quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Resenha: Soulfly "Savages" (2013)


Após show em Bancoc, na Tailândia, em outubro de 2012, o baterista do Soulfly, o americano David Kinkade anunciou não só a saída da banda, mas também a aposentadoria da carreira de músico com apenas 29 anos alegando que queria estar mais próximo da família, além de tomar novos caminhos para a vida. O líder, Max Cavalara viu a chance perfeita para efetivar o próprio filho ao cargo: Zyon Cavalera (19 anos). Porém, não foi uma novidade para Zyon, já que ele já havia feito participações em outras oportunidades: “Primitive” (2000), “Omen” (2010) e “Enslaved” (2012). Max não perdeu tempo para registrar o momento em um novo álbum de estúdio. Assim, nasceu “Savages”, lançado em 4 de outubro de 2013. 

É o primeiro álbum pela gravadora Nuclear Blast depois de 16 anos na Roadrunner. A obra recebe este nome devido a uma reflexão feita por Max a respeito do mundo atual, onde os seres humanos estão trabalhando em missões a Marte ao mesmo tempo que pessoas se matam na Terra. “Ainda somos selvagens, mesmo com toda a tecnologia a nosso dispor”, afirma no site da banda. Ao lado do pai e filho, estão Marc Rizzo (guitarra) e Tony Campos (baixo). Diferentemente da predominância de Death Metal apresentado no álbum anterior a nova obra mostra um som com mais groove e moderno. 

Bloodshed” abre com muito peso e traz outro Cavalera. Igor Cavalera. Não o irmão de Max (baterista e um dos fundadores da banda Sepultura), mas o outro filho do vocalista. Esta é uma mistura de passagens mais agressivas e outras cadenciadas, além do toque tribal tradicional.  Letra sobre a violência do mundo contemporâneo: “Everywhere is bloodshed. Wasteland bloodshed. Bloodshed wasteland./ Em toda parte há derramamento de sangue. Terra devastada e derramamento de sangue. Derramamento de sangue e terra devastada.” A violência continua com o “holocausto canibal” na Thrash “Cannibal Holocaust”. Lembra algo da fase inicial do Sepultura, mas o vocal de Max está mais próximo do Death Metal. 

Mais cadenciada “Fallen” traz os vocais agressivos do convidado Jamie Hanks, vocalista da americana de Deathcore “I Declare War”. “Ayatollah of Rock ‘n’ Rolla” é uma música longa e é cadenciada. Traz como convidado Neil Fallon (The Company Band e Clutch). O groove continua em “Master of Savagery” destaque para a passagem de bateria ao final e que cria um clima sinistro interessante para a faixa. “Spiral” mostra o lado Nu Metal do Soulfly com a clara influência de Slipknot. 

This Is Violence” combina peso, melodia e um refrão contagiante para cantar junto. A letra fala sobre a humanidade sega pelo ódio, violência e falsos ídolos e que não deixa que vejamos que estamos destruindo uns aos outros e o próprio planeta: “We found a thousand ways to burn up the planet. Onwards to peace with hate in our minds. Like fucking cancer, screaming inside. Welcome to hell, consuming fire./ Encontramos mil maneiras de queimar o planeta. Caminhamos para a paz com o ódio em nossas mentes. Como a porra de um câncer, gritando por dentro. Bem-vindo ao inferno, fogo consumidor.Mitch Harris, guitarrista da banda de grindcore inglesa Napalm Death, divide os vocais com Max em “K.C.S.”. Harris tem um vocal ríspido e beira o Black Metal. 

Em seguida, “El Comegente” também tem parceria. Tony Campos, vocalista e baixista da banda Asesino, traz um vocal agressivo e em espanhol. Max troca o inglês pelo português. O contraste entre os dois vocais combinados a diferença linguística resulta em uma faixa interessante. Faixa longa, com mais de oito minutos, e que da metade em diante segue acústica e instrumental. Encerra o álbum “Soulfliktion”. Mais uma que exemplifica a rica produção em termos de elementos. A versão especial de “Savages” traz dois bônus. 

Fuck Reality” traz um Metal moderno e que não difere do restante do álbum. Refrão repetitivo, acordes distintos, toques “atmosféricos”, um solo interessante e tudo com bastante peso. A tradição de sempre haver uma faixa com o nome da banda e o número do lançamento segue com “Soulfly IX”. Instrumental, não é pesada. Pelo contrário, ela é até relaxante. É experimental. Possui elementos asiáticos e latinos. Começa e termina ao som das ondas do mar quebrando. A maioria dos fãs concordou que este é álbum é inferior ao antecessor. O motivo é o fato de “Bloodshed” ser menos direto e brutal que “Enslaved”, pois a surpresa que este causou gerou um sentimento de expectativa que não foi correspondido 100% positivamente. Mesmo assim, elogios não faltaram. “Savages” estrou no Top 200 da Billboard nos Estados Unidos (mais precisamente na 84º posição) e vendeu neste período quase 5 mil cópias. De fato, Max Cavalera mostra que é livre como artista. Sem amarras. Cada trabalho tem unicidade, seja através de convidados, integrantes fixos e, é claro, sonoridade. Esperar um novo álbum de Death Metal foi uma atitude um pouco inocente dos fãs. A “brasilidade” apresentada desde “Roots” do Sepultura em 1996 continua presente até hoje no Soulfly e somado isto a todos outros elementos torna banda impar. Mas é exatamente este Metal rico em influências que não me deixa atraído pelo Soulfly. 


Faixas (clique e ouça):
3- Fallen
6- Spiral
8- K.C.S.
11- Fuck Reality (bônus)
12- Soulfly IX (bônus


                                                                                    Opinião do autor:

Nota track by track.

Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: Soulfly
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 9
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Groove Metal
País: Estados Unidos




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