sábado, 28 de setembro de 2013

Resenha - Stone Temple Pilots "Core" (1992)


Nos Estados Unidos em 1992, o império do Hard Rock das bandas de Hair/Glam Metal já havia sido eclipsado pelas bandas do movimento grunge. Estilo com som mais pesado, introspectivo e que fugia do clima festeiro vindo de Los Angeles emergindo com força e total apoio da mídia.  


Um ano antes, o Nirvana lançou Nevermind e o Pearl Jam veio com Ten, considerado por muitos como os álbuns clássicos destas bandas. O primeiro do Stone Temple Pilots, Core, pode ser considerado o clássico da banda.  

Fundado pelo vocalista Scott Weiland, o Pilots recebeu muitas críticas negativas, no início, com a afirmação de que faziam um som muito parecido com Pearl Jam e Alice in Chains. Esta, aliás, que curiosamente lançou no mesmo dia (29 de setembro de 1992) o segundo álbum da carreira: Dirt. Composto por Weiland (vocal), os irmãos Dean e Robert DeLeo (guitarrista e baixo, respectivamente) e Eric Kretz (baterista) o S.T.P. faz um grunge com guitarras bem distorcidas e andamento arrastado, porém algumas partes são compostas de um hard rock bem pesado e há passagens em coro. No geral, este lançamento sonoramente traz um grunge tradicional aliado ao lirismo, onde o amor e o sexo são tratados de uma forma não explícita e sim poéticas. 

O álbum começa com a cadenciada “Dead & Bloated”. Já na primeira faixa, já é possível entender a toada das letras do lançamento, pois estas não são objetivas e claras. Elas abrem espaço para que cada pessoa dê uma própria interpretação a elas, já que são de um pouco difíceis de entender. Destaque para a melodia na parte: “Ohh yeah, and she says it's natural. I feel I've come of age. When she peeks I start to run. Ohh yeah, and she says it's natural./ Ohh yeah, e ela diz que isso é natural. Eu sinto, eu cheguei à maioridade. Quando ela começa a apertar, eu começo a correr. Ohh yeah, e ela diz que isso é natural.”  

Em seguida, uma das músicas mais famosas da banda: “Sex Type Thing”. Quem jogou Gran Turismo 2 (1999) a conhece, pois ela foi trilha deste famoso jogo de corrida. Com um andamento mais acelerado e com riffs, melodia e refrão que grudam na cabeça a faixa empolga e é uma das melhores do Stone Temple Pilots. 

A cadência volta com força em “Wicked Garden”. Bem grunge, com guitarra distorcida e refrão em coro. Destaque para a primeira parte do refrão: “Can you see just like a child. Can you see just what I want. Can I bring you back to life. Are you still alive./ Você pode ver assim como uma criança? Você pode ver o que eu quero? Posso te trazer de volta à vida. Você ainda está viva?” 

Após, a instrumental “No Memory” com estilo quase acústico, traz em “Sin” uma crítica a religião. No meio da faixa, há uma bela passagem acústica. O ataque a fé continua em “Naked Sunday”. O alvo em questão é, simplesmente, Jesus Cristo que aparentemente volta à Terra e acaba tendo de escutar algumas verdades: “You're the fuel to the fire. You're the weapons of war. You're the irony of justice. And the father of law./ Você é o combustível para o fogo. Você é a armas de guerra. Você é a ironia da justiça. E o pai do direito.” 

Na sequência, “Creep” é a baladinha do álbum. Com Scott cantando de forma suave (o timbre chega a lembrar um pouco Kurt Coubain), bem melódica e com refrão repetitivo ela parece com algo produzido por uma banda de hard rock, porém, para o lado grunge está presente no pós refrão com vocal dobrado: “I'm half the man I used to be. Because I feel as the dawn./ Eu sou metade do homem que costumava ser. Pois eu sinto como o amanhecer.” 

A oitava música é “Piece of Pie” e segue a linha tradicional grunge de guitarras bem distorcidas e refrão em coro.  Depois, o álbum segue com “Plush” a música mais conhecida do Stone Temple Pilots. Mais uma vez a banda marca presença em um jogo de vídeo, pois a faixa foi trilha sonora de GTA: San Andreas (2004/2005). A canção é sobre o sequestro e o assassinato de uma garota. Apesar disso, ela é mais suave, cadenciada e de melodia memorável. O grupo ganhou com “Plush” os prêmios “Best Modern Rock Track” da Billboard e “Best New Artist” no MTV Video Music Awards, em 93, e o Grammy de “Best Hard Rock Performance” em 94. Em “Wet My Bed” Scott fala a letra como se estivesse fazendo um depoimento e bêbado. 

Após, “Crackerman” que é bem hard rock. O título (“Heroína” em português) talvez explique o porque de comporem músicas com composições, às vezes, sem sentido: “Trippin' as I'm thinkin'. 'Bout a boy, his name was. Sue. He's a man, he's a man. Crackerman, crackerman. He's a woman too./ Viajo quando estou pensando. Traceja um garoto, seu nome é Sue. Ele é um homem, ele é um homem. Heroína, Heroína. Ele é uma mulher também.” Porém a cadencia do som arrastado e pesado do grunge voltam na última canção “Where the River Goes”. “Core” é considerado pela maioria dos fãs do Stone Temple Pilots como o melhor da banda. O álbum chegou a 3ª posição no ranking da Billboard em 1992.

Faixas (clique e ouça):
5- Sin
7- Creep
9- Plush
Opinião do autor:
Nota track by track. 
Nota track by track.

Nota do álbum.  

Banda: Stone Temple Pilots
Ano: 1992
Álbum de estúdio nº 1
Gravadora: Atlantic
País: Estados Unidos
Gênero: Grunge


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