sábado, 31 de janeiro de 2015

Resenha: Black Veil Brides "Set The World On Fire" (2011)


Com o álbum de estreia “We Stitch These Wounds”, lançado no ano anterior, o Black Veil Brides chamou atenção da mídia Rock/Metal (positiva e negativamente). A gravadora Universal Republic Records (uma subsidiária da Universal Music Group) contratou o grupo. Já em 2011, em um selo maior, começaram a produzir um novo álbum em Los Angeles (no Pulse Recording Studios) em parceria com o produtor Josh Abraham (Korn, Linkin Park, Thirty Seconds to Mars, Velvet Revolver, etc.). Em um selo maior e melhor a sonoridade foi modificada. “Set The World On Fire” foi lançado em 14 de junho de 2011. O Metalcore do debut foi substituído por um Alternative Metal composto por uma mistura de vários subgêneros do Metal. Ainda tem Metalcore, mas fracionado e até inferior aos elementos de Thrash Metal e, principalmente, de Hard Rock e Heavy Metal. Os vocais screamos outrora tão presentes agora se apresentam em doses ínfimas. O visual carregado continuava, porém... Também foi alterado. O estilo “Emo” deu espaço para o “Glam Metal versão dark”. A capa mostra isso. Segue a mesma linha das utilizadas pelas bandas de Hard Rock dos anos 80 como Motley Crüe “Shout At The Devil” (1983), Cinderella “Night Songs” (1986), Poison “Look What The Cat Drag In” (1986) e afins com os integrantes em evidência com cabelos armados e com o visual andrógeno bem produzido. 

Com exceção da baterista Sandra Alvarenga que saiu e foi substituída por Christian "CC" Coma, a formação foi mantida com Andy Biersack (vocalista), Ashley Purdy (baixo) e os guitarristas Jake Pitts e Jinxx. O álbum começa surpreendendo o ouvinte com o peso, riffs e a velocidade do Thrash Metal. Ela já apresenta a nova proposta do grupo. Os vocais de Andy estão limpos e não há utilização de agressividade (screamos) em “New Religion”. E esta “nova religião” é formato por todos aqueles que foram tratados com sujos e rejeitados condenados por serem diferentes. Acusações feitas pela sociedade em geral, mas principalmente pela religião: “We are the unholy. We are the bastard sons of your media culture. Our minds, eyes and bodies were born of your exclusion. An illusion you hide behind. You don't love a God, you love your comfort. To you we are filth, we are dirty. So be it. We are dirty and unclean. A congregation of the unseen. Together we will set this world on fire. This is the new religion. Amen!./ Nós somos o profano. Nós somos os filhos bastardos de sua cultura midiática. Nossas mentes, olhos e corpos nasceram em sua exclusão. Uma ilusão de que você se esconde atrás. Você não ama um Deus, você ama o seu conforto. Para você nós estamos imundos, nós estamos sujos. Que assim seja. Nós estamos sujos e impuros. A congregação dos invisíveis. Juntos, vamos deixar esse mundo em chamas. Esta é a nova religião. AMÉM!” 

A faixa-título é um pouco mais calma e traz alguns elementos de Hard Rock/Metalcore na melodia e tem o refrão bem destacado. Destaque para o solo rápido e virtuoso. A letra é motivadora e fala que o ouvinte não pode ter vergonha de ser quem é e lutar mesmo sob pressão alheia: “Fight for all you know. When your backs against the wall. Stand against the liars. Stronger than before. When your life becomes a war. Set the world on fire./ Lute por tudo que você sabe. E quando lhe colocarem contra a parede. Oponha-se ao mentirosos. Mais forte do que antes. E quando sua vida se tornar uma guerra. Coloque o Mundo Em Chamas.” A influência de Hard Rock (“Metal farofa”) dos anos 80 já é evidenciada nos primeiros segundos de “Fallen Angels” com o coro: “Scream, shout./ Grite! Berre!” Lembra muito o coro da música “Shout At The Devil” do Mötley Crüe. A guitarra é grande destaque deste Hard melódico, mas energético, assim como o refrão grudento. A parte lírica continua seguindo a tônica libertária: “We're bored to death in heaven. And down alone in hell. We only want to be ourselves. We scream, we shout. We are the fallen angels./ Estamos entediados até a morte no céu. E sozinhos no inferno, Nós apenas queremos ser nós mesmos. Nós gritamos! Nós berramos! Nós somos os anjos caídos!” 

Em seguida, Love Isn't Always Fair” começa com uma intro longa e pesada. E ela segue com variações de momentos calmos e rápidos, leveza e peso. Andy usa bastante os vocais mais baixos. O destaque vai para o trabalho de guitarras. Em uma faixa sobre desilusão amorosa: “You always want the one that you can't have. Cuz' Love Isn't Always Fair./ Você sempre quer o que você não pode ter. Porque o amor nem sempre é justo.” O Hard Rock moderno vem na cadenciada “God Bless You”. O “beijinho no ombro” do Black Veil Brides é o “deus te abençoe”, pois fala sobre, novamente, problemas no campo do amor: “You left me with these broken lies. And I let you. Got no more time for your goodbyes. So god bless you./ Você me deixou com essas mentiras quebradas. E eu deixei você. Não tenho mais tempo para suas despedidas. Então, que Deus te abençoe.” 

A melodia simples, o ritmo e a construção em crescente até o refrão “pra cima” fazem de “Rebel Love Song” uma música extremamente chiclete. É sobre o amor bandido, rebelde e que segue a linha de “Romeu & Julieta” ou (em uma metáfora mais contemporânea) no romance entre uma humana e um vampiro na saga literária Crepúsculo. Quem precisa da aprovação dos outros quando se tem o mais importante: a paixão da vida ao seu lado. So take your hand in mine. It's ours tonight. This is a rebel love song. Hearts will sacrifice. It's do or die. This is a rebel love song. Wild and running for one reason. They can't stop us from our freedom./ Coloque sua mão na minha. Essa é nossa noite. Isto é uma Canção de Amor Rebelde. Corações vão se sacrificar. É fazer ou morrer. Isto uma Canção de Amor Rebelde. Selvagens e correndo por uma razão. Eles não podem impedir nossa liberdade.” 

Depois, vem a balada “Saviour”. A voz rouca de Biersack combina com este tipo de sonoridade mais sentimental e de melodia mais triste. Leve, ao violão, com toques de violino, batidas suaves de bateria e um refrão bem destacado. A parte lírica é de cunho protetivo: “Saviour. Will be there. When are feeling alone, oh./ O Salvador. Estará lá. Quando estiver se sentindo sozinho, oh.” A cozinha de “Legacy” se destaca com o baixo bem na cara. Também segue a linha do Hard Rock com a guitarra em evidência e refrão grudento e melódico para cantar junto. Os screamos quase extintos no álbum aparecem aqui. Ela pode ser interpretada como de autoajuda, mas deve ser vista, principalmente, como uma resposta a todos os críticos que fazem ataques ofensivos para a própria banda: “We came from nothing. But promise one thing. We'll change the world with these guitars. So listen closely. And don't stop working. No one can tell you who you are (tell you who you are)./ Viemos do nada. Mas prometo uma coisa: Nós vamos mudar o mundo com essas guitarras. Então ouça com atenção. E não pare de trabalhar. Ninguém pode dizer quem você é (diga quem você é).” 

Já “Die for You” mostra Andy cantando de uma forma mais despojada em uma faixa mais simples e sem agressividade. A letra tem aquele apelo clichê emo envolvendo automutilação: “I bleed for you. Forever I will lie awake. I would die for you. I see the truth. I've given you my heart to break. I would die for you./ Eu sangro por você. Para sempre eu fico acordado mentindo. Eu morreria por você. Eu vejo a verdade. Eu te dei meu coração para você quebrar. Eu morreria por você.” Os primeiros acordes melódicos e em crescente de Ritual já grudam na mente. Leve e acessível, tem certo apelo radiofônico. Refrão e riff memoráveis em uma faixa sobre ser feliz sem se importar com o julgamento alheio: “Rise up and celebrate your life. We're not alone in our ritual. Sing for what you feel inside. Becoming one with our ritual./ Levante-se e celebre sua vida. Nós não estamos sozinhos no nosso ritual. Cante pelo o que você sente por dentro. Torne-se um com o nosso ritual.” 

A última faixa é “Youth and Whisky”. O peso e velocidade voltam, mas com uma clara influência de Thrash em certo momentos. Porém as melodias acessíveis da banda ainda estão presentes. A letra é uma ode ao whisky: “My temple's full of crazy. (Youth and whisky). No sorrow left inside me./ Meu templo está cheio de loucos. (Juventude e whisky). Nenhuma tristeza foi deixada dentro de mim.” Ainda há uma faixa bônus: “Smoke and Mirrors. Apesar de ser um extra, esta faixa não se distingue muito das demais. É um pouco mais “calma”, no entanto. Tem um certo lado Hard Rock e um refrão pra cantar junto. A faixa iria ser usada como trilha do filme de terror “Pânico 4” (2011), mas acabou de fora do projeto. Porém, sendo utilizada em “Transformers 3” (2011), além de ser trilha do evento de luta WWE Hell in a Cell (2011). O Black Veil Brides ganhou vários prêmios naquele ano: o vocalista Andy Biersack foi eleito pela revista americana Revolver como uma das 100 maiores estrelas do rock vivas, já a publicação também americana Alternative Press elegeu a banda como a melhor do ano e o baterista Christian "CC" Coma o melhor neste instrumento. Nas paradas de sucesso, “Set The World On Fire” alcançou a 73º posição no Canadá, 17º nos Estados Unidos e o 3º lugar no Reino Unido. 

As críticas foram mistas. A mudança sonora foi notada como sendo interessante, mas as críticas negativas na maioria foram feitas ao alto grau de importância dada pelo grupo a respeito da imagem. Os críticos afirmaram que o Black Veil Brides estava mais preocupado com isso comparado a música. Disseram que estes mesmo em outro estilo permaneceram criando músicas genéricas, cheio de corinhos “oh,oh,oooohhhh”, sem riffs marcantes de guitarra e de letras prepotentes, por exemplo. De fato, o Hard Rock é um gênero movido por riff marcantes, bem destacados e memoráveis. Interessante notar, porém, é o fato que o Black Veil Brides mesmo se enverando por este segmento em várias faixas (mesmo acessíveis) não produziu estes ganchos para o público. Mesmo assim, o timbre das guitarras é bom, assim como a proposta do visual os diferenciarem dos demais grupos novos atuais. Para atrair um público diferente (talvez mais velho) a banda deveria trabalhar em um estilo mais próprio, mas acho que essa não é a intenção do grupo... 



Faixas (clique e ouça):
1- New Religion
2- Set the World on Fire
3- Fallen Angels
4- Love Isn't Always Fair
5- God Bless You
6- Rebel Love Song
7- Saviour
8- Legacy
9- Die for You
10- Ritual
11- Youth and Whisky
12- Smoke and Mirrors (bônus)


                                                                                    Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.
Banda: Black Veil Brides
Ano: 2011
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Lava Records / Universal Republic
Gênero: Alternative Metal
País: Estados Unidos


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