sábado, 5 de outubro de 2013

Resenha - Saxon "Sacrifice" (2013)


O Saxon é incansável. São 37 anos na estrada e sem intervalos. Sacrifice é o 20º álbum de estúdio dos ingleses, ou seja, a média é superior a 1 lançamento a cada 2 anos! Obviamente, a banda passou por altos e baixos ao longo da carreira com discos dividindo opiniões como o último “Call to Arms” (2011), onde optaram por fazer um som mais próximo do hard rock e rock n’ roll. 


Ou seja, veteranos ou iniciantes, quem vive de música sempre enfrenta batalhas na luta pelo que amam fazer. A excelente “Stand Up and Fight” é bem clara sobre isso. Ela inicia com um solo virtuoso para depois ser substituído por um riff empolgante. A melodia do refrão soa como algo que você já deve ter escutado antes, mas mesmo assim a qualidade é evidente. Você não consegue tirá-la da cabeça: “You got to fight. For all that you believe in. You’ve got to fight. It’s you against the world. Stand up and fight.../Você tem que lutar. Por tudo aquilo que você acredita. É você contra o mundo. Levante e lute...”. 

É nesse âmbito lírico que álbum segue. São os sacrifícios que as pessoas comentem ao batalharem por algo. A formação é a mesma desde o álbum The Inner Sanctum (2007) e conta com Biff Byford (vocal), Paul Quinn e Doug Scarratt (guitarras), Nibbs Carter (baixo) e Nigel Glockler (bateria). Em um primeiro momento, a capa do disco engana. Feita por Paul R. Gregory (já trabalhou com bandas como: Dio, Blind Guardian e Freedom Call), ela mostra um calendário maia, porém o lançamento não fica preso ao tema “fim do mundo” ou sacrifícios humanos para o deus sol. De forma inteligente, a banda usou esse assunto em alta como um gancho para o disco. Sacrifice inicia com uma introdução instrumental “Procession”. Ela tem um clima envolvente. Os sons de animais junto à sonoridade dramática transportam o ouvinte para uma floresta na América Central. É como se estivéssemos nos aproximando de um templo indígena. Esta faixa poderia ser muito bem trilha para algum filme épico. 

Em seguida, é a vez da faixa título. O tema sacrifício maia é então retratado em prol dos deuses: “Hail to the gods, The bringers of fortune. Worship the sun, The giver of light. Follow the steps, that lead you to heaven. Sacrifice waits for your beating heart./ Salve os deuses, os portadores da fortuna. Adore o sol, o doador da luz. Siga os passos, que levam você para o céu. O sacrifício espera pelo seu coração pulsando.” A música ganhou videoclipe e merece destaque pelo riffs empolgantes criados pela dupla de guitarristas Paul Quinn e Doug Scarratt, isso evidencia o fato que o Saxon está mais pesado e agressivo. Outro ponto positivo é o agudo dado pelo vocalista Biff Byford dá na última estrofe mesmo já aos 62 anos.

Em “Made in Belfast” a banda utiliza um bandolim para contrastar com os ótimos riffs de guitarra. O tema é a construção dos maiores navios do mundo na capital da Irlanda do Norte. “Warrior of the Road” começa com o som de um carro Fórmula 1 e é uma homenagem não só a modalidade como um todo, mas também em especial ao ídolo nacional brasileiro na categoria Ayrton Senna. Esta música é veloz e tem um refrão de melodia grudenta. 

Na sequência, “Guardians of the Tomb” segue a mesma linha das anteriores, ou seja, riff bem evidente acelerado e refrão em destaque, porém com momentos mais calmos. A letra é a respeito do Exército de terracota, na China, por isso há passagens com elementos musicais orientais. Depois vem a já citada no começo do texto “Stand up and Fight” com uma melodia no refrão um tanto quanto manjada e que faz com esta faixa seja a mais grudenta do álbum. 

Após várias faixas velozes, a cadenciada “Walking the Steel” retrata a reconstrução do World Trade Center. Após, “Night of the Wolf” também segue a linha menos acelerada também, porém tem refrão bem em destaque e com riff palhetado. A penúltima faixa é sobre guerra. “Wheels of Terror” retrata o “blitzkrieg”, uma manobra surpresa aplicada pelo exército alemão na 2ª Guerra Mundial. Os nazistas usavam esta tática de ataque que era composta pela força bruta e a rapidez utilizando soldados, tanques e aviões em ação conjunta. Sempre aplicada em espaços pequenos ela não só surpreendia os adversários como também os humilhava. Esta estratégia foi útil para o crescimento da Alemanha de Hitler. O som é pesado, porém tem solo mais rápido muito bom e melódico. 

Conclui o lançamento, depois de recortes mais sérios, a Hard Rock “Standing in a Queue” falando da simples inconveniência de se esperar em uma fila. A produção do disco ficou a cargo do vocalista Biff e experiente Andy Sneap (já trabalhou com Arch Enemy, Exodus e Kreator). Sacrifice é um álbum excelente, pois traz uma banda que sabe fazer desde um heavy metal tradicional mais rápido até algo mais cadenciado, além de ser criativa ao fazer a ponte entre o passado e o presente, e indo do México ao Oriente passando pela ilha da Irlanda com diferentes abordagens sobre um mesmo tema: o sacrifício. Porém, ao mesmo tempo, é uma situação irônica, já que o Saxon mostra, mais uma vez, que não sofre nem um pouco para produzir música de qualidade.

Faixas (clique e ouça):
1- Procession
10- Standing in a Queue


Opinião do autor:
Nota track by track. 

Nota track by track. 

Nota do álbum.
Banda: Saxon
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 20
Gravadora: UDR
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido




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