quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Resenha: Black Veil Brides "Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones" (2013)


Uma garota solitária, estudante, que usa apenas roupas pretas, sem muitos amigos, não compreendida pelas outras pessoas e nem pelos próprios pais é internada em um hospício pelos mesmos. Presa, ela luta uma batalha interna mental contra o mal representado pela F.E.A.R. (em português lesse a palavra “MEDO”, mas a verdade é uma sigla para “For Every and All Religion” que significa “Toda e Qualquer Religião”). Mas a jovem não está sozinha. Para salvarem sua “mente, coração e corpo” terá ajuda dos “The Wild Ones”, liderado pelos integrantes da banda favorita dela: o Black Veil Brides. Parece roteiro de filme, não é? E é! Em 8 de janeiro de 2013, a banda Black Veil Brides lançou o álbum conceitual “Wretched and Divine: The Story of the Wild Ones” pela Lava Records/Universal Republic Records. Para ilustrar as 19 faixas que compõem a obra foi lançado um filme chamado “The Legion Of Black”. 

Esta “ópera rock” é uma grande aposta apesar de ser um grupo tão novo, afinal este é apenas o terceiro trabalho. Os toques de Metalcore que ainda existiam no antecessor “Set The World On Fire” foram extintos aqui. “Wretched and Divine:...” é um Alternative Metal composto de linhas de Heavy Metal tradicional e principalmente de riffs de Hard Rock/Glam Metal. O visual carregado e extravagante evidencia esta influência só que em uma versão moderna e dark. É um desfile de músicas fáceis de serem memorizadas com melodias acessíveis e refrãos grudentos. A formação continua a mesma com a liderança de Andy Biersack (vocalista), Ashley Purdy (baixo e backing vocals), Christian “CC” Coma (bateria), Jake Pitts (guitarra solo) e Jinxx (guitarra base, teclado e violino). 

A intro “Exordium” é um conselho cristão sobre qual é a maneira correta de se encontrar deus: “The kingdom of god is inside of you. And all around you. Not in a mansion of wood and stone. Split the piece of wood. And god is there. Lift the stone, and you will find god./ O reino de Deus está dentro de você. E em tudo a sua volta. Não em uma mansão de pedra e madeira. Rache um pedaço de madeira. E Deus está lá. Levante uma pedra, e você encontrará Deus.” Serve como introdução de um filme e busca ambientar o ouvinte. O levante contra mal começa com a autoafirmação dos jovens guerreiros em “I Am Bulletproof”: “Got something to live for. I know that I won't surrender. A warrior of youth. I'm taking over, a shot to the new world order. I am bulletproof./ Tenho algo pelo o que viver. Eu sei que eu não vou me render. Um guerreiro da juventude. Estou me comprometendo, um tiro à nova ordem mundial. Eu sou a prova de balas.” Destaque para o solo veloz de guitarra. 


Em seguida, “New Year's Day” convoca os “derrotados” para a batalha em um novo começo: “This is New Year's Day (so rise from the ashes). Faith will find a way (like lightning crashes). We'll keep marching on and on and on. It's New Year's Day, so rise from the ashes./ Este é o Dia de Ano Novo (então renasça das cinzas). Fé vai encontrar um caminho (como queda de raios). Nós vamos continuar marchando e assim por diante. É dia de Ano Novo, então renasça das cinzas.” Depois vem o interlúdio F.E.A.R. Transmission 1: Stay Close”. A guerra está prestes a começar... A faixa título “Wretched and Divine” é grudenta, mas de qualidade. Vide o trabalho de guitarras e o belo solo. A letra tem o cunho de gerar uma ligação entre a banda e o fã. Afinal, ela fala que existem “heróis” (a banda) que podem salvar aqueles que foram esquecidos. A ideia clara é de passar a mensagem “você não está só”: “We live for broken hearts. Won't watch them fall apart. We live for the ones. Who don't know they exist. We die for endless winter. Beginner and the sinner. We die for the ones. Who raise their hands to resist./ Nos vivemos pelos corações partidos. Não veremos eles se despedaçarem. Nós vivemos por aqueles. Que não sabem que eles existem. Nós morremos por um interminável inverno. Iniciante e o pecador. Nós morremos por aqueles. Que levantam as suas mãos para resistir.” 

Os excluídos se unem em “We Don't Belong”. Uma faixa com um refrão extremamente chiclete com seu corinho “(Whoa oh oh, whoa oh oh oh)”: “Can you hear the march of the rejects? Line up the parade of the defects. Can I hear ‘we don't belong here’? / Você consegue ouvir a marcha dos rejeitados? Junte-se ao desfile dos defeitos. Posso ouvir um "não pertencemos aqui'?” Após, mais um interlúdio “F.E.A.R. Transmission 2: Trust” que segue a linha da transmissão de lavagem cerebral, vem a faixa “Devil's Choir” com toques de Heavy Metal tradicional na intro e no solo principalmente, e de letra heroica: “F.E.A.R won't. Steal what burns in you. I'll carry you. Away from the fire./ F.E.A.R. não vai. Roubar o que queima dentro de você. Eu irei te carregar. Pra longe do fogo.” Em seguida, “Resurrect the Sun” é um pouco mais calma, densa e sinistra como um túnel escuro, mas a luz ao final é refrão “pra cima”: “I pray for mourning. I swear I'll never let you die./ Eu oro pela manhã. Eu juro que eu nunca vou te deixar morrer.” 

Em seguida, vem a curta “Overture”. Instrumental e orquestrada apresenta uma belíssima melodia (a mesma do refrão da faixa anterior, aliás). Simples e épica. Já “Shadows Die” traz uma intro com alguns elementos sonoros lúdicos, mas depois se torna em um Hard Rock sinistro com refrão grudento. A letra é uma crítica à opressão e a ignorância propagada pelas religiões: “The church of lies. Can't tell me what is right./ A igreja das mentiras. Não pode me dizer o que é certo.” De fato todos os integrantes da banda são ateus (com exceção do baterista “CC” que é agnóstico). A posição fica ainda mais clara no rápido interlúdio “Abeyance”: “That god does not exist, I can not deny. That my whole being cry out for god. I can not forget./ Que deus não existe, Eu não posso negar. Que todo o meu ser clama por Deus. Eu não posso esquecer.” 

Após, vem “Days Are Numbered” que abre com um bom riff de Hard Rock e que possui um refrão melodioso para cantar junto. Conta com a participação de Bert McCracken vocalista do The Used. “Done For You” é uma balada curta e memorável. Calma e sentimental. Muitos acreditam que são pessoas especiais escolhidas por um deus ou algo do gênero, mas em “Nobody's Hero” o Black Veil Brides fala do lado humano e falho dos heróis, além de afirma que todos nós nascemos ateus, mas que somos doutrinados a acreditarmos em algo: “My life begins and Ends without the Faith. That we learn./ Minha vida começa e Termina sem a fé. Que aprendemos.” e “But I'm nobody's hero. I've come undone./ Mas não sou herói de ninguém. Eu vim incompleto.” 

Mais uma balada do álbum é a faixa “Lost It All”. Ela vai em uma crescente de peso. Começa ao piano, fica à capela e se torna em uma power ballad bem radiofônica. Conta ainda com os vocais da cantora Juliet Simms (ex-Automatic Lovelleter, segunda colocada do programa The Voice americano edição 2012 e também é namorada de Biersack).  A letra é sobre as dores depois de perda/ uma derrota... Todo mundo caie e sofre às vezes: “I'm just trying to breathe. Just trying to figure it out. Because i built these walls. To watch them crumbling down. I said. Then i lost it all. Who can save me now?/ Eu estou apenas tentando respirar. Apenas tentando desvendar. Porque eu construí esses muros. Para vê-los desmoronando. Eu disse. Então eu perdi tudo. E quem pode me salvar agora?” 

A locução da organização do mal está em “F.E.A.R. Transmission 3: As War Fades” tenta manter o poder contra a revolução: “F.E.A.R. cannot be vanquished, we can not be destroyed. F.E.A.R. will rise up again and control the masses/ A F.E.A.R. não pode ser vencida, não pode ser destruída. A F.E.A.R. se levantará novamente e controlará as massas.” No fim vem “In The End”. Grudenta, energética, radiofônica, refrão memorável e solos marcantes formam, talvez, a melhor faixa do álbum. Fala sobre não temer nada nem mesmo a morte quando se busca um sonho. Who will tell the story of your life? And who will remember your last goodbye? Cause it's the end and I'm not afraid. I'm not afraid to die./ Quem vai contar a história da sua vida? E quem vai se lembrar do seu último adeus? Porque é o fim e eu não tenho medo. Eu não tenho medo de morrer.”  

A última faixa é a transmissão final da F.E.A.R. falando sobre a derrota contra os rebeldes: “The rebels have defeated our illustrious armies. They have damaged our intention of ugly and defiant malevolence. All that we love and care for will sink into the abyss of a new dark age./ Os rebeldes derrotaram nossos ilustres exércitos. Eles danificaram a nossa intenção de malevolência feia e desafiadora. Tudo o que nós amamos e cuidamos vai afundar no abismo de uma nova idade das trevas.” A versão do lançamento conta 19 músicas, mas a especial trás três bônus. “Revelation” tem uma sonoridade mais Metalcore que o restando do álbum (talvez, por isso ficou como um bônus). Algo na linha do debut da banda: “We Stitch These Wounds” (2010). Mais uma sobre o levante contra a religião: “We are legions mesmerized. By the fools that killed our freedom. Won't stray or apologize. For their decisions./ Nós somos legiões hipnotizadas. Pelos tolos que mataram a nossa visão. Não se percam ou se desculpem. Por suas decisões.” 

Outra mais pesada e com refrão repetitivo e que ficou com bônus é “Victory Call”. Encerra com o rock moderno de “Let You Down” (tem algo de Foo Fighters, principalmente no refrão): “I'll never let you down. I promise right here, right now./ Eu nunca vou te decepcionar. Eu prometo aqui e agora.” A recepção da crítica foi boa. A média foi positiva. Pela primeira vez, o Black Veil Brides entrou no Top 10 da Billboard 200 americana. Alcançou o 7º lugar e vendeu 47 mil cópias na primeira semana. Até novembro de 2013, “Wretched and Divine...” já tinha ultrapassado a marca de 150 mil álbuns vendidas. “In The End” chegou a 39º colocação no Top faixas de Rock, além de se tornar trilha da edição de 2012 do evento de wrestling americano “Hell in a Cell” da WWE. O conceito do álbum como um todo é uma metáfora sobre a realidade onde muitos sofrem por serem diferentes e acabam sendo mal compreendidos. Outra crítica evidente é contra opressão religiosa. A banda merece respeito e atenção por vários aspectos. Exemplos como a ousadia de utilizarem um visual andrógeno mesmo depois de duas décadas da “morte” do Glam Metal, a de trabalharem com letras críticas a fé e de juntarem tudo isso em uma sonoridade acessível torna a banda ímpar, mas ao mesmo tempo traz a ira de muitos headbangers (metaleiros) tradicionais. Na parte da sonoridade, o destaque vai para o trabalho de guitarras. O timbre e os solos são muito bons, assim como a capacidade da banda em fazer refrãos “chicletes”. Andy Biersack pode não ser um grande vocalista, mas compensa com carisma. As letras não são vãs. Passam a mensagem de rebeldia com causa ao espalharem o ceticismo diante de um mundo adulto tão alienado pela religião. O Black Veil Brides tem um público específico e fiel, e que necessita e gosta desta letras protetivas e motivadoras em uma época difícil de transição entre a infância e a adolescência. 


Faixas (clique e ouça):
10- Overture
12- Abeyance
20- Revelation (bônus)
21- Victory Call (bônus)
22- Let You Down (bônus)


                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Black Veil Brides
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 3
Gravadora: Lava Records / Universal Records
Gênero: Alternative Metal
País: Estados Unidos



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