sábado, 21 de setembro de 2013

Resenha - Black Sabbath "Black Sabbath" (1970)


13 de fevereiro de 1970... Esta é uma data que não pode ser menosprezada pelos fãs rock e metal. Naquela sexta-feira era lançado simplesmente a pedra fundamental para tudo aquilo que se pode classificar como rock pesado: Black Sabbath


A história da origem do Heavy Metal se confunde com a da própria banda. O mundo ocidental passava por mudanças. Os ideais hippies de “paz e amor” foram destroçados pela permanência das Guerras do Vietnam e Fria. Nem a arte era mais um porto seguro. A música também foi abalada com a morte de quatro pessoas em um show dos Rolling Stones, em dezembro de 1969. Na ocasião, 500 mil hippies foram ao festival Altamont Speedway Free Festival, na California, que contava ainda com Greatful Dead e Jefferson Airplane. A “segurança” do evento era feita pelos motoqueiros Hell Angels. Os Angels já tinham mostrado um comportamento extremamente violento com qualquer pessoa que tentasse subir ao palco. Porém, o ápice do despreparo aconteceu quando, durante a apresentação do Stones (a principal atração), um fã levou uma facada nas costas dada por um dos motoqueiros. Era o fim de uma era. 

A quente e florida São Francisco, na Califórnia, nada lembrava a fria e chuvosa Inglaterra. Talvez, esta distância tenha sido fundamental para que um novo estilo musical pudesse nascer. Birmigham era uma cidade industrial, um local onde as fumaças escuras das fábricas se misturavam com o cinzento céu inglês. Neste ambiente nada alegre, quatro rapazes entre 18 e 19 anos, em 1968, criaram uma banda chamada “Earth”. O som deles era de difícil classificar. A influência de Blues era latente, mas a forma como tocavam era algo jamais visto. Era pesado... Era agressivo... Perturbador. Definitivamente uma criação nada radiofônica à época, onde Scott McKenzie cantava sobre “pessoas gentis com flores no cabelo” em “San Francisco”. 

O vocalista era Ozzy Osbourne, que apesar da pouca idade já havia sido preso. O baixista era Geezer Butler, um sujeito que se interessava por ocultismo. O baterista era Bill Ward, tinha uma maneira desesperada de tocar. O guitarrista era Tony Iommi, que tocava com a ajuda de dedeiras de plástico, pois tinha perdido as pontas dos dedos de uma das mãos quando trabalhava cortando chapas de... metal. Para continuar na carreira, Iommi criou dedeiras de plástico e uma técnica diferente fazer os riffs para que não doesse. Estas particularidades dos integrantes, às vezes, podem ser considerados pormenores ou até defeitos que não merecessem atenção. Mas foi justamente esta combinação de elementos que influenciaram diretamente o som da banda.  

Black Sabbath é composto por 8 faixas daquilo que é uma das possíveis definições de heavy metal em si: um blues superamplificado. O álbum começa com a faixa título. A trilha perfeita para um filme de terror. O nome da banda foi escolhido, aliás, pois certo dia Ozzy e Iommi estavam ensaiando e viram que havia um filme de terror em cartaz que se chamava Black Sabbath. Perceberam que as pessoas pagavam para assistir filmes de horror, então pensaram: “Porque não fazer músicas assustadoras?”. 

A faixa número 1 tem uma introdução longa, sinistra e macabra. Já era evidente que algo no mundo do rock tinha mudado, pois ela já quebrava um paradigma secular. Tudo porque nela é utilizada o tritono, uma nota musical que causava uma natural tensão e que havia sido proibida de ser executada há séculos, pois era considerada “a nota do diabo”. A letra narra uma verdadeira história de terror: “Big black shape with eyes of fire. Telling people their desire. Satan's sitting there, he's smiling. Watches those flames get higher and higher. Oh no, no, please God help me!/ Uma grande figura negra com olhos de fogo. Dizendo às pessoas seus desejos. Satã está sentado lá, ele está sorrindo. Observem aquelas chamas crescendo cada vez mais. Oh não, não, por favor Deus me ajude!”. O “melhor” de tudo, é que a história é baseada em um fato real, segundo a banda, pois ela aconteceu com o baixista Buttler. 

Depois do diabo, vem o feiticeiro em “The Wizard”: “Evil power. Disappears. Demons Worry. When the wizard is near/ O poder do mal. Desaparece. Demônios se preocupam. Quando o feiticeiro está por perto.” Ela se inicia com um solo de gaita. Somado a este instrumento a maneira como Ward toca a bateria evidenciam as raízes blues e jazz da banda. 

Behind the wall of Sleep” tem um toque de Hendrix e se encerra com um belo solo inspirado de baixo. Em “N.I.B.” o diabo apaixonado seduz uma vítima ao som de um clássico riff e solos de Iommi: “Now I have you with me, under my power. Our love grows stronger now with every hour. Look into my eyes, you'll see who I am. My name is Lucifer, please take my hand. Oh yeah!/ Agora tenho você comigo, sob meu controle. Nosso amor se fortalece a cada hora. Olhe em meus olhos, você verá quem eu sou. Meu nome é Lúcifer, por favor, segure minha mão. Oh sim!”. 

Após, há “Evil Woman” com os primeiros segundos lembrando algo de Beatles. Ela segue em um ritmo compassado entre guitarra e baixo e fala sobre uma mulher que queria dar o “golpe da barriga”. O clima triste empregado pela voz embargada na interpretação de Ozzy e a própria melodia dão um tom pesado à introdução e ela embala a única estrofe de “Sleeping Village”. 

Em seguida, “Warning” (faixa mais longa do disco, com mais de 10 minutos de duração) que fala sobre uma dura separação amorosa. Destaque para o longo solo de Iommi. Nesta faixa, como em outras do disco, a impressão que se tem é a de que os músicos estão fazendo uma jam session (experimentando riffs e melodias de forma improvisada). Algo com muito feeling e que possui uma clara influência do blues. 

Black Sabbath termina com a afirmação de que o mundo é perverso em “Wicked World”. Um clara crítica que se mantém bastante atual: “A politician’s job they say is very high. For he has to choose who’s got to go and die. They can put a man on the moon quite easy. While people here on earth are dying of old diseases./ O trabalho de um politico, dizem, é muito gratificante. Pois ele tem de escolher quem deve ir e morrer. Eles podem pôr um homem na lua facilmente. Enquanto pessoas aqui na terra estão morrendo de velhas doença”  

No começo da carreira, a crítica especializada fez duras críticas ao Sabbath chamando-os de “bandinha barulhenta”. A mídia do rock não entendeu (e por muito tempo continuaram não entendendo) que algo novo havia nascido. O debate histórico para saber qual foi a primeira banda de metal da história é divertido, porém a resposta não é unânime. Mas existe um consenso sobre a importância do primeiro álbum do Black Sabbath. Gostem ou não da banda, ou pelo menos do álbum, o que ninguém pode é considerar este disco como nada menos do que um clássico. 

Faixas (clique e ouça):
1- Black Sabbath    
4- N.I.B.

Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota do álbum.

Banda: Black Sabbath
Ano: 1970
Gravadora: Vertigo / Warner Bros
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido
Álbum de estúdio nº 1



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