sábado, 23 de novembro de 2013

Resenha - Iron Maiden "Iron Maiden" (1980)


O inglês Steve Harris queria ser baterista. Porém como morava em uma casa pequena, teve de escolher outro instrumento. Assim, em 1971, comprou um baixo. Paralelo ao trabalho de desenhista arquitetônico e ao sonho de ser jogador de futebol (pelo West Ham, o time de coração), Harris aprendia a tocar de forma autodidata. Depois de passar por algumas bandas, decidiu no natal de 1975 que iria montar o próprio grupo. O nome da banda era: Iron Maiden. Inspirado no aparelho de tortura medieval (uma espécie de caixão revestido de espetos que não feria a vítima mortalmente) e que pode ser visto no filme “O Homem da Máscara de Ferro” (1939). Depois de várias trocas de integrantes, o Maiden se firmou em 1978 com Steve Harris (baixo), Dave Muray (guitarra), Doug Sampson (bateria) e Paul Di’anno (vocal). 

Na época, o mundo (especialmente a Inglaterra) ainda sentia a reverberação causada pela recente revolução cultural causada pelo movimento Punk. Deste modo, todos acabaram afetados. As novas bandas de Metal, por exemplo, começaram a produzir o próprio material de merchandising (como criar as próprias camisetas pintando-as eles mesmos) e gravando demo-tapes de forma independente. Tudo com dinheiro tirado do próprio bolso. Sendo assim, o Iron Maiden gravou a primeira demo na semana do réveillon de 78. 

Como não tinham mais dinheiro para a edição do material resolveram esperar alguns dias para juntar o restante do pagamento. Porém, ocorre um “pequeno” problema. Ao retornarem ao estúdio para finalizarem o projeto, o Iron descobre que o estúdio gravou as músicas de outras bandas em cima do material bruto deles. Felizmente, antes disso, 5 mil cópias do conteúdo sem edição já havia sido produzidas. A banda decide, então, levar uma cópia da fita a um Dj de um club. Ele gostou do que ouviu e o Iron Maiden acabou sendo a mais pedida das noites de Heavy Metal. O sucesso no underground de Londres chamou a atenção do empresário Rod Smallwood da EMI. Que, a partir daí, começou a trabalhar com o Maiden. 

O primeiro registro em vinil da banda está na coletânea “Metal for muthas” de 1979, que contava com a participação de várias bandas e que iriam desaparecer em breve. A fama do Iron Maiden cresceu e algumas mudanças aconteceram, como a entrada do segundo guitarrista Dennis Straton e a de Clive Burr na bateria, além, é claro, de não terem se “convertido” ao Punk. A capa de “Iron Maiden” serve como exemplo. Ela trazia um zumbi cadavérico e cabeludo que foi apelidado carinhosamente de “Eddie”. Mas este já existia de outra forma. O  Iron sempre gostou de preparar palcos bem produzidos e Eddie fazia parte do espetáculo como um boneco composto apenas por uma cabeça feita de papel machê e que cuspia sangue falso e fumaça de gelo seco. A ideia de usar essa criatura vem de uma piada inglesa sob um garoto que nasceu apenas com a cabeça. Depois de muito tempo, os pais dele finalmente conseguem arranjar um corpo completo para juntar com a cabeça do filho. Então, eles entram no quarto do menino e dizem a notícia, sorridentes: “Filho, temos uma surpresa para você!” E o filho com uma voz de chateação responde: “Ah, não, outro chapéu!?” 

A figura da capa, porém, tem outra origem. O desenho já existia antes de ser utilizado no debut da banda de Heavy Metal. O criador foi o desenhista Derek Riggs. A ideia surgiu sem propósito e ao personagem foi dado o nome de “Electric Matthew”. Porém, como era o final dos anos 70, “Matthew” tinha uma aparência Punk com cabelo espetado e cor de laranja. Para estampar o primeiro lançamento da banda de Steve Harris, Riggs precisou “converter” “Eletric” ao Metal colocando-o mais cabelo, nascia o carismático e mundialmente conhecido “Eddie”. O logo da banda, porém, foi criado pelo próprio Harris. A estreia oficial veio em Abril de 1980. 

A primeira faixa é “Prowler”. Na letra, Paul Di’Anno descreve a vida de um vagabundo andando pelas ruas e apreciando as prostitutas. Walking through the city, looking oh so pretty, I've just got to find my way. See the ladies flashing. All there legs and lashes. I've just got to find my way./ Andando pela cidade, parecendo tão bonito. Apenas tenho de achar meu caminho. Veja garotas brilhando. Todas aquelas pernas e cílios. Apenas tenho de achar meu caminho.” Um riff memorável, uma sonoridade melódica em um som rápido. Na sequência, “Remember Tomorrow”. De clima soturno, mostra o gosto pelo Rock Progressivo do líder Steve Harris devido à variação entre o clima denso e o agitado. Destaco a parte mais rápida. 

Em “Running Free”, a música começa evidenciando a “cozinha” (baixo e bateria) do grupo. Entre belos riffs crus, Di’Anno canta a própria biografia: “Out of money, out of luck. I've got nowhere to call my own, Hit the gas, and here I go./ Sem dinheiro,sem sorte. Não tenho lugar pra chamar de meu, Pé na tábua, e lá vou eu.” A 4ª faixa é “Phantom of the Opera”. A favorita de Harris. Sendo assim, ela é mais progressiva e rica, cheia de mudanças de andamento. Depois a instrumental e melódica “Transylvania”. Após, há quase balada “Strange World”. Na primeira versão do álbum, Steve Harris preferiu não lançar a música “Sanctuary”. Inicialmente, ele queria que ela fosse um single lançada separadamente... Porém, pouco depois, se arrependeu da ideia e a partir dai todas as versões de “Iron Maiden” traziam-na. 

A capa de “Sanctuary” causou polêmica, pois trazia uma caricatura da primeira ministra britânica a época, Margareth Thatcher, sendo atacada pelo mascote da banda em um beco. “Charlotte the Harlot” foi composta pelo guitarrista Dave Murray e, segundo ele, narra a história verídica de uma prostituta: “Charlotte the Harlot show me your legs, Charlotte the Harlot take me to bed. Charlotte the Harlot let me see blood, Charlotte the Harlot let me see love./ Charlotte a Prostituta mostre-me suas pernas. Charlotte a Prostituta leve-me para a cama. Charlotte a Prostituta deixe-me ver sangue. Charlotte a Prostituta deixe-me ver amor.” 

A banda estreou com um som mais simples do que aquele que viria a caracterizar o Maiden no futuro. Por isso, de certo modo, ele destoa do restante da discografia. Segundo os integrantes, este estilo foi proposital. A “culpa” seria do produtor Will Malone não entendia de Metal. “Iron Maiden” foi muito bem recebido por público e crítica. Jornalistas especializados estavam empolgados com a ascensão de vários novos grupos de Metal ao mesmo tempo. A imprensa apelidou este “movimento” com a sigla “N.W.O.B.H.M.” (“New Wave of British Heavy Metal”, em português “A Nova Era do Heavy Metal Britânico”), mas história é um capítulo a parte... Graças ao álbum, o Iron fez turnê pela Inglaterra abrindo os shows do Kiss. O disco está na lista do livro “1.001 álbuns que você precisa ouvir antes de morrer”. Encerra o lançamento, a curta, crua e energética música com o mesmo nome da banda: “Iron Maiden” com o profético refrão: “Oh Well, wherever. Wherever you are. Iron Maiden's gonna get you. No matter how far.../ Bem, em qualquer lugar. Onde quer que você esteja. A donzela de ferro vai te pegar. Não importa quão longe...”. 

Faixas (clique e ouça):
1- Prowler   

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Iron Maiden
Ano: 1980
Álbum de estúdio nº 1
Gravadora: EMI
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido


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