quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Resenha: Hibria "Silent Revenge" (2013)


O Hibria é um fenômeno na Ásia. Para a divulgação do último álbum “Blind Ride” (2011) fizeram uma turnê que passou por China (primeira banda brasileira a tocar neste fechadíssimo país), Coréia do Sul e Japão. O show em Tóquio foi gravado e se tornou o DVD “Blinded By Tokyo: Live In Japan” (2012). Para manter a boa fase, a banda lançou o terceiro registro de inéditas em 5 anos: “Silent Revenge” em 26 de julho de 2013. Este lançamento teve a concepção influenciada no filme “O Segredo dos Seus Olhos” (2009) de Juan José Campanella. Uma obra sobre angústia, perda e vingança. Em entrevista para a revista Roadie Crew (edição #176 – Setembro de 2013), a banda esclareceu que não se trata de um álbum conceitual ou que se baseou no longa-metragem de Campanella. Afirmaram que trata-se um CD com músicas próprias e independentes entre si, ou seja, o fã não precisará assistir ao filme para entender “Silent Revenge”. 

A produção ficou a cargo do guitarrista Renato Osório e foi todo feito Brasil. Osório, aliás, substituiu Diego Kasper que estava junto ao Hibria há 15 anos e deixou o grupo para focar em projetos pessoais. Em busca de mais autonomia fizeram tudo por conta própria (arte da capa, gravação...). Compõem a banda ainda Abel Camargo (guitarra), Benhur Lima (baixo), Eduardo Baldo (bateria) e Iuri Sanson (vocalista). A única participação estrangeira foi de Mike Couzzi para a mixagem. 

Este lançamento é uma progressão natural ao que foi apresentado no antecessor. Ou seja, o peso do Heavy Metal moderno é foco. Aquele Power Metal rápido, com melodias “pra cima” ficou no passado. A faixa título abre mostrando as características de toda esta obra. Ela é pesada, bem produzida, com os instrumentos bem audíveis em si, as melodias devido à temática são mais densas e não tão “alegres”. Afinal, a letra já evidencia isso e com todo rancor, ódio, violência e, é claro, vingança: “No future if you don't care about the past. I can't look back, the suffering's freezing me… To hell with. Your fucking lies. I'll live just to fuck. With you - all the way out!. You only care about yourself./ Não há futuro, se você não se importa com o passado. Eu não posso olhar para trás, o sofrimento está me congelando... Para o inferno com. Suas mentiras. Eu vou viver só para foder. Com você - todo o caminho! Você só pensa em si mesmo.” 

A próxima, “Lonely Fight” segue a mesma linha só que um toque de guitarra mais Hard Rock e no refrão. Destaque para os acordes antes do solo. A letra é forte e falam que as dores sofridas pela personagem geraram um sentimento anti social e vingativo: “I don't know anyone to trust - lonely fight. My life inside a solitary shell. I'll get to break free from this prison inside. Then I'll smash you down to death./ Eu não conheço ninguém para confiar - luta solitária. Minha vida dentro de uma concha solitária. Eu vou começar a me libertar desta prisão interior. Então vou esmagá-lo até a morte.” A seguinte, “Deadly Vengeance” abre com velocidade e segue em uma sonoridade que mistura Metalcore com Thrash Metal moderno. Ainda há uma parte mais calma ao piano e conta com os vocais graves Iuri. A parte lítica continua a mesma só que agora sob um viés mais “romântico”: “When you erased "my love" from me you felt free. That every step you tool would break my heart in two./ Quando você apagou "meu amor" de mim, sentiu-se livre. Cada passo que você tomou iria partir meu coração em dois.” 

Já “Walking to Death” começa também rapidez, com guitarra e baixo em evidência, só que novamente os vocais são mais graves. Assim com os toques de riffs de Hard Rock. A letra aqui pode ser entendida em partes como “motivacional”... Cabe a você decidir para o que: “One strike, one chance. That's how life is. Kill with guts, your fears. To pay, the price. Strength must be your name./ Um golpe, uma chance. É assim que a vida é. Mate com coragem seus medos. Para pagar o preço. Força deve ser o seu nome.” Mesmo pesada, em “Silence Will Make You Suffer” há espaço para Iuri Sanson cantar de forma mais serena. O solo e refrão são interessantes, mas o destaque mesmo deve ser para execução desta faixa ao vivo na parte da letra com a participação do público: “Suffer... Suffer... Silence will make you suffer./ Sofrimento... Sofrimento. Silêncio te fará sofrer.” O clima continua carregado: “I'll chase you. I'll drag you to hell. I'll raze my future just for you./ Eu vou persegui-lo. Eu vou arrastá-lo para o inferno. Eu vou destruir meu futuro apenas por você.” 

Mas a verdadeira faixa romântica de fato vem na balada “Shall I Keep on Burning”. Mesmo nas partes mais fortes, o violão continua presente. Calma e melodiosa a letra é um autoquestionamento sobre se a personagem deve continuar cultivando o fogo da fogueira do amor ou se deve seguir em frente com as dores de um coração partido: “Words will not relieve my pain (am I ever smiling again?). She will never be back home (tears away). So my heart is crashing. It burns in so much pain because I remember your love. Should I leave it behind? Shall I keep on burning? /  Palavras não vão aliviar minha dor (eu estarei sorridente de novo?). Ela nunca voltará para cada (lágrimas). Então, meu coração está partido. Ele queima com tanta dor, porque me lembro do seu amor. Devo deixá-lo para trás? Devo mantê-lo queimando?” 

A agressividade volta com cadencia em “The Place That You Belong”. Iuri canta no início até em um tom mais grave e faz até com que algum ouvinte desavisado pense que se trate de uma participação especial. A letra é perseguidora: “I'm not here to save you. No one can defend you. I'll get inside your mind. I will stay behind you. All your life will break through. Four wall and no one to confess./ Eu não estou aqui para te salvar. Ninguém pode defendê-lo. Eu entrarei em sua mente. Eu permanecerei atrás de você. Toda a sua vida vai se romper. Quatro paredes e ninguém para confessar.” Já de início, “The Scream of an Angel” as guitarras chamam atenção pela sequência riff e solo. Apesar do começo veloz, a música segue pesada e cadenciada e até com alguns toques de piano para uma maior dramaticidade. De certo, a melodia do refrão e o jeito dela no geral podem classifica-la como um “pouco” mais acessível dentre as pesadas. Ela é motivadora e fala que não devemos nos importar com a opinião alheia que pretende apenas impedir de conseguirmos o almejamos: “Why always act so carefully? Why care about the world, indeed? No one feels the same about you./ Porque agir sempre cuidadosamente? Por que se importar com o mundo, de fato? Ninguém sente o mesmo por você.” 

Por fim, há a longa “The Way It Is”. Ela resume um pouco de todas as características apresentadas até então. O peso do Metal moderno, a qualidade técnica individual de cada integrante com direito a solo de guitarra, de baixo e de bateria. Além dos vocais de Iuri Sanson que vão do agudo até o tom mais baixo quando sussurra ao final da faixa de forma aterrorizante e hipnótica: “Don’t you cry. You’ll die./ Não chore. Você morrerá.” A bônus, “Bleeding On My Regrets” (na versão japonesa) traz alguns elementos da sonoridade mais antiga da banda como a velocidade, certa leveza comparada ao restante do material, mais direta e com refrão e melodia “pra cima” do Power Metal. 

No Brasil, o Hibria pode ser lembrando entre os metaleiros de forma discreta, mas no Japão... Eles são gigantes! Líderes de vendas. Este lançamento superou grupos consagrados como Megadeth e até os pais do estilo: Black Sabbath! Porém, quem conhece o trabalho destes gaúchos foi unânime ao dizer que “Silent Revenge” é um excelente álbum com notas altíssimas em resenhas. O peso adquirido, a criatividade e a evolução nos vocais de Iuri foram alguns dos vários pontos levantados. Esta obra foi classificada não só como o melhor lançamento nacional de 2013 como a de colocar a banda entre as maiores do Metal mundial atual, afirmaram. Infelizmente, o autor desta resenha no For headS entende a qualidade do material apresentado. Os números e os adjetivos positivos atribuídos não mentem. De fato são faixas homogêneas, mas... Como música é algo subjetivo não há como não sentir falta das melodias “felizes” da estreia de “Defyng the Rules” (2005) do Hibria. Uma época que dificilmente será revisitada por eles. Várias outras bandas de Power Metal também saíram do segmento com o tempo como os alemães do Edguy e os finlandeses do Sonata Arctica para citar alguns. Os vocais altos e agudos de Iuri Sanson não se encaixa com a proposta mais pesada e “pra baixo” das composições. É compreensivo que a temática, no entanto, peça por esta sonoridade. Porém, independentemente de qualquer coisa, a banda cresce e alcança a atenção cada vez maior do público brasileiro. 



Faixas (clique e ouça):

9- The Way It Is
10- Bleeding On My Regrets (bônus) 
11- Shall I Keep on Burning (Acoustic) (bônus) 



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.
Banda: Hibria
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 4
Gravadora: Voice Music / AFM Records
Gênero: Heavy Metal
País: Brasil



0 comentários:

Postar um comentário

Google+ Twitter RSS Facebook