quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Resenha: Edguy "Space Police - Defenders Of The Crown" (2014)


Depois de dois álbuns mais voltados ao Hard Rock (“Tinnitus Sanctus” de 2008 e “Age of the Joker” de 2011) a banda alemã Edguy formada por Dirk Sauer (guitarra base), Felix Bohnke (baterista), Jens Ludwig (guitarra), Tobias "Eggi" Exxel (baixo) e Tobias Sammet (vocal) voltaram a lançar um material mais pesado. Em setembro de 2013, eles receberam a proposta da gravadora Nuclear Blast para produzirem uma nova obra até abril do ano seguinte. Com uma certa pressão no ar, devido ao curto prazo, entraram em estúdio em novembro e já em janeiro de 2014 o novo registro estava pronto com a ajuda do produtor Sasha Paeth (Avantasia, Kamelot, Epica, Rhapsody Of Fire e etc). Parceria esta que começou em 2003 com o álbum ao vivo “Burning Down the Opera”. O novo rumo surgiu de forma natural. A primeira música gravada foi “Sabre & Torch”. A partir dela tiveram noção de qual caminho seguiriam. 

A capa traz um estereótipo de policial de rodovia americana lutando contra um alien. Lançado em 18 de abril de 2014, “Space Police: Defenders of the Crown” tem um nome longo, comporto e diferente. A ideia do grupo era fugir dos clichês do Power Metal. A obra começa “Sabre & Torch”. Um Heavy Metal pesado e rápido. Destaque fica para o pré-refrão (bem melódico) e o refrão em si em coro feito para o público cantar junto no show. Depois, vem “Space Police” que é um pouco mais Hard Rock não só pelo ritmo, mas por causa da participação de teclados. Para dar um ar ainda mais espacial há passagens mais atmosféricas e sonoplastia de ficção científica. Novamente, refrão bem destacado e fácil de memorizar. A parte lírica é uma crítica... Aos críticos! Faixa especial para aqueles querem que tentam podar a liberdade criativa da banda. Ela diz que não existem limites para eles. O lado bem humorado do Edguy fica evidente ao final com os gemidos forçados de Sammet. 

Já “Defenders of the Crown” começa com uma introdução rápida com guitarras gêmeas bem melódicas. O esquema das anteriores segue o mesmo, ou seja, pré-refrão melódico e mais calmo para preparar o ouvinte para o refrão chiclete. Tobias utiliza dá até agudos em certo momento.  Mas, depois de um começo tão Heavy e veloz, o lado Hard da banda surge em “Love Tyger”. E com direito a estampa de oncinha, bandana na cabeça, beicinho, caras e bocas em uma música simples, energética, festiva, guiada por riffs e refrão melódicos ao melhor estilo “Metal farofa de Los Angeles”. Algo que lembra bandas americanas de sucesso no final dos anos 80 e começo dos anos 90 como Poison. A parte lírica fala que Tobias quer “salvar” um monte de gente com o próprio amor animalesco selvagem. 

The Realms of Baba Yaga” traz de volta o Heavy Metal das primeiras faixas do álbum só que com toques de Hard evidente nas guitarras. A letra é sobre a bruxa Baba Yaga um personagem folclórico típico do leste europeu. Realmente o grupo não leva totalmente a sério mesmo tocando Metal... E isso é ótimo! Todos os integrantes do Edguy são fãs de música dos anos 80, independentemente de rótulos. Tobias Sammet especialmente gosta muito do cantor Pop austríaco Falco (falecido em 1998). Por isso, eles resolveram fazer um cover do hit “Der Kommissar”. Mas como a letra fala sobre drogas, o produtor Sasha Paeth aconselhou que gravassem “Rock Me Amadeus” (sucesso em 1986). Gostaram tanto do resultado que resolveram lança-lo no álbum em si e não como bônus. É engraçado ouvir Tobias cantando de forma tão exagerada em inglês só que com sotaque austríaco em estilo rap. 

Do Me Like a Caveman” começa com intro rápida e com piano em evidência. O instrumento acompanha a “cozinha” muito bem ao longo da música. Refrão e solos bem grudentos de tão melódicos. Apesar da sonoridade, a letra é bem cômica. É de um sujeito que sente as paredes tremerem e escuta sussurros fantasmagóricos do outro lado... Seria um espírito? Não... É apenas um casal transando! “Me faça como um homem da caverna”. A longa “Shadow Eaters começa com a guitarra bem em destaque e segue com velocidade e melodia no estilo Power Metal. Apesar disso, ela em si apresenta um formato mais progressivo com variações entre a rapidez e momentos mais calmos contando com passagem até ao piano. A penúltima faixa é uma balada ao melhor estilo Bon Jovi pós-Metal farofa (anos 90 em diante). Calma e com a bateria bem destacada. Refrão em coro e tudo com bastante harmonia. Feita para se cantar balançando os braços de um lado para o outro. 

A última música é a longa “The Eternal Wayfarer”. São quase 9 minutos de Power Metal épico com os teclados em evidência em vários momentos. Lembra o estilo dos suecos do Sabaton. Refrão bom para cantar junto. A versão com faixas extras de “Space Police: Defenders of the Crown” traz 7 bônus. A primeira é a cara do Edguy. Aparentemente ela é uma balada ao piano, mas a letra... E uma declaração de amor pra lá de debochada para a Inglaterra. Exalta as grandes e maravilhosas contribuições. Viena pode ter Mozart, a França pode ter Paris e Roma o Papa, mas a Inglaterra tem STEVE HARRIS!!! E não suficientemente ainda criaram Bruce Dickinson, o Iron Maiden, os Beatles, o Def Leppard, Shakespeare, chá da tarde, o Mr.Bean, comida indiana... Enfim, em entrevista a revista Roadie Crew (edição #186 – julho de 2014) o guitarrista Dirk Sauer disse que Tobbias ama a “Terra da Rainha”. 

E os ingleses do Def Leppard, aliás, é uma clara influência na balada oitentista “Aychim in Hysteria”. Homenagem ao som do grupo na época do lançamento do álbum multiplatinado “Hysteria” em 1987. Bem melódica, calma e cheia de harmonia para ir crescendo até o forte refrão repetitivo e grudento. Vale salientar que os primeiros segundos da canção faz referência direta a “Pour Some Sougar On Me” do Leppard. A versão “progressiva” de “Space Police” não tem praticamente nada de diferente da original a não ser pela interpretação caricata, exagerada e cômica de Tobias Sammet a certa altura. Encerra a versão do álbum com bônus quatro faixas instrumentais de músicas oficiais do próprio lançamento: “Space Police”, “Love Tyger”, “Defenders of the Crown” e “Do Me Like a Caveman”. 

O álbum “Space Police: Defenders of the Crown” recebeu ótimas críticas tanto por parte de público quanto de crítica especializada. Na Bélgica entrou pela primeira vez nas paradas atingindo a posição 190. Na Espanha chegou a 154ª, na França em 72ª, na Suécia em 28ª, na Áustria em 27ª - a melhor posição já conquistada por um lançamento do grupo neste país, na Suíça em 13ª – mesma colocação do antecessor, na Finlândia em 12ª – o mesmo que aconteceu na Áustria e o mesmo vale para terra natal do Edguy que chegou a 2ª posição das paradas. De modo geral, a recepção do álbum foi ótima. Alguns, com era de se previr, não gostaram das excentricidades de faixas como “Rock Me Amadeus”. Mas muitos apontaram este lançamento como o melhor desde “Hellfire Club” (2004). “Space Police: Defenders of the Crown” é mais “Metal” que o antecessor “Age of the Joker”. O peso está mais presente (velocidade, bumbos duplos, vocais agudos, riffs...), porém ainda há espaço para o som acessível e energético do Hard Rock. A diferença é aqui ele aparece concentrado em faixas específicas e não diluído em todo o material. As melodias marcantes ainda são um dos fortes do grupo, mas não soam como Power Metal. “Space Police...” é um ótimo trabalho de Heavy Metal e que mostra as qualidades da banda que sabe muito bem transitar de faixas de Heavy tradicional (“Defenders of the Crown”), ao Glam Metal (“Love Tyger”) e a baladas ao piano (“Alone in Myself”), sem contar, é claro, do maior diferencial do Edguy que o bom humor dos integrantes (“England”). Eles são definitivamente talentosos e sabem que são bons o suficiente a ponto de tocarem o que gostam independentemente da opinião alheia... Incluindo o dos próprios fãs. 


Faixas (clique e ouça):
6- Rock Me Amadeus  (cover de Falco)
10- The Eternal Wayfarer
11- England  (bônus)
12- Aychim in Hysteria  (bônus)
14- Space Police (instrumental version)  (bônus)
15- Love Tyger (instrumental version)  (bônus)
16- Defenders of the Crown (instrumental version)  (bônus)
17- Do Me Like a Caveman (instrumental version)  (bônus)



                                                                                    Opinião do autor:
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Nota do álbum.
Banda: Edguy
Ano: 2014
Álbum de estúdio nº 10
Gravadora: Nuclear Blast
Gênero: Heavy Metal
País: Alemanha


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