sábado, 12 de outubro de 2013

Resenha - Accept "Stalingrad" (2012)


Ao se trocar o vocalista, uma banda corre o risco de que o público não aceite a nova formação, mesmo com o lançamento de álbuns novos de qualidade. Realmente, esta é uma posição delicada de ser tratada em um grupo. O novo vocalista Mark Tornillo foi muito bem aceito pelos fãs. Todos apontavam as qualidades deste novo frontman como o carisma e voz que se assemelhava com do ex-vocalista Udo. 

Em 2010, os alemães do Accept lançaram “Blood of the Nation”, considerados por muitos como o melhor álbum de metal daquele ano. Incrivelmente, é quase unânime a classificação deste com nota máxima em resenhas. O peso do Heavy Metal tradicional e a bela produção também foram destaque. De repente, o Accept estava de volta e em alto estilo com Tornillo (vocal), Wolf Hoffmann e Herman Frank (guitarras), Peter Baltes (baixo) e Stefan Schwarzmann (bateria). 

Por isso, a responsabilidade da continuidade do bom trabalho fez com a expectativa para o novo álbum fosse grande.  “Stalingrad” segue a mesma linha do antecessor e é semi conceitual. Em parte, ele trabalha em cima da Batalha de Stalingrado. Este que foi um ponto chave na virada nos rumos da 2ª Guerra Mundial. Em 1942, Adolf Hitler ordenou que as tropas alemãs invadissem a região do Cáucaso na União Soviética. Local estratégico, por causa da grande quantidade de reservas de petróleo da região. Perto da região se encontrava a cidade que levava o nome do rival de Hitler, Stalingrad de Josef Stalin. A dura disputa pelo local entre soviéticos e alemães foi uma das mais sangrentas da história e o número de mortos foi entre em torno de 2 milhões ao todo (entre soldados e civis). A vitória da U.R.S.S. nesta batalha marca uma virada importante na história, pois foi a partir dela que Alemanha nazista começou a recuar e os russos avançaram. Desde 1956 a cidade passou a se chamar Volgogrado. 

O álbum traz os mesmos elementos que marcaram a banda, ou seja, Heavy Metal pesado, com o som das guitarras gêmeas bem evidentes criando as melodias. “Stalingrad” começa com “Hung, Drawn and Quartered”. Nela Tornillo usa bastante os gritos agudos combinados ao já conhecido vocal ríspido. Destaque para as guitarras da dupla Wolf Hoffmann e Herman Frank. A faixa trata de um julgamento final de um homem. Condenado, teve uma morte bem dolorosa. A faixa título vem na sequência e traz outra marca do Accept: os coros. Na letra, o drama e as dificuldades encontradas na batalha em Stalingrad: “So hungry, so cold. But there can be no surrender. For creed and pride, take hold…/ Tão faminto, tão gelado. Mas não deve haver rendição. Por credo e orgulho, aguente...” Além disso, o hino soviético é tocado. As guitarras ressaltam a bela melodia. 

Hellfire” tem um riff energético hard rock. Na letra, a temperatura aumenta com as bombas napalm queimando tudo pela frente. O Heavy Metal veloz e agressivo volta em “Flash to Bang Time”, onde uma vítima da guerra está traumatizada pelas lembranças das explosões das bombas. Na sequência, “Shadow Soldiers” traz um Accept um pouco mais calmo. A melodia latente e melancólica lembra algo que poderia ser classificado como uma power ballad. É a faixa mais afetuosa do álbum, onde cantam em homenagem aos soldados que perderam a vida lutando pela liberdade: ”The fire remains in our hearts. All of our dreams made new. Etched in the flames of freedom. We're living on thru you./ O fogo permanece nos nossos corações. Todos os nossos sonhos renovados. Gravado nas chamas da liberdade. Nós vivemos através de você.” 

A rápida “Revolution” traz a energia condizente com a letra sobre a necessidade de que as pessoas se levantem para lutarem pela revolução em prol de direitos iguais. Conscientização metálica! A “marcha libertadora” prossegue com “Against the World”, com um dos refrãos mais memoráveis do álbum: “So this is the way it must be it's us against the world. All inhibition set free us against the world. Into the fire we're hurled lt's us us against the world./ Portanto, este é o caminho que deve ser, somos nós contra o mundo. Toda inibição nos liberta contra o mundo. Dentro do fogo nós estamos lançados, somos nós contra o mundo.” 

Em “Twist of Fate” Mark Tornillo transita entre vocais mais graves e o tradicional mais rasgado. Na motivacional e veloz “The Quick and the Dead”, o Accept fala que se deve ter iniciativa e força para se obter o que deseja, pois só há dois tipo de pessoas: os vivos e os mortos. A conhecida frase “o que não nos mato nos fortalece” está presente em “Never Forget”, faixa bônus. Nela uma vítima desfigurada pelas batalhas se mostra ainda atormentada pelas tragédias vividas na guerra. Destaque para o riff e letra no trecho: “Right now I tell you. The point of your knife no longer pierces my kind. Hear what I say. What doesn't kill me makes me stronger in time./ Agora eu te digo. O ponto de sua faca já não perfura meu corpo. Ouça o que eu digo. O que não me mata me torna mais forte com o tempo”. 

O álbum é finalizado com a pesada “The Galley”, onde é contado o sofrimento de um escravo. Acorrentado e chicoteado, não há visão de futuro. A única maneira de se chegar à liberdade é através da morte. Próximo ao final da canção, a faixa sede o peso para um melancólica melodia quase acústica. No lançamento, novamente o Accept trabalhou com o produtor Andy Sneap. Além do último álbum da banda (“Blood of Nations” de 2010), Sneap já produziu recentemente Arch Enemy, Testament e Killswitch Engage. “Stalingrad” varia entre velocidade e cadência. O som das guitarras está latente o tempo todo e são bem melódicas, como de costume. Este tema de luta é pertinente e a forma como ela é abordada é muito interessante. Destaque para o cuidado com os detalhes para climatização nas músicas sobre a 2ª Guerra Mundial ao utilizarem sirenes e o hino da União Soviética, por exemplo. Apesar do peso lírico e sonoro, há um certo tom motivacional e que é condizente com as mudanças necessárias no mundo, vide o Brasil em 2013.

Faixas (clique e ouça):
10- Never Forget (faixa bônus)
11- The Galley


Opinião do autor:
Nota track by track. 

Nota track by track. 


Nota do álbum. 


Banda: Accept
Ano: 2012
Álbum de estúdio nº 13
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Heavy Metal
País: Alemanha



0 comentários:

Postar um comentário

Google+ Twitter RSS Facebook