quarta-feira, 16 de julho de 2014

Resenha: A Day To Remember "Common Courtesy" (2013)


Em 2012, a banda americana de Post-Hardcore, A Day To Remember anunciou que estava trabalhando no quinto álbum de estúdio. Em 21 de dezembro do mesmo ano foi lançado a primeira faixa “Violence (Enough Is Enough)”. Mesmo com o lançamento óbvio de um novo trabalho de inéditas, alguns problemas ocorreram. O grupo ainda tinha um contrato vigente de mais dois lançamentos com a gravadora Victory, porém resolveram romper com o selo e lançar “Common Courtesy” de forma independente, em 8 de outubro de 2013 de forma digital e depois em 25 de novembro fisicamente. A banda, formada por Alex Shelnutt (bateria), Jeremy McKinnon (vocalista), Josh Woodard (baixo), Kevin Skaff (guitarrista) e Neil Westfall (guitarrista), processou a ex-gravadora acusando a falta de pagamento de 75 mil dólares em royalties. Dificuldades... 

Este também é o tema da primeira faixa: “City of Ocala”. Ocala, na Flórida, é a cidade natal da banda. Um Pop Punk alegre com refrão melódico, acessível e bem grudento. A letra é uma espécie de auto reflexão da banda lembrando os momentos do início da carreira, as dificuldades e a falta de apoio: “Remember way back when? They said this life was a dream. Well, it still is, I never wanna wake./ Lembra anteriormente quando? Eles disseram que essa vida era um sonho. Bem, ainda é, eu nunca quero acordar.” Após, vem “Right Back at it Again” seguindo a mesma linha da anterior: “We left home with no kinda back up plan. And everyone we knew that we couldn't stand. Said,If you can't make it here you won't make it there’. Don't wanna hear about it. Spent most of our time sleeping on hard wood floors. People's living rooms, in any open door. We played a show a night 'til it all made sense./ Nós saimos de casa sem planos para voltar. Todo mundo que conhecíamos achava que não aguentaríamos. Falavam, ‘se você não pode fazer isso aqui, não vai fazer lá’. Não quero ouvir sobre isso. Passamos maior parte do tempo dormindo no chão de madeira. Na sala de estar das pessoas, em qualquer porta aberta. Nós tocamos um show a noite e tudo fez sentido.” Porém esta é mais Metalcore ao utilizarem vocais screamos de forma moderada e breakdowns. 

Subgênero, aliás, ainda mais evidente em “Sometimes You're The Hammer, Sometimes You're The Nail”. Mais pesada, com bastante screamos e com um excelente breakdown no início. Letra sobre enfrentar aqueles querem apenas vê-lo mal: “I reserve my right to feel uncomfortable reserve my right to be afraid. I make mistakes and I am humbled every step of the way. I want to be a better person. I wanna know the master plan. Cast your stones, cast your judgement, you don't make me who I am./ Eu reservo meu direito de me sentir desconfortável, reservo o meu direito de sentir medo. Cometo erros e sou humilhado a cada passo do caminho. Eu quero ser uma pessoa melhor. Eu quero conhecer o plano maior. Jogue suas pedras, jogue seu julgamento, você não me torna quem eu sou.” Após, “Dead & Buried” se destaca basicamente pelas partes Metalcore. Os breakdowns levam a faixa “nas costas”, pois a parte mais leve da música é chata e possui um refrão fraco. 

O Pop Punk aparece em evidência em “Best Of Me”. De refrão grudento fala sobre um relacionamento que não terminou de uma forma muito agradável: “I can't believe you got the best of me. I can't believe I trusted every word you said. It's all finally making sense. You took what's left of my innocence. Oh, no. I can't believe you got the best of me./ Não posso acreditar que você tem o melhor de mim. Não posso acreditar que confiei em cada palavra que você disse. Isso tudo finalmente está fazendo sentido. Você levou o que sobrou da minha inocência. Oh, não. Não posso acreditar que você tem o melhor de mim.” Em seguida vem a baladinha ao violão “I'm Already Gone” feita para cantar o refrão junto. 

Já “Violence (Enough Is Enough)” como o nome sugere é pesada. Letra sobre a violência causada pela revolta: “You can call this a warning (it's a warning). That we're drowning in our malcontent. Tear me down like a cancer (what's your answer?). We're different and it makes you sick. There is a sadness here, on every corner, it's in our hearts. Dear god don't wanna trouble you much. But we all need to know when enough is enough./ Você pode chamar isso de um aviso (é um aviso). Que estamos nos afogando em nosso descontentamento. Acabe comigo como um câncer (o que é a sua resposta?). Nós somos diferentes e isso faz você doente. Há uma tristeza aqui, em cada esquina, está em nossos corações. Caro deus não quero incomodá-lo muito. Mas todos nós precisamos de saber quando suficiente é o suficiente.” 

Por outro lado, “Life @ 11” é mais calma e com clean vocals. O clima leve se mantém na faixa seguinte, a baladinha radiofônica “I Surrender”. Porém o Metalcore retorna em “Life Lessons Learned The Hard” com direito a um bom breakdown. Em “End Of Me” é tranquila e fala sobre um sujeito que perde o sentido da vida após se separar da pessoas amada: “We lost all meaning. We lost the magic. So good luck to you on your way. Oh, you'll be the end of me./ Nós perdemos o sentido. Perdemos a magia. Então, boa sorte para você em seu caminho. Oh, você vai ser o meu fim.” O A Day To Remember chama mais atenção, porém em músicas como “The Document Speaks For Itself”, onde “o corpo” é agressivo, mas o refrão é bem destacado com uma melodia “pra cima” combinado com ótimos breakdowns. A letra é um ataque aos problemas judiciais enfrentados com a ex-gravadora. 

Encerra em momento de reflexão a música “I Remember”. A letra é um retrato de todos os músicos (e profissionais em geral) que deixam os empregos, família e amigos para trás e correm atrás dos próprios sonhos mesmo passando por várias dificuldades, mas vendo o esforço valendo a pena ao final. A faixa é longa. 9 minutos. Metade é música e outra é um bate papo entre os integrantes lembrando de momentos nostálgicos da carreira, como quando viram neve pela primeira vez, por exemplo: “It's in the hardest times we grow the most. I remember when I first saw the country. I remember sleeping in the van. Said goodbye to friends and family, cause they could never understand./ É nos momentos mais difíceis que crescemos mais. Eu me lembro de quando eu vi pela primeira vez no país. Lembro-me de dormir na van. Disse adeus aos amigos e família, porque nunca irão entender.” 

Para divulgar o lançamento, o A Day To Remember criou uma pequena web série de cinco episódios. Apesar das dificuldades financeiras de divulgação, “Common Courtesy” alcançou a 47ª posição nas paradas americanas, 34º no Reino Unido, 40º na Áustria e 48º na Alemanha. Na justiça, o grupo também venceu. Apesar de derrotarem a ex-gravadora ainda terão de cumprir o contrato e terão de lançar dois álbuns de inéditas com o selo. A recepção da obra foi ótima. O ADTR já é referência entre os grupos que misturam o frescor, alegria, simplicidade e acessibilidade das melodias Pop Punk com o peso dos screamos e os breakdows do Metalcore. Realmente eles são muito bons nisso. Às vezes, faixas diferentes soam até como se fossem produzidas por bandas distintas. Este equilíbrio entre estes dois mundos é muito interessante. Porém, mesmo gostando de Pop Punk, o apresentado pelo grupo não me agrada. É suave demais. Em compensação, o lado Metalcore é primoroso. Os breakdowns são simplesmente fantásticos. Também vale destacar que certos momentos são inspiradores, como o tom reflexivo que “Common Courtesy”. Ao mesmo tempo que passaram dois anos lutando contra a própria gravadora que os projetaram, lembraram dos bons e maus momentos que constituem a vida de uma banda (e de todos) e transferiram estes sentimentos para a música. Raiva, tristeza, peso, leveza... “A Life To Remember”.

Faixas (clique e ouça):

                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: A Day To Remember
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 5
Gravadora: Victory Records
Gênero: Post-Hardcore
País: Estados Unidos

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