quarta-feira, 21 de maio de 2014

Resenha: Bring Me The Horizon "Sempiternal" (2013)


O tempo passa… E as coisas mudam. Entre 2006 e 2009, o Nu Metal foi eclipsado facilmente pelos “CORE’s”: Deathcore e, principalmente, o Metalcore, no mundo do Metal. Nasceram gravadoras especializadas no gênero, o estilo de se vestir virou moda e nasceram muitas bandas. Algumas com originalidade e outras apenas copiando fórmulas pré-estabelecidas. O Bring Me The Horizon fez parte deste “pioneirismo”, mas, seguindo a mentalidade do Metallica, preferiu ultrapassar as fronteiras dos rótulos. Se “Count Your Blessings” (2006) é um pesado Deathcore, “Suicide Season” (2008) é Metalcore. Ainda com breakdowns e screamos, porém mais melódico. O último lançamento “There Is a Hell, Believe Me I've Seen It. There Is a Heaven, Let's Keep It a Secret” (2010) é agressivo sim, mas evidenciou as mudanças na sonoridade da banda de uma maneira latente. O Bring Me The Horizon estava se transformando. Era um hibrido entre o que era e o que viria a ser em “Sempiternal” lançado em 1º de Abril de 2013.  

O estilo agora é totalmente alternativo. Uma mistura de ambientações climáticas de efeitos eletrônicos aliados ao peso do Metal em breakdowns. Os vocais screamos foram extintos. A formação já mostra a nova identidade do grupo. Ao invés de dois guitarristas, apenas um permanece e a outra vaga é preenchida por um tecladista. Os integrantes que gravaram a obra foram: Lee Malia (guitarrista), Jordan Fish (teclado),  Matt Kean (baixo), Matt Nichols (bateria) e Oliver Sykes (vocal). “Sempiternal” é homogêneo. Todas as faixas seguem a mesma linha. A capa traz “A flor da vida” e que simboliza a eternidade. Aliás, “sempiternal” é um termo oriundo da palavra em latim “sempiternus” e que significa eterno. 

A primeira faixa é “Can You Feel My Heart”. De imediato os sons eletrônicos abrem a música e é incrível imaginar que esta é a mesma banda que gravou “Pray For Plagues”. Oliver usa um vocal bem limpo, mas com bastante emoção. A ideia é passar sofrimento. Algo bem diferente da fúria dos primeiros álbuns. O refrão gruda na mente. A letra faz perguntas incessantemente. Soa como uma carta de despedida devido a um grande sofrimento imbuindo a um sentimento de invisibilidade: “I'm scared to get close and I hate being alone. I long for that feeling to not feel at all. The higher I get, the lower I'll sink. I can't drown my demons, they know how to swim./ Tenho medo de me aproximar e odeio estar só. Anseio por aquele sentimento de não sentir nada. Quanto mais alto me elevo, mais baixo afundarei. Não posso afogar meus demônios, eles sabem nadar.” 

O lado mais “Hardcore” volta em “The House of Wolves” e com direito a bons breakdowns.  A letra é um ataque a padres e pastores ao dizer que estes são como lobos hipócritas gananciosos e que vendem a ideia de vida no paraíso: “When you die, the only kingdom you'll see. Is 2 foot wide and 6 foot deep./ Então quando você morrer, o único reino que você vai ver. É 2 pés de largura e seis pés de profundidade.” Na sequência, “Empire (Let Them Sing)” mantém o peso, mesmo sem screamos, em uma música pesada e de refrão grudento. Já “Sleepwalking” tem um sonoridade mais leve e com toques eletrônicos. Oliver canta com muito sentimento em uma letra que pode ser interpretada como a ideia de desorientação em meio ao caos das cobranças impostas pela vida: “Your eyes are swallowing me. Mirrors start to whisper. Shadows start to sing. My skin's smothering me. Help me find a way to breathe./ Seus olhos estão me engolindo. Espelhos começam a sussurrar. Sombras começam a cantar. Minha pele está me sufocando. Ajude-me a achar um jeito de respirar.” 

Depois, “Go To Hell, for Heaven’s Sake” de boa harmonia e refrão. A letra é um desabafo raivoso: “I'm burning down every bridge we made. I'll watch you choke on the hearts you break. I'm bleeding out every word you said. Go to hell for heaven's sake./ Estou queimando todas as pontes que fizemos. Eu vou assistir você engasgar com os corações que você quebra. Estou sangrando a cada palavra que você disse. Vá para o inferno, pelo amor de Deus.” A melhor do álbum, porém, é “Shadow Moses”. É a mais pesada do álbum e tem excelentes breakdowns que remetem a era Metalcore da banda. Aqui o som mais atmosférico fica restrito ao refrão que é novamente memorável. And The Snakes Start To Sing” é densa e lenta. Bem climática. 

É incrível perceber a diferença do novo Bring Me The Horizon com o que eles faziam no início de carreira. “Seen It All Before” segue a mesma linha, mas com um refrão bem em destaque. A letra pode ser entendida como a tentativa dolorosa de salvar um relacionamento fadado ao fracasso: “I'm sorry, no, it's not enough. We shouldn't feel a love so painfully. It hurts right to the touch. I know it stings, I know this cuts. And I wish I could agree with you. But fuck this love, it's not enough./ Sinto muito, não, não é o suficiente. Não devemos sentir um amor tão dolorosamente. Isso dói direto ao toque. Eu sei que arde, eu sei que isso corta. E eu queria concordar com você. Mas foda-se esse amor, isso não é suficiente.” 

Já “Antivist” traz um pouco do peso do início da carreira, mas sem os screamos. Porém os breakdowns estão lá. O conteúdo lírico é agressivo e questionador. E provoca as pessoas ao afirmar que não existe “revolução pacífica” e que todos devem levar e lutar para não aceitarem tudo goela abaixo: “There will be no peaceful revolution. No war without blood. You can say I'm just a fool, that stands for nothing. Well, to that. I say you're a cunt./ Não haverá revolução pacífica. Nenhuma guerra sem sangue. Você pode dizer que eu sou apenas um idiota que não se impõe por nada. Bem, por isso. Eu digo que você é uma puta.” 

Depois “Crooked Young” traz o “Metal Ateu” em uma música pesada e com belas harmonias: “Believe in no one. But yourself. The faceless won't save you. The clouds won't hear your fucking prayers… Fuck your faith, fuck your faith./ Não acredite em ninguém. Exceto em você mesmo. O sem face não salvará você. As nuvens não ouvirão a porra das suas orações... Foda-se a sua fé, foda-se a sua fé.” Apesar de ter uma bela melodia no início “Hospital for Souls”, não empolga, porém merece destaque pela letra: “Everybody wants to go to Heaven. But nobody wants to die. I can't fear death no longer. I've died a thousand times./ Todo mundo quer ir para o céu. Mas ninguém quer morrer. Eu não posso temer a morte, não mais. Eu já morri milhares de vezes.” 

A versão do álbum com bônus traz três faixas. Chasing Rainbows” é morna. O oposto energética “Join the Club” tem um refrão interessante grudento, repetitivo e deve empolgar o público ao vivo para cantar junto. Já “Deathbeds” é mais calma, lenta e densa. Quase uma balada. De boa melodia e atmosfera. A letra é sobre paixão: “That little kiss you stole, it held my heart and soul. And like a ghost in the silence, I disappear. Don't try to fight the storm, you'll tumble overboard. Tides will bring me back to you./ Aquele pequeno beijo que você roubou, ele segurou meu coração e alma. E como um fantasma no silêncio, eu desapareço. Não tente lutar contra a tempestade, você vai cair ao mar. Marés vão me trazer de volta para você.” 

Os fãs do início da banda podem até torcer o nariz, mas, de modo geral, a recepção foi excelente. O álbum chegou ao topo das paradas britânicas e ao 11º nos Estados Unidos. Os críticos se renderam a nova sonoridade classificando-a como madura. Mesmo como a gigantesca mudança sonora, o Bring Me The Horizon segue dividindo opiniões. É ame ou odeie. E “Sempiternal” é um exemplo. Este trabalho consistente apresenta características que deram unicidade ao estilo da banda. Algo raro hoje em dia. Os elementos eletrônicos combinados a base Metal imutável e aos vocais sentimentais de Oliver deram uma atmosfera intensa de um híbrido de tristeza e revolta. O conteúdo lírico é rico e evidencia o amadurecimento do grupo. Com originalidade, o Bring Me The Horizon conseguiu produzir um som pesado, porém acessível e melódico. É comercial sem sê-lo. Definitivamente, novos horizontes se abriram para a banda com este brilhante lançamento. 


Faixas (clique e ouça):
8- Seen It All Before
9- Antivist
10- Crooked Young
11- Hospital For Souls

12- Chasing Rainbows
13- Join The Club
14- Deathbeds

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Bring Me The Horizon
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 4
Gravadora: RCA, Epitath
Gênero: Alternative Metal
País: Reino Unido



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