quarta-feira, 14 de maio de 2014

Resenha: Offspring, The "Days Go By" (2012)


O (The) Offspring mudou. Os últimos álbuns trouxeram algumas modificações no estilo do grupo. Os anos 90 passaram (auge do Offspring com o álbum “Americana” de 1998, e do próprio subgênero Pop Punk) e a banda cresceu e amadureceu. Desde “Splinter” (2003) eles deixaram um pouco de lado a imagem de “banda de trilha sonora de filme adolescente”, pois adotaram uma sonoridade e um lirismo mais sério. As piadas das décadas de 90 continuam, mas de forma mais ponderada. 

A capa do álbum “Days Go By” (2012) evidencia isso ao utilizar uma foto de um parque com árvores com aspecto morto. Há apenas a presença de apenas tons frios, além da imagem de uma criança e um senhor dividindo um banco em destaque. A fonte tipográfica Times também dá uma impressão mais séria. Sonoramente o Offspring traz o faixas Pop Punks, obviamente, mas também apresenta balada, música latina e até o pop radiofônico atual. Pete Parada estreia na bateria ao lado de Dexter Holland (vocal), Greg K. (baixo) e Noodles (guitarra). A obra demorou três anos para ser produzido. 

Em 2009, um ano após o lançamento de “Rise and Fall, Rage and Grace”, o Offspring começou a compor material. Com produção do renomado Bob Rock (Metallica, Mötley Crüe, The Cult...) a meta era lançar em 2010 o novo registro, mas “Days Go By” só foi lançado dois anos depois. “The Future Is Now” abre o registro com estilo veloz e com refrão bem destacado e de melodia um pouco melancólica. Destaque para parte com piano ao final. Os primeiros segundos de “Secrets From The Underground” lembram “The Kinds Aren’t All Right” (de “Americana”) e que também segue a linha Pop Punk mais agitada. Uma música quase profética e que poderia muito bem ser considerado o hino das manifestações pelo Brasil em 2013: “There's something in the air. And there's something rising up. Not one but a million. That have had enough… This is not an anthem. Or a threat in someone's name. But a promise that tomorrow. Will rock and burn if things don't change./ Há algo no ar. E há algo se levantando. Não um, mas um milhão. Que tiveram o suficiente... Isso não é um hino. Ou uma ameaça em nome de alguém. Mas a promessa de que amanhã. Vai agitar e queimar se as coisas não mudarem.” 

Em seguida, a faixa título “Days Go By”. Mais calma e acessível, foi o primeiro single do lançamento e ganhou videoclipe. O interessante nela é que esta lembra muito a canção do Foo Fighters “Time Like This” (de “One By One”, de 2002). A abertura, o ritmo, as guitarras, até a forma como se encerra é semelhante. A letra passa a mensagem positiva de que todas as dificuldades ruins que as pessoas enfrentam passam e a vida continua: “All your anger, all your hurt. It doesn't matter in the end. Those days go by and we all start again. What you had and what you lost. They're all memories in the wind. Those days go by and we all start again./ Toda sua raiva, toda sua dor. Não importam no final. Esses dias passam e todos nós começamos de novo. O que você teve e o que você perdeu. São todas lembranças no vento. Esses dias passam e todos nós começamos de novo.” 

A melodia mais “down” de “Turning Into You”. Mais séria e que fala sobre um sentimento de revolta. Já o astral mais energético de “Hurting as One” lembra o material da banda na década de 90 com o refrão bem destacado, a música rápida e os corinhos “oh, oh, oh”. Depois de uma sequência de músicas de conteúdo lírico sério, “Cruising California (Bumpin' in My Trunk)” quebra o ritmo com uma música bem pop radiofônica. Um verdadeiro susto. Porém, é como se a banda dissesse “não se esqueça... Nós ainda somos o bom e velho Offspring e gostamos nos divertir”. O grupo mostra que ainda não perdeu o bom humor. Esta faixa foi o segundo single lançado e é uma piada sobre a pop music em geral (de cantoras como Katy Perry e Nicki Minaj, por exemplo). A melodia clichê e a letra vazia sobre o sol, garotas, carros e bundas pela perspectiva irônica apresentada pelo Offspring é hilária e grudenta... Como pop music: “And the girl that you want is directly out in front. And she’s waving her caboose at you. You sneeze achoo. She calls you out and boom! I know you heard that bass bumpin’ in my trunk./ E todas as garotas que você quer estão na frente. E ela está acenando com a bunda para você. Você espirra. Ela te te chama para sair e boom! Eu sei que você ouviu o baixo bombando no meu porta-malas.” 

Depois vem a balada “All I Have Left Is You”: “When there's nothing left to hold on to. So do tell me when it's gone. Cause all I have left. All I have left is you./ Quando não resta nada pra se apoiar. Então não me diga quando acabar. Porque tudo o que me resta é você. Tudo que me resta é você.” Começa ao piano, mas depois ganha energia. É acessível, leve, radiofônica e com um bom solo de guitarra. O Offspring mostra o lado cômico novamente na calma e irritante (é muito desagradável escutar a repetição da frase “Tiki tiki tiki tiki”) “OC Guns” que brinca com as gangues latinas dos Estados Unidos. “Dirty Margic” traz uma melodia triste e um refrão bom, porém e que lembra o de “Have You Ever” (de “Americana”). Esta faixa já havia sido lançada em 1992, no álbum “Ignation”. A alegria volta na melodia “pra cima” de  “I Wanna Secret Family (With You)” e que poderia estar muito bem em algum filme ambientado em uma escola ou faculdade. Destaque para o refrão. Já “Dividing By Zero” é mais séria, curta e rápida. A melodia clichê do refrão é grudenta e a torna uma das melhores faixas do álbum. A última é “Slim Pickens Does the Right Thing And Rides The Bomb To Hell” que apresenta uma melodia e um refrão manjado, mas cativante e memorável. 

O lançamento recebeu notas medianas por parte da crítica. Estreou em 12º nas paradas de sucesso dos Estados Unidos (Billboard) e vendeu por lá, na primeira semana, 24 mil álbuns. “Days Go By” também ficou entre as posições mais altas em vários países como Chile, Canadá, Alemanha, Áustria, Japão, Austrália e, inclusive, Brasil. É interessante notar que a banda se mantém fiel ao próprio estilo, porém sem ficar presa ao passado. Combinado isso ao tradicional humor do Offspring o resultado é a grata surpresa “Cruising California (Bumpin' in My Trunk)”, por exemplo. Ainda há espaços para singles FMs (“Days Go By”), músicas rápidas e grudentas (“Hurting as One”) e baladas (“All I Have Left Is You”). Mesmo com melodias e refrãos manjados em alguns momentos, o resultado é positivo e faz com que o Offspring se mantenha em evidência.


Faixas (clique e ouça):
8- OC Guns
9- Dirty Magic
10- I Wanna Secret Family (With You)
11- Dividing By Zero
12- Slim Pickens Does the Right Thing And Rides The Bomb To Hell


                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Offspring, The
Ano: 2012
Álbum de estúdio nº 9
Gravadora: Columbia Records
Gênero: Pop Punk
País: Estados Unidos




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