quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

Resenha: Dead By April "Let The World Know" (2014)























No início de 2013, via Facebook, a banda de Metalcore sueca Dead By April, anunciou a saída de Jimmie Strimmel, um dos fundadores do grupo e que era responsável pelos vocais screamo. O motivo alegado desta desvinculação seria os problemas pessoais que estavam atrapalhando não só o próprio músico como a banda em si. Supõe-se que Jimmie estaria viciado em drogas. Strimmel é então substituído por  Christoffer Andersson. Com Andersson nos vocais rasgados, Alexander Svenningson (bateria), Marcus Wesslén (baixo), Pontus Hjelm (guitarra e teclado) e Zandro Santiago (vocais limpos) o Dead By April lança em 12 de Fevereiro de 2014 o terceiro álbum do grupo: “Let The World Know”. Pela gravadora Universal music. A banda mantém as mesmas características das duas primeiras obras, porém investe aqui um pouco mais em elementos mais melódicos e pops como nos efeitos eletrônicos e, principalmente, graças aos vocais de Zandro.  

Beautiful Nightmare” começa com toques de teclado à la piano e em seguida mostra o resumo do que a sonoridade deles: a mistura de vocais gritados e cantados, passagens mais pesadas de Metal em contraste com outras tão pops que lembram Brackstreet Boys, além da combinação entre o peso das guitarras e a melodia latente dos teclados. O mesmo estilo é seguindo em “Abnormal”. A diferença aqui é a utilização do efeito eletrônico dubstep, além do bom breakdown ao final. O destaque, no entanto, vai para a letra. Uma resposta àqueles que praticam bullying: “Who are you to call me abnormal? Who are you to say ugly? If you only knew how much it hurts me, it hurts me. I could ask: "Have you seen yourself in the mirror?" I'd rather keep my dignity. 'Cause it is my right to feel happy, happy./ Quem é você para me chamar de anormal? Quem é você para dizer feio? Se você soubesse o quanto isso me machuca, me machuca. Eu poderia perguntar. "Você já se olhou no espelho?" Eu prefiro manter a minha dignidade. Porque isso é o meu direito de me sentir feliz, feliz.” 

A velocidade do tradicional Metalcore marca o início de “Empathy”. O refrão é acessível, mas nada que se compare ao coro “oh, oh, oh” no meio da faixa. Destaque para o breakdown e a repetição do corinho para grudar na mente e se tornar um momento interessante ao vivo durante o show. A letra fala da dificuldade em gerar empatia entre duas pessoas: “Before you start judging. Try hard to see the person I am. I'm caring. I'm humble and understanding. I ask for your empathy. To think of me as friendly. To escape this reality. I will need your empathy./ Antes de começar a julgar. Tente difícil ver a pessoa que eu sou. Estou cuidando. Eu sou humilde e compreensão. Peço sua empatia. Para pensar em mim como amigável. Para escapar dessa realidade. Vou precisar de sua empatia.” A seguinte, “Done With Broken Hearts” começa pop e calma, mas logo ganha um pouco de peso e um pouco de scream vocals. Há até a utilização (propositalmente clara) de auto tune e distorção de voz à la Daft Punk. 

Já “As a Butterfly” tem o peso do Metal compassado acompanhado do teclado em evidência. Aliás, principalmente, no refrão soa como algo de Coldplay. A parte lírica conta a despedida de um indivíduo prestes a falecer: “I cannot stand by you! Till the end of the world. Like I said I would do! No, I won't be able to. Help you carry the weight of the world. My time has come. Silent as a butterfly! I'll be flying beside you. Watching above you! Silent as a butterfly!/ Eu não posso ficar do seu lado! Até ao final do mundo. Como eu disse que eu faria! Não, eu não vou ser capaz. De ajudá-la a carregar o peso do mundo. Chegou a minha hora. Silencioso como uma borboleta! Eu vou estar voando ao seu lado. Assistindo você de cima! Silencioso como uma borboleta!” O peso e a velocidade voltam em “Same Star”. O bateria arrisca até um quase blast beats e são os vocais screamos que prevalecem. Já os limpos aparecem no refrão e tornando a faixa, talvez, aquela com o mais acessível e grudento. Apesar da agressividade latente, a parte lírica fala da saudade causada pelo amor: “I turn to the sky wondering where you are. Wondering where you are. I wonder if we look up on the same star. Same star./ Viro-me para o céu perguntando onde você está. Querendo saber onde você está. Eu me pergunto se nós olhamos para cima na mesma estrela. A mesma estrela.” 

O lado mais sauve e radiofônico (quase uma powe-ballad Pop) do Dead By April está presente na faixa-título “Let the World Know”. Na parte lírica, a vontade de contar aos “quatro ventos” o que se sente: “Write it in magazines, in the papers. Put it all over the news, let 'em hear it. I wanna let the world know. How I feel, how I feel, how I feel. Cause I'm living my dreams to the fullest. Forever you and me. Nothing can intervene. I wanna let the world know. How I feel, how I feel, how I feel./ Escreva nas revistas, nos jornais. Coloque em todos os noticiários, deixe eles ouvirem. Eu quero que o mundo saiba. Como eu me sinto, como eu me sinto, como eu me sinto. Porque eu estou vivendo meus sonhos ao máximo. Para sempre você e eu. Nada pode intervir. Eu quero que o mundo saiba. Como eu me sinto, como eu me sinto, como eu me sinto.” 

Peso e screamos, além de breakdown, marcam o começo de “Peace of Mind”. Também chama a atenção o refrão de fácil memorização. Metalcore clichê, mas bem feito e com toques eletrônicos. Esta é motivacional e diz que você deve sair da sua zona de conforto e trabalhar duro para atingir seus objetivos: “Staying within your comfort zone. May feel saved, but it can have you fooled. It's treacherous. It's deceiving./ Ficar dentro de sua zona de conforto. Pode se sentir salvo, mas pode te enganar. É traiçoeiro. É enganoso.” Começa com toques eletrônicos e atmosférica “Freeze Frame”. Tudo bem Pop. Predomina a música eletrônica combinada aos clean vocals. O destaque em “Infinity x Infinity” é o riff. A faixa segue mais agitada até o refrão mais arrastado. 

My Tomorrow” é outra que mistura o peso do Metal com os toques de teclado que lembram piano. O refrão “pra cima” chama atenção. “Hold On” se foca nos screamos e breakdowns. A balada do álbum é “Replace You”. Romântica, suave, sentimental, completamente acessível e memorável. A atmosfera criada pela melodias dos violinos a deixam extremamente pronta para ser tocadas nas rádios: “There's nothing here in the world. That can replace you, no. There's nothing here in the world. I can face without you, no./ Não há nada aqui no mundo. Que possa te substituir, não. Não há nada aqui no mundo. Eu posso encarar sem você, não.” Na versão japonesa do álbum, há uma faixa bônus. Inicia-se leve e atmosférica “Cause I Need You”. E segue nesse estilo e com doses homeopáticas de peso. Tudo muito acessível e com um refrão extremamente chiclete! “Cause I Need You, Need You, Need You./ Porque eu preciso de você, preciso de você, preciso de você ”.  

Novamente, o Dead By April atingiu as posições mais altas da parada musical sueca, mas conquistou com a obra “apenas” no máximo a 5ª colocação. Enquanto que os dois álbuns antecessores da banda chegaram ao 2º lugar. Apesar da curta carreira (iniciada em 2007), a troca de integrantes, infelizmente, marca a história do grupo. Até agora estes suecos não conseguiram lançar dois álbuns consecutivos com a mesma formação e continuarão não conseguindo... Depois de gravar “Let The World Know” em estúdio, o baterista (e também um dos fundadores) Alexander Svenningson sai do projeto e é substituído por Marcus Rosell. Isso no início de 2014. Porém, no final deste ano foi a vez do vocalista Zandro Santiago dizer adeus. Com isso, o guitarrista e tecladista Pontus Hjelm reassume o posto que, aliás, o pertencia entre 2009 e 2010 até dar lugar ao próprio Zandro. “Let The World...” apresenta as mesmas características de “Dead By April” (2009) e “Incomparable” (2011), ou seja, o mix do peso do Metal com as melodias acessíveis do Pop/eletrônico radiofônico. A agressividade das guitarras combinadas com as harmonias provenientes dos teclados e os vocais limpos e gritados intercalados marcam o estilo do Dead By April. Mas, aqui existem algumas diferenças. Santiago ganhou mais espaço para cantar e usou e abusou do estilo limpo. O problema é que combinado com a produção em si o resultado às vezes “açucarado” demais e enjoativo/choroso. Esta mesma que também vale ressaltar que tirou um pouco de peso das guitarras. Elas estão mais “opacas” e sem os graves. Homogêneo, este álbum (e a banda em si) segue a linha do ame ou odeie. Acredito que os metaleiros mais radicais vão rotulá-los de “Backstreet Boys do Metal”, porém, de fato, é uma ótima porta de entrada para quem quer se acostumar com os vocais gritados do Metal, mas sem perder os ganchos da música popular de rádio FM.

Faixas (clique e ouça):
3- Empathy
12- Hold On
14- Cause I Need You  (bônus)



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.

Banda: Dead By April
Ano: 2014
Álbum de estúdio nº 3
Gravadora: Universal Music
Gênero: Metalcore
País: Suécia



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