Metallica tem “Fuel” (“Reload” de 1997) que é a respeito daqueles que gostam de viver a vida no limite... O Beatallica tem “Fuel on the Hill” sobre um cara solitário que gostava de beber gasolina no alto de uma montanha... Nem só James Hetfield recebe uma excelente homenagem do Beatallica. Gleen Danzig (ex-Misfits) também é imitado com maestria pelo grupo. É muito divertido! Se Danzig tem “Am I Demon?” (“Danzig” de 1988), o Metallica tem “Am I Evil?” (na verdade, um cover do Diamond Head). Os Beatles surgem com “And I Love Her” (“A Hard Day’s Night” de 1964). Esta mistura resulta em “And I'm Evil”. 

Se os Beatles tem “Ticket To Ride” (“Help” de 1965) que conta a história de um sujeito apaixonado, porém triste ao ver a garota que tanto ama partindo feliz para outro lugar. O Metallica tem “Ride The Lightning” (“Ride The Lightning” de 1984) a respeito de um personagem morrendo em uma cadeira elétrica e contando os detalhes da situação. O que o Beatallica fez sobre? Juntou os dois, óbvio! “Everybody's Got A Ticket To Ride Except For Me And My Lightning” é sobre um metaleiro que ganha um ingresso para a cadeira elétrica... De “Rubber Soul” de 1965 vem “Run For Your Life” que fala de um homem de mente doentia que prefere ver a mulher morta que com outro. Do outro lado... Um cover de um cover. Em 1988, o Metallica lançou junto do single “Harvester Of Sorrow” a música “Breadfan” (10 anos depois a faixa foi relançada em “Garage Inc.”). Cover da banda britânica Budgie do álbum “Never Turn Your Back on a Friend” de 1973 e que fala sobre dinheiro. O resultado é “Running For Your Life”. 

O Metallica tem “The Thing That Should Not Be” (“Master of Puppets”) sobre loucura e os Beatles “Let It Be” (álbum de mesmo nome de 1970) que fala sobre esperança e fé nos momentos difíceis. Já “The Thing That Should Not Let It Be” é sobre crianças híbridas e Metal…? Na sequência, misturam “Hero of the Day” (“Load” de 1996) com “Day Tripper” (single de 1965). A primeira do Metallica fala sobre como o sucesso pode destruir a vida de uma pessoa. Já a música dos Beatles fala sobre uma prostituta. Nasce “Hero of the Day Tripper”. Se os ingleses tem “Got to Get You Into My Life” (“Revolver” de 1966) fala sobre um sujeito que saiu para passear e acabou encontrando a paixão da própria vida. Do outro lado tem os americanos falando sobre congelamento criogênico em “Trapped Under Ice” (“Ride The Lightning”). A junção dos dois dá em “Got To Get You Trapped Under Ice” que fala sobre o inferno que é ficar preso no gelo e com poucas opções de lazer, como assistir a MTV ou jogar Bananarama. 

The Frayed Ends Of Sanity” (“...And Justice For All” de 1988) é um retrato sobre a esquizofrenia. Porém, “I've Just Seen a Face” (“Help”) é a respeito de um cara apaixonado depois de um amor à primeira vista. A combinação disso é a “romântica” “I'll Just Bleed Your Face”. A penúltima faixa é “I Want To Choke Your Band”. Uma paródia da verdadeira romântica “I Want To Hold Your Hand” (“The Beatles“ de 1963). Na versão do Beatallica, “James” vocifera palavras de ódio contra as bandas de Hair Metal, como o White Lion e C.C. DeVille guitarrista do Poison. Uma clara alusão a rivalidade dos anos oitenta entre o Thrash Metal e o Hard Rock. Um ano antes, em 2008, o Metallica lançou “The Day That Never Comes” (“Death Magnetic”) que é uma música sobre os horrores da guerra. Em 1966, os Beatles lançam e adentram ao psicodelismo com “Revolver” e a última faixa daquele álbum (“Tomorrow Never Knows”) inspirou a última faixa deste álbum: “Tomorrow Never Comes”. É interessante notar a criatividade do Beatallica ao misturar a melodia de “The Day...” ao estilo psicodélico de “...Never Knows”. Apesar do Beatallica ser uma banda que trabalha misturando músicas de outras bandas é perceptível que existe uma leve evolução entre “Masterful Mystery Tour” e o antecessor “Sgt.Hetfield’s Motorbreath Pub Band”. “Masterful...” é mais fluído e as faixas soam mais naturais. Sem contar a sensibilidade da banda em fazer as melhores combinações possíveis entre as obras dos Beatles e do Metallica. 



                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.
Banda: Beatallica
Ano: 2009
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Oglio Records
Gênero: Comedy Metal (Rock/Metal)
País: Estados Unidos


quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Humor: Todo vocalista de Metalcore...


O Metalcore é o subgênero mais popular do Metal dos últimos tempos. A quantidade de bandas do estilo que nasceram nos últimos 10 anos é enorme. Porém, isso fez com que diversos estereótipos marcassem o seguimento. Pensando nisso, Jarrod Alonge analisou diversas bandas e produziu um vídeo que traz uma lista extensa das frases de efeito, além dos trejeitos e clichês dos vocalistas de Metalcore como: "Nós tocamos músicas para deixa-lo ciente que você não está sozinho",  "Não deem ouvidos a nenhuma autoridade", "Cada um de vocês precisa seguir os seus sonhos que estão dentro dos seus corações" e etc. 

Alonge é um youtuber (produtor de conteúdo para o site de vídeos YouTube) e o canal deste americano possui quase 75 mil inscritos. Alonge produz várias séries voltadas a música como "Misheads Lyrics" (brinca ao transcrever as letras da músicas só que com um sentido sexual), "Acoustic Atrocities" (dubla parodiando versões acústicas originais de bandas só que cantando de uma forma desafinada), sketchs cômicos e muitas mais com muito humor. 



Confira também a segunda versão de "Todos os vocalistas de Metalcore" abaixo, além de "Todos os vocalistas de Pop Punk" e "Todos os vocalistas de Hardcore".

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Resenha: Soulfly "Savages" (2013)


Após show em Bancoc, na Tailândia, em outubro de 2012, o baterista do Soulfly, o americano David Kinkade anunciou não só a saída da banda, mas também a aposentadoria da carreira de músico com apenas 29 anos alegando que queria estar mais próximo da família, além de tomar novos caminhos para a vida. O líder, Max Cavalara viu a chance perfeita para efetivar o próprio filho ao cargo: Zyon Cavalera (19 anos). Porém, não foi uma novidade para Zyon, já que ele já havia feito participações em outras oportunidades: “Primitive” (2000), “Omen” (2010) e “Enslaved” (2012). Max não perdeu tempo para registrar o momento em um novo álbum de estúdio. Assim, nasceu “Savages”, lançado em 4 de outubro de 2013. 

É o primeiro álbum pela gravadora Nuclear Blast depois de 16 anos na Roadrunner. A obra recebe este nome devido a uma reflexão feita por Max a respeito do mundo atual, onde os seres humanos estão trabalhando em missões a Marte ao mesmo tempo que pessoas se matam na Terra. “Ainda somos selvagens, mesmo com toda a tecnologia a nosso dispor”, afirma no site da banda. Ao lado do pai e filho, estão Marc Rizzo (guitarra) e Tony Campos (baixo). Diferentemente da predominância de Death Metal apresentado no álbum anterior a nova obra mostra um som com mais groove e moderno. 

Bloodshed” abre com muito peso e traz outro Cavalera. Igor Cavalera. Não o irmão de Max (baterista e um dos fundadores da banda Sepultura), mas o outro filho do vocalista. Esta é uma mistura de passagens mais agressivas e outras cadenciadas, além do toque tribal tradicional.  Letra sobre a violência do mundo contemporâneo: “Everywhere is bloodshed. Wasteland bloodshed. Bloodshed wasteland./ Em toda parte há derramamento de sangue. Terra devastada e derramamento de sangue. Derramamento de sangue e terra devastada.” A violência continua com o “holocausto canibal” na Thrash “Cannibal Holocaust”. Lembra algo da fase inicial do Sepultura, mas o vocal de Max está mais próximo do Death Metal. 

Mais cadenciada “Fallen” traz os vocais agressivos do convidado Jamie Hanks, vocalista da americana de Deathcore “I Declare War”. “Ayatollah of Rock ‘n’ Rolla” é uma música longa e é cadenciada. Traz como convidado Neil Fallon (The Company Band e Clutch). O groove continua em “Master of Savagery” destaque para a passagem de bateria ao final e que cria um clima sinistro interessante para a faixa. “Spiral” mostra o lado Nu Metal do Soulfly com a clara influência de Slipknot. 

This Is Violence” combina peso, melodia e um refrão contagiante para cantar junto. A letra fala sobre a humanidade sega pelo ódio, violência e falsos ídolos e que não deixa que vejamos que estamos destruindo uns aos outros e o próprio planeta: “We found a thousand ways to burn up the planet. Onwards to peace with hate in our minds. Like fucking cancer, screaming inside. Welcome to hell, consuming fire./ Encontramos mil maneiras de queimar o planeta. Caminhamos para a paz com o ódio em nossas mentes. Como a porra de um câncer, gritando por dentro. Bem-vindo ao inferno, fogo consumidor.Mitch Harris, guitarrista da banda de grindcore inglesa Napalm Death, divide os vocais com Max em “K.C.S.”. Harris tem um vocal ríspido e beira o Black Metal. 

Em seguida, “El Comegente” também tem parceria. Tony Campos, vocalista e baixista da banda Asesino, traz um vocal agressivo e em espanhol. Max troca o inglês pelo português. O contraste entre os dois vocais combinados a diferença linguística resulta em uma faixa interessante. Faixa longa, com mais de oito minutos, e que da metade em diante segue acústica e instrumental. Encerra o álbum “Soulfliktion”. Mais uma que exemplifica a rica produção em termos de elementos. A versão especial de “Savages” traz dois bônus. 

Fuck Reality” traz um Metal moderno e que não difere do restante do álbum. Refrão repetitivo, acordes distintos, toques “atmosféricos”, um solo interessante e tudo com bastante peso. A tradição de sempre haver uma faixa com o nome da banda e o número do lançamento segue com “Soulfly IX”. Instrumental, não é pesada. Pelo contrário, ela é até relaxante. É experimental. Possui elementos asiáticos e latinos. Começa e termina ao som das ondas do mar quebrando. A maioria dos fãs concordou que este é álbum é inferior ao antecessor. O motivo é o fato de “Bloodshed” ser menos direto e brutal que “Enslaved”, pois a surpresa que este causou gerou um sentimento de expectativa que não foi correspondido 100% positivamente. Mesmo assim, elogios não faltaram. “Savages” estrou no Top 200 da Billboard nos Estados Unidos (mais precisamente na 84º posição) e vendeu neste período quase 5 mil cópias. De fato, Max Cavalera mostra que é livre como artista. Sem amarras. Cada trabalho tem unicidade, seja através de convidados, integrantes fixos e, é claro, sonoridade. Esperar um novo álbum de Death Metal foi uma atitude um pouco inocente dos fãs. A “brasilidade” apresentada desde “Roots” do Sepultura em 1996 continua presente até hoje no Soulfly e somado isto a todos outros elementos torna banda impar. Mas é exatamente este Metal rico em influências que não me deixa atraído pelo Soulfly. 


Faixas (clique e ouça):
3- Fallen
6- Spiral
8- K.C.S.
11- Fuck Reality (bônus)
12- Soulfly IX (bônus


                                                                                    Opinião do autor:

Nota track by track.

Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: Soulfly
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 9
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Groove Metal
País: Estados Unidos




terça-feira, 2 de setembro de 2014

Dica de Documentário: Heavy Metal - Louder Than Life (2006)

"Eu sozinho sem baterista, baixista e guitarrista só sou mais um idiota tentando entrar no American Idol.", Ronnie James Dio. 
Dio, Black Sabbath, Thin Lizzy, Judas Priest, Motörhead, Ratt, Twisted Sister, Anthrax, Overkill, Megadeth, Korn e outras bandas, assim como produtores e jornalistas contam a história do Metal em "Heavy Metal - Louder Than Life".  Lançado em 2006 e dirigido por Dick Carruthers, o documentário aborda diversos tópicos que compõe o estilo e de maneira dinâmica. "O início com o Black Sabbth", "as características sonoras", "a importância do riff de guitarra", "as guitarras gêmeas", "o satanismo", "o Metal contra a direita americana nos anos 80", "as dificuldades em gravar em estúdio", "a importância dos shows", "o estereótipo anti autoritário", "o visual", "mídia especializada", "as mudanças sonoras dos grupos" e "as fusões do Metal com outros gêneros" são alguns dos temas abordados.

Infelizmente a primeira parte do documentário está proibida de ser assistida pelos brasileiros graças às diretrizes de direitos autorais do YouTube. Porém, o restante do documentário completo e legendado pode ser conferido nestas 11 partes de 12 abaixo:

Parte 2:


Parte 3:


Parte 4:


Parte 5:


Parte 6:


Parte 7:


Parte 8:


Parte 9:


Parte 10:


Parte 11:


Parte 12:

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

Resenha: Aerosmith "Music From Another Dimension!" (2012)


Nunca o Aerosmith ficou tanto tempo sem lançar um álbum de inéditas. Foram 11 anos de intervalo entre “Just Push Play” (2001) e “Music From Another Dimension!”, lançado em 2012. Dentro deste período, porém, a banda não ficou parada. Muita coisa aconteceu. Em 2004, o grupo homenageou as próprias influências musicais na obra “Hockin’ On Bobo”. Composta por covers de blues e uma música inédita “The Grind”. Mesmo não tendo o apelo comercial dos CDs anteriores, “Hockin’...” vendeu em um mês mais de meio milhão de cópias nos Estados Unidos e chegou a 5ª posição na Billboard. Dois anos depois, o contrato com a gravadora Sony BMG estava acabando, por isso devido à falta de material para um álbum completo de inéditas o Aerosmith lançou uma coletânea com canções de toda a carreira em “Devil's Got a New Disguise: The Very Best of Aerosmith”. Que continha também duas músicas novas: “Sedona Sunrise” e "Devil's Got a New Disguise". 

A longa carreira, os excessos e idade não perdoam ninguém. Ainda em 2006, Steve Tyler teve que se submeter a uma cirurgia na garganta. Em 2008, Tyler voltou a ser hospitalizado para uma série de cirurgias no pé. Naquele mesmo ano, Joe Perry fez uma no joelho. Porém nem tudo foram dores... O jogo de videogame Guitar Hero lançou uma versão exclusiva apenas com músicas da banda, em 2008. Os rumores de que o grupo estava produzindo um álbum de canções inéditas aumentava, mas, em 2009, uma notícia abalou os fãs. Tyler, após um acidente em show nos Estados Unidos (Steve caiu do palco), saiu do Aerosmith. Segundo algumas entrevistas, Perry estava decidido a seguir sem o vocalista original depois de tantas brigas. Porém, depois tudo foi negado e a história da saída de Steve Tyler foi rebaixada a boato. Mas outros problemas de verdade aconteceram. 

No início do ano, o guitarrista Brad Whitford foi hospitalizado, após bater a cabeça quando saia da própria Ferrari. Meses depois, a turnê pela América do Norte com o ZZ Top teve de ser cancelada, pois Steven caiu do palco durante um show na Dakota do Norte e quebrou o ombro e levou 20 pontos. Em 2011 e 2012, Steve mostrou o próprio lado crítico ao se tornar jurado do “American Idol”. Programa que busca novas estrelas da música e que no Brasil tem uma versão nacional com o nome de “Ídolos”. Ainda em 2011, o Aerosmith em turnê pela América do Sul sofreu um empecilho. No Paraguai, Steven Tyler escorreu no banheiro do hotel onde a banda estava e cortou boca, sobrancelha e perdeu dois dentes. Aos “trancos e barrancos”, a banda conseguiu produzir o novo álbum. 

O produtor escolhido foi Jack Douglas. Uma parceria antiga e de sucesso. Sucessos, aliás. Com Douglas o Aerosmith lançou “Get Your Wings” (1974), “Toys in the Attic” (1975), “Rocks” (1976) e “Draw the Line” (1977), além do ao vivo “Live! Bootleg” (1978). E depois de 26 longos anos, “Hockin’ on Bobo” (2004). Imediatamente ao ver a quantidade de faixas em “Music From Another Dimension” parece que a banda resolveu “compensar” o hiato de 11 anos de álbuns de estúdio. São 15 músicas novas. “LUV XXX” abre com uma introdução a la filme de ficção científica: “There is nothing wrong your perception of the reality. Do not attempt to adjust the illusion. We control the harmonics. We control your emotions. We will move you to the left. We will move you to the right. We can reduce the volume to a whisper. Or increase it to a deafening roar./ Não há nada de errado com sua percepção da realidade. Não tente ajustar a ilusão. Nós controlamos as harmônicas. Nós controlamos suas emoções. Vamos move-lo para a esquerda. Vamos move-lo para a direita. Podemos reduzir o volume para um sussurro. Ou aumentá-lo para um rugido ensurdecedor.” 

O Aerosmith tem poder para confirmar isso, em um Hard Rock simples e acessível. Já a seguinte traz o lado ‘Rolling Stone’ da banda: “Oh Yeah”. Ela tem um ritmo contagiante boa para “balançar os quadris”. Destaque também para a repetição do coro ‘Oh Yeah’. A letra é sobre uma paixão avassaladora: “I would die for you baby. I cry for you baby. I’m on my knees for you baby. Won’t ya please give me some of your love./ Eu morro por você, querida. Eu choro por você, querida. Fico de joelhos por você, querida. Por favor, me dê um pouco do seu amor.” Por outro lado, “Beautiful” é um pouco mais pesada, mas tem um refrão bem atmosférico. 

A primeira balada do álbum é “Tell me”. Que tem algo “Cryin’” (“Get a Grip”, de 1993), mas com um refrão chato. A letra é sobre um desejo de reconciliação, já que as coisas não são as mesmas quando não se está ao lado da pessoa amada: “I’m staring down at the page in a magazine. I looked up at the TV, but it’s just an empty screen. When we were together, I thought it was ecstasy. Oh I can tell the sun’s still shining. But shadows are all I can see. And everywhere I go. I never see a face I know. What could I say that could make you come back this way./ Eu estou olhando para a página de uma revista. Eu olhei para TV, mas ela é só uma tela vazia. Quando estávamos juntos, eu achava que era êxtase. Oh eu posso dizer que o Sol continua brilhando. Mas tudo que eu vejo são sombras. E em todo lugar que eu for. Eu sei que nunca irei ver seu rosto. O que eu poderia dizer para fazer você voltar?” 

O lado “Led Zeppelin” fica evidente no riff cheio de funk americano em “Out Go The Lights”. Uma faixa que poderia ser mais interessante se acabasse em torna dos 4 minutos ao invés da incessante repetição dos coros ‘Ooh-aa-oo yeah yeah’. Depois, “Legendary Child”, o primeiro single e que repete em parte a mesma melodia do refrão de “Out Go The Lights”. Foi apresentado pela primeira durante o American Idol, onde Tyler era o apresentador e faz parte da trilha sonora do filme “G.I. Joe: Retaliação” (2013). Essa música, na verdade, começou a ser escrita em 1991 e era trabalhada para compor o álbum “Get a Grip”, porém acabou não sendo finalizada. O riff central é bobo e o refrão é razoável. 

Após, vem mais uma balada “What Could Have Been Love” e que segue a linha de “I Don’t To Want To Miss A Thing” (single lançado e que faz parte da trilha do filme “Armageddon”, de 1998), porém sem o lado épico. Mesmo assim, é acessível, suave, memorável e radiofônica. A letra é sobre uma pessoa que perde sem perceber o amor da pessoa amada: “What could have been love. Should have been the only thing that was ever meant to be. Didn’t know, couldn’t see what was right in front of me. And now that I’m alone all. I have is emptiness that comes from being free. What could have been love will never be./ O que poderia ter sido o amor. Deveria ter sido a única coisa que estava destinada a permanecer. Não sabia, não conseguia ver o que estava bem na minha frente. E agora que estou sozinho, tudo que tenho é o vazio de estar livre. O que poderia ter sido amor nunca vai ser.” 

Já “Street Jesus” é um rock simples agitado sobre um mendigo que acaba encontrando com Jesus Cristo. Na sequência, mais uma balada.  “Can't Stop Lovin' You” conta com a participação da cantora country Carrie Underwood, por isso a faixa tem uma levada neste estilo: “Hey I can't stop loving you. Cause it's all I wanna do. Yeah the world needs more of this. Tell me what you put into that kiss, yeah. Now keep that coming on, let me hear my favorite song. Yeah you're all I wanna do. Cause I can't stop loving you./ Ei, eu não consigo parar de te amar. Porque é tudo que eu quero fazer. Sim, o mundo precisa de mais disto. Diga-me o que você colocou naquele beijo, é. Agora mantenha isso vindo, deixe-me ouvir a minha música favorita. Sim, você é tudo que eu quero fazer. Porque eu não posso parar de te amar.” 

Problemas de relacionamento é o tema de “Lover Alot”. Um rock chato simples e que não empolga. Talvez ficasse mais interessante se o Foo Fighters a tocasse: “Ah, don't you know that she loves you a lot? Why don't you know, don't you know what you got?/ Ah, você não sabe que ela te ama muito? Por que você não sabe, não sabe o que você tem?” Depois, mais uma balada! We All Fall Down”. E que também tenta reproduzir “I Don’t To Want To Miss A Thing”. Mas também, porque será? Simples. A compositora desta é a mesma da balada apocalíptica do filme de Bruce Williams. Tem um arranjo interessante, mas nada além disso. Destaque vai romântica letra de apoio: “I will catch you, never let you go. I won't let you, go through it alone. So don't feel left out, we all fall. I will lift you, high above the rain. I'll be with you, we all feel the pain. So don't feel left out, we all fall down. We all fall./ Eu te segurarei, nunca vou deixar você ir. Eu não vou deixar você passar por isso sozinha. Então não se sinta deixada de fora, todos nós erramos. Eu vou te dar um alento, muito acima da chuva. Eu vou estar com você porque todos nós sentimos dor. Então não se sinta deixada de fora, todos nós cometemos erros. Todos nós erramos.” 

Já a seguinte, “Freedom Fighter” traz o guitarrista Joe Perry nos vocais em uma música com pegada novamente mais country. Vale ressaltar a participação de Johnny Depp nos backing vocals.  O lado “Led” fica em evidência na faixa “Closer”, em uma balada monótona. “Something” tem Perry de novo no microfone. Dessa vez, há uma influência perceptível de Deep Purple, principalmente na utilização do teclado hammond no início.  O Aerosmith dá tchau ao encerrar a obra mais uma balada: “Another Last Goodbye”. Conta com acompanhamento de piano, harmonias e até agudos de Steven Tyler. A edição deluxe trás três bônus. 

Up On The Mountain” tem Tom Hamilton nos vocais… E mostra porque é baixista e Tyler o verdeiro vocalista da banda. Ele não nasceu para ocupar a posição. Não tem potência vocal ou mesmo feeling. O mesmo vale para a balada (mais uma!), agora com Perry no comando na monótona “Oasis In The Night”. A voz rouca do guitarrista soa cansada e velha. Com Steven Tyler “Sunny Side of Love” é a melhor dentre as bônus, porém também não empolga. 

11 anos... Este foi o maior hiato de lançamentos de álbuns de inéditas do Aerosmith. A expectativa sobre a nova obra era grande. Seria uma volta às raízes setentistas ou a continuação do material mais comercial na linha pós “Permanent Vacation” (1987)? A resposta certa é que “Music From Another Dimension!” é um pouco de tudo. Ao ler resenhas feitas para o álbum é perceptível como música de fato é algo extremamente subjetivo. Aqueles que gostam de baladas e do som “noventista”, gostou. Quem gosta do lado mais pesada dos primeiros álbuns gostou de algumas faixas e rejeitou o restante. No fim, a recepção de um modo geral foi em tom de “decepção”. As notas não passaram da classificação “boa”. Apesar disso, o lançamento foi sucesso em muitos países: 1º lugar no Japão, 5º nos Estados Unidos e Suíça, 6º no Canadá, 7º na Alemanha, Argentina e Itália, 11º na Suécia, 12º na Áustria, 14º no Reino Unido e Hungria, 17º na Finlândia, 18º na Espanha e etc... Só na Terra Natal foram mais de 100 mil cópias vendidas. “Legendary Child” foi o primeiro single em 11 anos a atingir o topo das paradas de sucesso americanas. A última vez que isso ocorreu foi com “Jaded” (“Just Push Play” de 2001). O Aerosmith merece respeito. Muitas bandas de Hard Rock surgiram na década de 70, mas várias não “sobreviveram”. Esta se sobressaiu não só pelo talento, mas por que soube “com uma visão” de empresa se adaptar a cada época para atender as massas. O Aerosmith é uma das maiores bandas de Rock de todos os tempos. E traz ainda aquele mítico ar de serem rockstars e que sabem fazer um grande show. E mesmo com tantos anos em atividade conseguem se manter em evidência.

Faixas (clique e ouça):
13- Closer 
16- Up On The Mountain (bônus)
17- Oasis In The Night (bônus)
18- Sunny Side Of Love (bônus)


                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.
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Nota do álbum.
Banda: Aerosmith
Ano: 2012
Álbum de estúdio nº 15
Gravadora: Columbia
Gênero: Hard Rock
País: Estados Unidos



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