sábado, 21 de fevereiro de 2015

Resenha: Edguy "Vain Glory Opera" (1998)






















Após o lançamento do álbum de estreia “Kingdom of Madness”, no ano anterior, o baterista da banda Dominik Storch decide deixar o grupo. Sem tempo para encontrar um músico para a posição a banda alemã Edguy pede ajuda para o amigo do grupo Frank Lindenthal. Com ele em estúdio gravam o segundo álbum: “Vain Glory Opera”. Lançado em 15 de janeiro de 1998. Além de Lindenthal, a formação era composta por Dirk Sauer e Jens Ludwig nas guitarras e Tobias Sammet no baixo, teclado e vocais. Ao vivo, no entanto, as baquetas ficaram a cargo dali em diante nas mãos de Felix Bohnke. Sammet queria ficar mais solto no palco durante os shows, por isso contratou o baixista Tobias Exxel para que pudesse focar apenas nos vocais e na performance com o público. Gravado pelo selo AFM na cidade de Fulda no Toxic Beat Studio na Alemanha e com produção de Andy Allendörfer e Nils Wasko. Além de mixagem de Timo Tolkki (então guitarrista da banda finlandesa Stratovarius também de Power Metal). 

As “boas vindas” são dadas pela abertura com “Overture”. Intro pomposa/épica composta apenas por sinfonia, coros no refrão e os vocais de Tobias Sammet: “Nowhere to run. Nowhere to go. Welcome to life damnation. Welcome to fun. Welcome to hope. Here is your invitation./ Nenhum lugar para correr. Nenhum lugar para ir. Bem vindo à danação da vida. Bem vindo à diversão. Bem vindo à esperança. Aqui está o seu convite.” O peso, melodia e velocidade do Power Metal aparecem com “Until We Rise Again”. Som memorável e que possui um vocal em coro acompanhado e violinos. A letra futurista (se passa em 2080) fala que os humanos precisam ser rebelar contra a escravidão criada pelos robôs... Algo bem na linha do roteiro do filme “O Exterminador do Futuro”: “Oh our deepest emotions. Are a sign of our life and our love. No robot can stop us. Take my hand./ Nossas mais profundas emoções. São um sinal de nossa vida e nosso amor. Nenhum robô pode nos parar. Pegue minha mão.” 

A seguinte, “How Many Miles” começa com teclado e bateria bem destacadas. Uma composição com uma estrutura mais simples e direta de Heavy tradicional, mas é claro, sem deixar o lado melodioso do Power de lado. Refrão bem repetitivo. A parte lírica fala sobre a fé nos próprios sonhos em contraste com as dificuldades de se viver até que estes se tornem realidade: “How many miles to the gate of reality. How many steps left to go to my dreams. How many miles to the land where my dreams come true./ Quantas milhas até o portal da realidade. Quantos passos restam até meus sonhos. Quantas milhas até a terra onde meus sonhos se realizam.” Os primeiros acordes do violão em “Scarlet Rose” já grudam na mente do ouvinte. E percebe-se de imediato que se trata de uma balada. Ela ganha alguns outros elementos musicais e peso no meio da música. Logo, “evolui” para uma power ballad. Destaque para a melodia de fácil assimilação e o solo virtuoso e acessível. Triste, é a respeito da morte da pessoa amada, mas que sempre viverá em lembranças: “I got that experience no one could steal away. One moment of your life is mine I remember day by day. Nothing is forever in life but a memory believe it's true. And when I gaze in the rain I'm cryin just for you./ Eu tenho esta experiência que ninguém pode roubar. Um momento de sua vida é meu e eu lembrarei a cada dia. Nada é para sempre na vida mas uma lembrança, acredite, é verdade. E quando eu olho a chuva, eu estou chorando só para você.” 

Já “Out of Control começa mais orquestrada até a entrada da guitarra. É mais cadenciada e possui um refrão marcante acompanhado da participação especial de Hansi Kürsch (vocalista da banda de Power Metal alemã Blind Guardian). O solo veloz também é de propriedade de outro convidado: Timo Tolkki. Também, lembrando, responsável pela mixagem da obra. A letra é sobre um indivíduo capaz de qualquer coisa para ter o quer: “Out of control. My life is a chamber of tears, fear and hate. Out of control. Help me to gain the crown, here is my fate./ Fora de controle. Minha vida é uma câmara de lágrimas, medo e ódio. Fora de controle. Ajude-me a ganhar a coroa, aqui está meu destino.” A seguinte é a faixa-título e começa com um tecladinho bem em evidência e que lembra “The Final Countdown” do Europe. A levada não tão rápida, mas galopada à la Iron Maiden possui um refrão épico e em coro. A parte lírica continua na toada da batalha pela glória, mas que também salienta a necessidade da existência de um equilíbrio entre o bem o mal: “What's hell without a Paradise. What's the night without a day. We would think it's bright. What's a fall if we can't rise. What's a hero at a play. Without a fool to fight./ O que é o inferno sem um paraíso. O que é a noite sem o dia. Nós pensaríamos que ela é clara. O que é uma queda se nós não podemos nos levantar. O que é um héroi em ação. Sem um tolo para combater.” 

Já “Fairytale” é um Power Metal tradicional rápido, melódico e com refrão memorável. Simples. Porém, ainda há espaço para passagens mais lentas e atmosféricas. Destaque também para o solo virtuoso. A melodia e a levada da introdução de “Walk on Fighting lembra o Progressive Metal dos americanos do Queensrÿche da época do álbum “Operation Mindcrime” (1988). No entanto, o refrão é um mix de Power Metal com Hard Rock. Lirismo de autoajuda sobre focar nos sonhos e não nas tristezas, afinal a vida é muita curta para ser desperdiçada: “Walk on fighting. Don't look ever back. Walk on fighting. Don't you look back to your cries./ Continue lutando. Nunca olhe pra trás. Continue lutando. Nunca olhe para suas lamentações.” 

O início celestial de “Tomorrow” já se pressupõe tratar de uma balada. Ao mesmo tempo em que a melodia é calma e singela ela é épica. O peso do Metal volta já nos primeiros segundos de “No More Foolin” com riffs rápidos e um grande agudo de Tobias. Faixa bem próxima do Heavy Metal tradicional, mas sem perder a pompa do Metal Melódico. Vide a segunda parte do refrão. Mesmo sendo metaleiros, o integrantes do Edguy afirmam que também adoram músicas dos anos 80. E “Hymn” é uma delas. Esta é do Ultravox. Banda inglesa de New Wave do álbum “Quartet” de 1982. É interessante notar, que a letra cai como uma luva no Power Metal mesmo sendo de um grupo de Música Eletrônica: “Give us this day all that you showed me. The faith and the glory. Till my kingdom comes./ Nos dê este dia em que você me mostrou. A fé e a glória. Até que meu reino chegasse.” Só falou um “sword” (espada em português) e “dragon” (dragão em português). Fora que a melodia em si é grudenta por natureza, além do refrão super grudento. O álbum possui um bônus e é claro o motivo. “But Here I Am” destoa do que restante do material. Ela é a primeira incursão do Edguy pelo Hard Rock. Despojado, simples, bem humorado, acessível, “pra cima” e com direito a refrão repetitivo chiclete. 

Graças a este trabalho a banda toca pela primeira vez ainda em 98 no Wacken Open Air na própria Alemanha. O maior festival de Metal do mundo. A popularidade do Edguy estava crescendo. Era fato. E um dos vários motivos, obviamente, foi a inclusão de veteranos admirados neste segmento do Metal em participações especiais em “Vain Glory Opera”. Muitos afirmam que este lançamento não é perfeito, apesar de receber notas altas em resenhas. O Power Metal nesta época estava começando a viver o próprio apogeu, mas o Edguy já mostrava que se diferenciava das outras bandas.



Faixas (clique e ouça):
1- Overture
2- Until We Rise Again
3- How Many Miles
4- Scarlet Rose
5- Out of Control
6- Vain Glory Opera
7- Fairytale
8- Walk on Fighting
9- Tomorrow
10- No More Foolin
11- Hymn
12- But Here I Am (bônus)



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.



Banda: Edguy
Ano: 1998
Álbum de estúdio nº 2
Gravadora: AFM
Gênero: Power Metal
País: Alemanha



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