sábado, 14 de fevereiro de 2015

Resenha: Bring Me The Horizon "Suicide Season" (2008)



Para evitar “distrações” e focar-se no novo álbum, os britânicos do Bring Me The Horizon deixaram a “Terra da Rainha” e foram até a Suécia gravar a nova obra. Na pequena cidade de Arboga no interior do país, simplesmente, não havia nada para fazer. Algo bem de diferente de Birmingham na Inglaterra onde foi registrado o primeiro lançamento. Com a ajuda do produtor Fredrik Nordström, a banda produziu “Suicide Season”. Lançado em 29 de setembro de 2008 (na Europa e em 18 de novembro nos Estados Unidos) pela Visible Noise apresenta uma mudança sonora. O peso, agressividade e velocidade do Deathcore da estreia em “Count Your Blessings” foi substituído por um estilo mais eclético. Há passagens melódicas, atmosféricas e mais espaço para os vocais limpos de Oliver Sykes (também responsável pelo teclado em estúdio) acompanhado de Curtis Ward e Lee Malia (guitarras), Matt Kean (baixo) e Matt Nichols (bateria). A mesma formação do antecessor. 

A fúria estava intacta, mas era uma sonoridade mais acessível comparado ao debut. De fato, o Bring Me The Horizon se transformou em grupo de Metalcore. Isso fica evidente já na abertura com “The Comedown” onde mostram flertes com toques eletrônicos. Em uma composição com uma estrutura não tão reta e simples de um Deathcore: “I've made my bed so i'll lie in it. I've dug my grave so god help me die in it. I dug my grave. So I’ll lie in it. I've made my bed, so I’ll die in it./ Eu já fiz minha cama, então deitarei nela. Eu já cavei meu túmulo então Deus me ajude a morrer nele. E eu cavei meu túmulo. Então eu deitarei nele. Eu fiz minha cama, então eu morrerei nela”. 

Oliver começa “Chelsea Smile” chamando atenção do público até dar espaço para um “breakdown” maravilhoso e viciante. Metalcore bem tradicional com os vocais screamos intercalados com os cleans, mas também há uma passagem atmosférica. Letra fala sobre segredos que não podem ser revelados e que “corroem” a vida de quem os possuem: “We all carry these things inside that no one else can see. They hold us down like anchors, they drown us out at sea. I look up to the sky, they may be nothing there to see. But if I don't believe in him... Why would he believe in me?/ Todos nós carregamos coisas dentro que ninguém mais pode ver. Puxam-nos para baixo como âncoras, nos afogam no mar. Eu olho para o céu, talvez não tenha nada para ver. Mas se eu não acredito nele... Por que ele acreditaria em mim?” 

A levada da faixa seguinte “It Was Written In Blood” é mais calma e atmosférica. No entanto, o vocal “revoltado” Oliver fica bem evidente. Com o tempo ganha peso, mas intercala-se com momentos mais leves. A parte lírica é uma reflexão a respeito dos fins de relacionamento: “Goodbye my friend, goodbye. My love, you're in my heart. It was preordained that we should part. We're united by and by, united by and by. Goodbye. No handshake to endure, there was nothing./ Adeus, meu amigo. Adeus. Meu amor, você está no meu coração. Foi predeterminado que nos deveriamos nos separar. Nós estamos unidos lado a lado, Unidos lado a lado. Adeus. Sem aperto de mão a suportar, Não foi nada.” 

O peso volta em “Death Breath” que segue alterando peso com leveza e screamos com vocais limpos. Destaque para o breakdown e a bela melodia ao final. Sem o lado romântico dos góticos, o resultado de uma faixa que fala sobre vampiros pelo Bring Me The Horizon é divertida e ao mesmo despojada: “We're all vampires and we own this fucking night. I want to sink my teeth into all of you. All of you. If only I could make you see, how sweet this could be./ Nós somos vampiros e somos donos da porra da noite. Eu quero enterrar os meus dentes em você. Em você toda. Se pelo menos eu conseguisse fazer você ver, como isto podia ser doce.” 

As características do primeiro álbum voltam em “Football Season Is Over”. Curta, agressiva, frenética e cheia de screamos. Há ainda a participação especial no coro Hardcore do australiano JJ Peters da banda Deez Nuts. O humor juvenil do grupo fica evidente na letra de ode às festas: “Party till you pass out, drink till your dead. Dance all night till you cant feel your legs./ Festeje até você desmaiar, beba até a morte. Dance a noite inteira até não conseguir sentir as pernas.” A intro de “Sleep with One Eye Open” deve ser ótima ao vivo. 

O começo atmosférico logo é substituído pelo peso das guitarras. E vem um sonoro coro: “Fuck You!” A velocidade dita a faixa cheia de screamos. O refrão é energético e empolga. Finalizada com um ótimo breakdown. O clima raivoso combina com a letra odiosa sobre traição, rancor e vingança... E um aviso... É melhor você dormir com um olho aberto a partir de agora: “Sleep with one eye open. If I had it my way I'd slit your throat with the knife you left in my back. All the shame, all this guilt, all this regret, that's me./ Durma com um olho aberto. Se eu tivesse feito isso do meu jeito, eu cortaria sua garganta com a faca que você deixou em minhas costas. Toda a vergonha, toda essa culpa, todo esse arrependimento, sou eu.” 

A mesma estrutura da música anterior segue em “Diamonds Aren't Forever”. A diferença é que aqui a cadência substitui a velocidade, apesar do início. A parte lírica é cheia de pessimismo: “We're all going to Hell, we may as well go out in style. Death is a promise, and your life is a fucking lie. We will never sleep, 'cause sleep is for the weak. And we will never rest, 'til we're all fucking dead./ Estamos todos indo para o inferno, nós podemos também ir com estilo. A morte é uma promessa, e sua vida é uma maldita mentira. Nunca vamos dormir, porque dormir é para os fracos. E nunca descançaremos, até estarmos todos mortos.” 

Depois de duas faixas furiosas, o contraste com o início frio e atmosférico de “The Sadness Will Never End”. A velocidade vem, no entanto, mas com o peso comedido. Sykes usa vocais limpos em uma das músicas mais experimentais da carreira da banda até este momento. A faixa ainda conta com a participação de Sam Carter vocalista da banda Architects. Os vocais limpos de Carter deixam a faixa ainda mais Metalcore, por causa contrastante com o peso. A letra sobre um sujeito que tenta salvar a namorada depressiva de um suicídio: “I won't give up on you. These scars won't tear us apart. So don't give up on me. It's not too late for us. I'll save you from yourself./ Eu não vou desistir de você. Estas cicatrizes não vão nos separar. Então não desista de mim. Não é tarde para nós. Eu vou salvar você de você mesma.” 

Com apenas um minuto, talvez, esta seja a mais brutal da carreira da banda. É “provável” que o tempo gasto para ler o título dela seja maior que a duração da própria: “No Need for Introductions, I've Read About Girls Like You On the Backs of Toilet Doors”. A introdução até que engana o ouvinte com o estilho “musiquinha de sala de espera ou elevador”, porém em poucos segundo descamba para Deathcore ao melhor estilo “Count Your Blessings”. A parte lírica raivosa (tanto quanto a música) soa como uma resposta a um problema ocorrido em 2007. Após um show em Nottingham na Inglaterra uma fã acusou o vocalista Oliver Sykes te ter urinado nela por não querer transar com ele. A questão na justiça seguiu até 2008 quando Sykes foi inocentado no caso por falta de provas... Normalmente, quando uma garota inspira uma banda a escrever uma letra, é sempre em tom de homenagem em amor... Definitivamente, este não foi o caso: “For people like you, there is no such thing as an early grave. You wanted to gut my dreams 'til I was empty. And show everyone my remains. And after everything you put me through, I should've fucking pissed on you./ Para pessoas como você, não existe tal coisa como uma morte prematura. Você quis esvaziar meus sonhos até não sobrar nada de mim. E mostrar a todos meus restos. E depois de tudo o que você me fez passar, eu deveria ter mijado em você.” 

Encerra a obra a faixa-título “Suicide Season”. Em contraste com a anterior, esta começa cadenciada e intercalando vocais limpos desesperados com screamos de Oliver. Dramática e arrastada, também possui passagens atmosféricas. Fala sobre suicídio e novamente a tentativa de um sujeito em fazer com que o amigo não desista da esperança em dias melhores: “If only sorrow could build a staircase. Or tears could show the way. I would climb my way to heaven. And bring him back home again. Don't give up hope, my friend. This is not the end./ Se só o sofrimento pudesse construir uma escada. Ou lágrimas pudessem mostrar o caminho. Eu escalaria para o céu. E o traria para casa novamente. Não desista da esperança, meu amigo. Esse não é o fim.” 

A recepção da crítica foi mista. Alguns apontaram com “evolução” a saída do Bring Me The Horizon do Deathcore para um Metalcore com flertes de experimentação. Graças a esta obra, estes britânicos entraram pela primeira vez no Top 200 da Billboard americana. Alcançaram mais precisamente a 107º colocação nos Estados Unidos. Na Holanda chegaram a 99º posição, 47º no Reino Unido (terra natal), 28º na Austrália e 27º na Suécia (onde gravaram). No ano seguinte, em 2009, lançaram uma versão remix de “Suicide Season” em versão hip hop/música eletrônica. Em 2011, a tradicional e respeitada revista inglesa Kerrang! colocou o álbum entre “os 50 mais pesados de todos os tempos” na 21ª colocação. De fato, o Bring Me The Horizon mostrou uma mudança sonora latente em relação ao primeiro registro e principalmente ao EP  de 2004 “This Is What the Edge of Your Seat Was Made For”. Eles ousaram e se recriaram. A fúria do Metal estava agora abraçada a passagens mais melódicas e a toques atmosféricos experimentais. Também a de se reparar a exclusão dos solos de guitarra fora a maior utilização de vocais limpos de Sykes. Oliver, aliás, apresentou em vários momentos um estilo vocal de “desespero” cheio de sentimento. A parte lírica em certas faixas apresentava um amadurecimento. Temas como depressão, tristeza e suicídio foram abordados como nas faixas 3 e 8, mas, ao mesmo tempo, há o revide histérico juvenil imaturo da faixa 9. Aqui também estão presentes alguns dos melhores breakdowns de todo o estilo em si como em “Chelsea Smile”. “Suicide Season” marca um momento de transição do Bring Me The Horizon como um todo. A metamorfose estava apenas começando... 


Faixas (clique e ouça):



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.

Banda: Bring Me The Horizon
Ano: 2008
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: Visible Noise, Earache Records
Gênero: Metalcore
País: Reino Unido


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