sábado, 25 de outubro de 2014

Resenha: HIM "Razorblade Romance" (1999)


O segundo álbum do HIM “Razorblade Romance” foi lançado na terra natal da banda a Finlândia em 19 de dezembro de 1999, mas o sucesso do mesmo começou a se formar ainda em fevereiro daquele ano com o lançamento do single “Join Me In Death”. A banda já obtinha reconhecimento no país de origem, mas foi com este hit que o grupo formado por Mikko “Linde” Lindström (guitarra), Mikko “Mige” Paananen (baixo) e o líder e vocalista Ville Valo, além dos novatos Jussi-Mikko “Juska” Salminen (teclado) e Mika “Gas Lipstick” Karppinen (bateria) nos lugares de Antto Melasniemi e  Juhana Tuomas “Pätka” Rantala respectivamente conquistaram a Europa. A fama aumentou quando a faixa citada fez parte da trilha sonora do filme de ficção-científica “The Thirteenth Floor” (“13º Andar” em português) lançado em abril de 99. 

É interessante notar que “Razorblade Romance” foi lançado de uma maneira bem esquisita. Se os finlandeses puderam compra-lo no último Natal da década de 90 o restante do mundo teve que esperar a chegada da década seguinte. No restante da Europa o álbum só chegou às prateleiras em 26 de janeiro de 2000 e no Reino Unido a espera foi ainda maior, pois foi lançado apenas em 15 de maio daquele ano. Mas isso nem se compara com a demora e os problemas ocorridos nos Estados Unidos. Os americanos só tiveram contato com “Razorblade Romance” a partir de 28 de outubro de 2003 (para que aqueles, obviamente, que não os conheciam, pois não tinham o baixado). Quase 4 anos depois do lançamento original (até lá a banda já tinha lançado outros dois álbuns de estúdio). A distribuição também foi afetada. A questão é que já existia uma banda HIM na Terra do Tio Sam e que alegou possuir os direitos sobre o nome. Sendo assim, de início, “Razorblade...” foi comercializado sob o nome “HER” (“DELA” em português). Só depois de um acerto é que CDs foram produzidos com o nome HIM. 

As diferenças entre esta obra e o antecessor “Greatest Love Songs Vol.666” (1997) são sutis, mas notáveis. O lado gótico e denso deu espaço para um som mais acessível com melodias e refrãos memoráveis. As letras cheias de amor e paixão continuam presentes. A começar por “I Love You (Prelude to Tragedy)” que fala que quanto mais a garota tenta se distanciar do sujeito mais ele fica apaixonado por ela: “Don't you feel it. The colder you touch. The more it turns me on. And the faster beats my heart. And baby more I love you./ Você não sente isso. Quanto mais frio o seu toque. Mais "ligado" eu estarei. E mais rápido vai bater o meu coração. E, baby, mais eu vou te amar.” Ville começa surrando os primeiros versos tão baixo que quando a música começa de “verdade” você leva um susto. Destaque para o refrão grudento em que Valo usa um tom mais grave. 

Poison Girl” é calma, mas tem um refrão envolvente. A letra apaixonada segue a linha Shakespeariana da obra “Romeu & Julieta” onde aparentemente a única maneira do amor do casal se manter vivo é através da morte: “I did it all just for her. Love's heart is death, for me and my poison girl. In this poison world./ Eu fiz tudo só por ela. E o amor nos quer mortos, só eu e minha garota veneno. Nesse mundo envenenado.” Em seguida, vem a faixa mais clássica e hit da banda até hoje “Join Me in Death”. Ela traz o lado gótico mais forte do primeiro álbum. É densa, tem um clima frio, mas ao mesmo tempo sexy e romântica. Tem um ar sedutor como a de um(a) vampiro(a). As notas do piano somadas à interpretação única de Valo a torna a síntese do HIM. A letra é um convite para a morte em sacrifício pelo amor: “This world is a cruel place. And we're here only to lose. So before live tears us apart let. Death bless me with you./ Este mundo é um lugar cruel. E nós estamos aqui apenas para perder. Então antes que a vida nos separe. Deixe que a morte me abençoe com você.” 

Mas a banda sabe trabalhar o mesmo tema só que de uma maneira. O amor ainda é o foco em “Right Here in My Arms”, mas não de forma mórbida. Nela a vida é celebrada. Até a sonoridade é diferente... O lado gótico e frio dá espaço para um Hard Rock rápido e energético: “She'll be right here in my arms. So in love. She'll be right here in these arms. She can't let go./ Ela estará bem aqui em meus braços. Tão apaixonada. Ela estará bem aqui nesses braços. Ela não pode partir.” O lado perverso do “amor” está em “Gone With the Sin”. A letra dá margem para várias interpretações... Como entender que a faixa trata de um estupro ou um assassinato através de um psicopata que sente prazer ao ver as lágrimas e a vida da pessoa de esvaindo. Ou pode ser vista através do lado fantasioso como um vampiro e vítima: “I adore the despair in your eyes. I worship your lips once red as wine. I crave for your scent sending shivers down my spine. I just love the way you're running out of life./ Eu adoro o desespero em seus olhos. Eu idolatro seus lábios uma vez vermelhos como vinho. Eu suplico por seu aroma me dando frio na minha espinha. Eu apenas amo o jeito que você está acabando com sua vida.” De aura densa para combinar com o tema e conta com Ville cantando de uma forma mais grave. 

Já na faixa título “Razorblade Kiss” liricamente fala sobre o prazer proveniente da dor.  Esta paixão sadomasoquista vem acompanhada de uma sonoridade que evidencia as mudanças da banda. Ville Valo mantém o lado soturno no timbre, mas o clima da música é mais moderno. Está mais próxima de um Hard Rock e menos “dark”: “Every time we touch we get closer to heaven. And at every sunrise our sins are forgiven. You on my skin this must be the end. The only way you can love me is to hurt me again. And again. And again. And again./ Toda vez que nos tocamos chegamos mais perto do paraíso. E a cada nascer do sol nossos pecados são perdoados. Você sobre a minha pele, isso deverá ser o fim. A única forma de me amar é me machucando de novo. E de novo. E de novo. E de novo.” 

Em “Bury Me Deep Inside Your Heart” é lenta, calma, densa e Ville canta com bastante sentimento. Os versos são sussurrados mudando apenas no refrão. A Letra apaixonada é em um mix de morbidez e paixão profunda: “Let me never see the sun. And never see you smile. Let us be so dead and so gone. So far away from life. Close my eyes. Hold me tight. And bury me deep inside your heart./ Deixe-me nunca ver o sol. E nunca te ver sorrir. Deixe-nos ser tão mortos e tão além. Tão longe da vida. Feche meus olhos. Abrace-me forte. E enterre-me dentro de seu coração.” A seguinte, “Heaven Tonight” tem a mesma linha, só que um refrão leve pra cantar junto. A parte lírica soa como um vampiro apaixonado e em êxtase pela vítima morta e vazia (...sem sangue, talvez): “I hold your hand in mine. I hold your hand and you're so lonely. Oh so lonely. Your eyes have lost their light. Your eyes have lost their light and you're empty. Oh my God you're so empty. (I'm in love with you). You are my heaven tonight./ Eu seguro sua mão na minha. Eu seguro sua mão e você é tão solitária. Oh, tão solitária. Seus olhos perderam seu brilho. Seus olhos perderam seu brilho e você está vazia. Oh meu deus, você está tão vazia. (Eu estou apaixonado por você). Você é meu paraíso hoje à noite.” 

A velocidade, energia e peso do Hard voltam na curta “Death Is In Love With Us”. O que não muda é a presença da morte no meio de tanto amor nas letra do HIM: “Death's in love with us oh oh. The Reaper holds our hearts oh oh./ A morte está apaixonada por nós oh oh. O ceifador segura nossos corações oh oh.” Um dos destaques do álbum é “Resurrection”. Tem um tom sombrio, frio e gótico, mas romântico e delicado graças a interpretação de Ville Valo sob a belíssima melodia memorável junto de um refrão extremamente grudento. Na letra, nem a morte pode separar uma grande paixão: “You kissed my lips. With those once cold fingertips. You reached out for me. And oh how you missed. You touched my face. And all life was erased. You smiled like an angel. (falling from grace). We've been slaves to this love. From the moment we touched. And keep begging for more. Of this resurrection./ Você beijou meus lábios. Com aquelas antes frias pontas dos dedos. Você foi longe por mim. E oh como você perdeu. Você tocou meu rosto. E toda a vida estava apagada. Você sorriu como um anjo. (caído do encanto). Nós temos sido escravos desse amor. Desde o momento em que nos tocamos. E ficamos implorando por mais. Dessa ressurreição.” 

A última faixa é “One Last Time”. A introdução a princípio é estranha e cheia de distorção, mas que depois dá espaço para uma melodia acessível regida por teclado e violão. A mixagem deixa com que a voz de Valo soe com se estivesse cantando através do telefone. Na letra, um pedido de mais uma chance em reconciliamento: “Is it so hard to believe that hearts. Are made to be broken by love… Oh at least you could try. (and we just will be closer). For this one last time. (let me fall into your arms). It could be alright. (don't let us grow colder). For this one last time. (let me close to your heart)./ É tão difícil acreditar que nossos corações. São feitos pra serem partidos pelo amor... Oh ao menos você poderia tentar. (e nós estaremos juntos). Por uma última vez. (deixe-me cair em seus braços). Poderia ficar tudo bem. (não nos deixe crescer mais frios). Por uma última vez. (deixe-me perto de seu coração).” 

Está neste álbum, talvez, o maior “hit” da banda: “Join Me In Death”. Lançada primeiramente como single ultrapassando a marca de meio milhão de cópias vendidas. Na Finlândia a banda já estava consagrada e “Razorblade Romance” chegou ao topo das paradas de sucesso, assim como no Alemanha. Na Polônia e o lançamento alcançou a 46ª posição. Ao todo foram mais de 2 milhões de álbuns vendidos. A sonoridade foi um pouco alterada. A essência gótica, mórbida, vampírica envolta de um atmosfera fria vinda da combinação de teclados, guitarra, baixo e, principalmente, graças a interpretação e vocais únicos de Ville Valo continuam atraentes como de nenhuma outra banda. Porém, a primeira diferença notável e a produção superior e mais cristalina. As melodias e os refrãos estão ainda mais acessíveis e memoráveis, além da inserção se outros estilos como a energia do Hard Rock em “Right Here in My Arms”, quem sabe, visando um mercado maior como o do restante da Europa e o americano. Mas este era apenas o começo...


Faixas (clique e ouça):
9- Death Is In Love With Us
10- Resurrection
11- One Last Time

                                                                   Opinião do autor:
Nota track by track.
Nota track by track.
Nota do álbum.
Banda: HIM
Ano: 1999
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Supersonic Records / BMG Finland
Gênero: Alternative Metal
País: Finlândia


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