sábado, 10 de maio de 2014

Resenha - Black Sabbath "Vol. 4" (1972)


Changes”… “Mudanças”, em português. O nome da terceira faixa do álbum “Vol.4” do Black Sabbath sintetizava a fase que a banda estava passando. Realmente o grupo estava se modificando. Calma, com Ozzy cantando ao som de um piano e teclado, a própria “Changes” evidencia isso.  O Sabbath de Bill Ward (bateria), Geezer Butler (baixo), Ozzy Osbourne (vocal) e Tony Iommi (guitarra) buscava novos elementos e neste lançamento trouxeram uma sonoridade menos “dark” e mais melodiosa e progressiva (o Rock Progressivo estava em alta à época) comparado aos antecessores. O problema é que a criatividade contida na obra provavelmente teve as drogas como combustível. Já sendo um dos maiores grupos de rock pesado da década de 70, álcool, cocaína e afins não faltavam. Aliado isso a brigas internas, as coisas começavam a sair do controle. 

A primeira faixa é “Wheels of Confusion”. Que logo se inicia com Iommi trazendo uma triste melodia, mas cativante. Música longa, de mais de 8 minutos. Destaque para as mudanças de tempo e para o solo de Tony Iommi. Letra sobre o fato das dificuldades que a vida traz quando se fica mais velho e se percebe que esta não é o conto de fadas que se imaginava. Long ago I wandered through my mind. In the land of fairy tales and stories. Lost in happiness I had no fears. Innocence and love was all I knew. Was it illusion?/ Há muito tempo atrás eu vagueava em minha mente na terra de contos de fadas e histórias. Perdido na felicidade eu não tinha medo algum inocência e amor era tudo que eu sabia. Isto era ilusão?” 

Em seguida, “Tomorrow’s Dream”. Uma música mais simples e direta. Ela mostra que a banda estava seguindo uma linha menos “dark”. O Sabbath também mostrava nas letras que estavam mudando. Aparentemente havia um sentimento de esperança para um novo recomeço: “When sadness fills my days. It's time to turn away. And then tomorrow's dreams. Become reality to me./ Quando a tristeza inunda os meus dias. É hora de me mandar. E então os sonhos do amanhã. Tornam-se realidade para mim.” A síntese da nova era que estava se iniciando é exemplificada em “Changes”. Uma música que mantém um ambiente denso, porém sonoramente é uma leve balada ao piano (que é tocado por Don Airey) e que tem uma bela melodia. A letra também é atípica e cheia do sentimento de dor causado pelo final de um relacionamento: “It took so long, to realize. And I can still hear her last goodbye. Now all my days, are filled with tears. Wish I could go back, and change these years. I'm going through changes. I'm going through changes./ Levou tanto tempo, para eu perceber. Ainda posso ouvir seu último adeus. Agora, todos os meus dias, são preenchidos por lágrimas. Desejaria poder voltar, e mudar aqueles anos. Estou passando por mudanças. Estou passando por mudanças.” É, definitivamente, uma das melhores do álbum. Em seguida, vem a estranha instrumental “FX”. Ela poderia ser a trilha de filme de terror, porém a ideia não era essa. Composta por efeitos estranhos na guitarra, ela foi “composta” quando o grupo estava sob o efeito de haxixe e serve de introdução. 

Supernaut” mostra uma influência de Hendrix na guitarra de Iommi, além de toques de Jazz (bateria de Ward) e música latina. A faixa número 7 é “Snowblind”. Uma metáfora sobre a cocaína (haxixe... cocaína... Deu para entender como estava a situação da banda em 72, não é?) e que seria o nome do álbum, mas a gravadora “surpreendentemente” vetou a ideia. Mais cadenciada, destaques para os riffs e as viradas de Bill Ward. A letra fala sobre os efeitos da droga: “Things that don't come easily. Feeling happy in my vein. Icicles within my brain. (cocaine)./ Coisas que não vêm facilmente. Um sentimento feliz em minha veia. Estalactites em meu cérebro. (Cocaína).” 

Já “Cornucopia” tem uma introdução que remete ao peso do primeiro álbum da banda. Vele destacar que no meio da música existe pequeno trecho de um riff bem destorcido onde apenas o que se ouve é a guitarra de Tony Ioomi. O timbre é muito semelhante com que seria utilizado pelas bandas de Black Metal da segunda geração nos anos 90. O Sabbath realmente estava experimentando mais. Novamente, trouxeram uma balada acústica: “Laguna Sunrise”. Instrumental, ao violão com um bela harmonia. Pode-se dizer que existe algo de “Zeppelin” nela. 

Após, o rock simples e animado de “St. Vitus Dance”. Música com letra sobre um conselho de amigo: “If I were you I'd try again and try to make amends. She only thinks of you, you know. I'm talking as a friend./ Se eu fosse você eu tentaria de novo e tentar fazer as pazes. Ela só pensa em você, você sabe que eu estou falando como amigo.Por fim, “Under the Sun/Every Day Comes and Goes”. Ela trás o peso e o lado sombrio dos os lançamentos antecessores do Sabbath. Destaque para a bela e triste melodia ao final. Esta trás uma das melhores letras. É sobre o fato de você dever confiar mais em si mesmo e menos em profetas (leia-se padres e pastores) te dizendo sobre divindades e afins: “Well, I don't want no Jesus freak to tell me what it's all about... Well, I don't want no preacher telling me about the god in the sky… So believe what I tell you, it's the only way to fight in the end. Just believe in yourself, you know you really shouldn't have to pretend. Don't let those empty people try and interfere with your mind. Just live your life and leave them all behind./ Bem, eu não quero nenhum Jesus esquisito me falando sobre como tudo deve ser... Bem, eu não quero nenhum Pregador me falando sobre o Deus do Céu... Então, acredite no que eu lhe digo, é o único jeito de lutar no fim. Só acredite em você mesmo, você sabe que você realmente não devia ter que fingir. Não deixe aquelas pessoas vazias interferirem na sua mente. Apenas viva sua vida e deixe-os todos para trás.” Seria um “Metal ateu”? Termina com um belo solo de Iommi. 

Os críticos continuavam detestando o Sabbath, porém é considero o melhor da banda, segundo vários fãs. Particularmente as experimentações não me atraíram. Combinado ao aumento do consumo de drogas e o sucesso fez com que as brigas internas se intensificassem... A semente da discórdia havia sido plantada entre os integrantes. 

Faixas (clique e ouça):
3- Changes
4- FX
8- Laguna Sunrise
9- St. Vitus Dance
10- Under the Sun/Every Day Comes and Goes

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota track by track.
Nota do álbum.


Banda: Black Sabbath
Ano: 1972
Álbum de estúdio nº 4
Gravadora: Vertigo / Warner Brothers
Gênero: Heavy Metal
País: Reino Unido



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