quarta-feira, 5 de março de 2014

Resenha - Black Sabbath "Master Of Reality" (1971)


Depois de uma tragada, vem à tosse. E é com ela que começa o terceiro álbum do Black Sabbath “Master of Reality”. A primeira faixa e single “Sweat leaf” é uma declaração de amor: “My life was empty, forever on a down, Until you took me, showed me around. My life is free now, my life is clear.../ Minha vida estava vazia, eternamente deprimente. Até que você me pegou, e me mostrou o arredor. Minha vida agora está livre, minha vida está clara...” Porém essa paixão não está direcionada a uma pessoa... e sim a maconha!: “...I love you sweet leaf though you can't hear. Oh yeah!/ Eu te amo erva doce, apesar de não poder me ouvir. Oh yeah!” 

Novamente, Ozzy Osbourne (vocal), Tony Iommi (guitarrista), Geezer Buttler (baixo) e Bill Ward (bateria) trazem o clima denso dos primeiros álbuns, só que com uma sonoridade um pouco mais acelerada. Se a abertura do lançamento poderia deixar os conservadores com raiva, a sequência tenta amenizar a situação com “After Forever”. O Sabbath em busca de refutar o rótulo de satanistas constrói uma canção de cunho cristão: “Perhaps you'll think before you say that God is dead and gone. Open your eyes, just realize that he's the one. The only one who can save you now from all this sin and hate…/ Talvez você pensará antes de dizer que Deus está morto. Abra seus olhos, apenas perceba que ele é o único. O único que pode te salvar agora de todo esse pecado e ódio...” 

A sequência vem a uma curta faixa acústica instrumental “Embryo”. Ela serve introdução para uma das canções mais conhecidas do Sabbath: “Children of the Grave”. A introdução gera uma sensação natural de algo grande pesado está por vir, pois ela tem uma melodia crescente. A letra ressalta a importância das crianças. Futuro e esperança da humanidade. Destaque ainda para o riff cavalgado empolgante e o encerramento sombrio à la filme de terror, como Sexta-Feira 13. Depois, mais uma faixa acústica. 

Em “Orchid”, Iommy mostra mais uma vez a própria qualidade técnica em uma bela melodia cativante no violão. Simples, calma e memorável. Já na faixa “Lord of the World” a temática cristã volta. Ela fala sobre a ganância, arrogância e as escolhas erradas. A música encerra-se com um solo de guitarra, porém o que chama a atenção é a performance de Geerzer. A forma como a guitarra “se casa” com o baixo é muito interessante. “Solitude” traz uma triste e lenta melodia que combinam com os versos deprimidos de alguém que foi abandono apaixonado: “Nothing can please me only thoughts are of you. You just left when I begged you to stay. I've not stopped crying since you went away./ Nada me satisfaz, a não ser pensar em você. Você simplesmente foi embora quando lhe implorei que ficasse. Eu não parei de chorar desde que você partiu”. 

Tony Iommi em “Into the Void” apresenta mais um riff memorável. O conteúdo da última faixa, porém é pessimista. Nela o Sabbath não vê mais futuro no planeta Terra repleto de ódio, poluição e destruição onde não resta outra alternativa se não fugir: ”Leave the earth to Satan and his slaves. Leave them to their future in the grave. Make a home where love is there to stay. Peace and happiness in every day./ Deixe a terra para Satanás e seus escravos. Deixe-os ao seu futuro na sepultura. Faça um lar onde o amor esteja lá para ficar. Paz e felicidade todos os dias.” 

Esta foi o terceiro e último lançamento em parceria com o produtor Rodger Bain. Só nos Estados Unidos, o álbum vendeu 2 milhões de cópias e chegou ao Top 10 das paradas de sucesso. No Reino Unido a recepção foi ainda melhor, pois alcançou a 5ª colocação. Porém, mais uma vez a recepção da crítica jornalística foi negativa. Muito apontaram “Master of Reality” como “monótono”. A opinião da imprensa só mudou com o tempo. A mesma revista Rolling Stone que fez esta acusação colocou-o, no início dos anos 2000, na lista dos 500 Melhores Álbuns de Todos os Tempos. Ficou na posição 300.  A importância de “Master” é visível, vide os vários covers que foram feitos para faixas como: “After Forever” (Biohazard), “Solitude” (Cathedral) e “Children of the Grave” (White Zombie), por exemplo. “Master of Reality” encerra a primeira fase da era Ozzy no Sabbath. Esta trinca completada por “Black Sabbath (1970) e “Paranoid” (1970) apresentava um Black Sabbath fazendo um som pesado e arrastado e que serviu para a criação de todo o gênero Heavy Metal como um todo, mas especialmente o subgênero Doom Metal. A partir daí Iommi, Osbourne, Buttler e Ward começaram a experimentar outras sonoridades. 


Faixas (clique e ouça):
1- Sweet Leaf   
3- Embryo
5- Orchid

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota do álbum.

Banda: Black Sabbath
Ano: 1971
Álbum de estúdio nº 3
Gravadora: Vertigo / Warner Bros.
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido



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