quarta-feira, 18 de março de 2015

Resenha: Avenged Sevenfold "Hail To The King" (2013)


O renomado baterista americano Mike Portnoy (ex-Dream Theater) não conseguiu nem “esquentar” o banquinho da bateria da banda americana de Alternative Metal Avenged Sevenfold. Entrou em 2010 e saiu em 2010. Após substituir o falecido Jimmy "The Rev" Sullivan e gravar o álbum “Nightmare”, Portnoy saiu do grupo e deixou a vaga para Arin Ilejay. Em 2 de maio de 2011, lançaram a música “Not Ready to Die" para o jogo “Call Of Duty: Black Ops II”. Primeira participação em estúdio de Ilejav. E no ano seguinte, em 24 de setembro, a banda lançou a faixa “Carry On” para o mesmo jogo. E esta já apontava o caminho que seria seguido pela vindoura sexta obra. De fato, comparado ao restante da carreira do grupo ela soa surpreendente. É um Power Metal ao melhor estilo europeu como, principalmente, o do Helloween (aliás, a estrutura soa bastante similar com a canção “March Of Time” (“Keeper Of The Seven Keys Part II” de 1988). Lançado em 27 de agosto de 2013, “Hail To The King” foi o primeiro álbum a não contar com nenhuma participação de “The Rev”. Além de Arin na bateria formam a banda Johnny Christ (baixo e backing vocals), M. Shadows (vocalista), Synyster Gates (guitarra solo e backing vocals) e Zacky Vengeance (guitarrista rítmica e backing vocals). 

Novamente, a parceria com o produtor Mike Elizondo é realizada e a obra foi lançada pela gravadora Warner Bros Records. A intenção do Avenged era a de criarem um álbum que homenageasse o Metal clássico. Isso já fica evidente pela arte da capa. Predominantemente preta e com a caveira mascote branca tradicional dos americanos. Logo vem à mente a capa do álbum preto do Metallica (1991). A tensão dramática no início com a bateria bem evidente e acompanhada de orquestração, logo dá espaço para um Hard n’ Heavy proveniente das guitarras em “Shepherd of Fire”. Este clima denso perdura em uma faixa que lembra exatamente a sonoridade do álbum da banda de Lars Ulrich e James Hetfield anteriormente. A letra sobre o “pastor de fogo” pode ser entendida como uma metáfora sobre o diabo: “I am your pride. Agent of wealth. Bearer of needs. (And you know it's right). I am your war. Arming the strong. Aiding the weak./ Eu sou o seu orgulho. Agente da riqueza. Portador de necessidades. (E você sabe que é certo). Eu sou sua guerra. Armando os fortes. Ajudando os fracos.” 

A faixa-título começa com um ótimo riff de guitarra. Aos poucos os outros instrumentos vão entrando na música e vai crescendo até se tornar um Hard Rock envolvente e com um refrão memorável. Destaque também para o ótimo solo. A parte lírica também evidencia que o Avenged Sevenfold “homenageou” as bandas de Metal “das antigas”. Afinal, ela fala sobre era medieval e também ser entendida como uma crítica indireta aos governantes que gozam de poder enquanto o povo vive na miséria acompanhada apenas do medo da violência: “Blood is spilt while holding keys to the throne. Born again but it's too late to atone. No mercy from the edge of the blade. Dare escape and learn the price to be paid./ Sangue é derramado enquanto segura as chaves para o trono. Nasce de novo, mas é tarde demais para reconciliar. Nenhuma piedade da borda da lâmina. Ouse escapar e aprenda o preço a ser pago.” 

O início de “Doing Time” é Hard Rock puro à la década de 80 como Guns N’ Roses (“It´s So Easy”, principalmente) e Mötley Crüe. É perceptível alguns toques de Punk, por causa do som simples e direto. Depois de Guns... Mais Metallica e, agora, da uma maneira mais escancarada possível. “This Means War” é quase uma releitura de “Sad But True”. É impossível escuta-la e não pensar na outra. A maior diferente é o refrão mais melódico e acessível. A letra é sobre guerra e suas consequências na mente de um soldado: “There's nothing here for free. Lost who I want to be. My serpent blood can strike so cold. On any given day. I'll take it all away. Another thought I can't control./ Não há nada aqui de graça. Perdi quem eu quero ser. Meu sangue de serpente pode atacar tão friamente. Em um dia qualquer. Eu vou levar tudo isso embora. Outro pensamento que eu não posso controlar.” 

E nem só de homenagens a bandas clássicas do estilo vive “Hail To The King”. Os primeiros segundos de “Requiem” lembram “Year Zero” do Ghost com o coro à capela em latim. Porém, o som segue com a cara do Avenged em um ritmo cadenciado. Tudo pesado e dramático. Novamente, destaca-se o trabalho de guitarras na melodia e no solo. Letra é uma “oração negra”: “Grant them eternal rest, oh, lord. Embrace them into your army of undead. Strike with vengeance those who oppose your will. And lay waste to all the opposition set before you. Walk with them and shield them from the blinding light of servitude. And devastate your enemies as they die by your hand. Amen./ Conceda-lhes descanso eterno, ó, senhor. Aceite-os em seu exército de mortos-vivos. Ataque com vingança aqueles que se opõem a sua vontade. E assole toda a oposição posta diante de ti. Caminhe com eles e proteja-os da luz ofuscante da servidão. E devaste seus inimigos enquanto eles morrem pelas suas mãos. Amém.” 

Na sequência, vem a balada acústica “Crimson Day”. Ela começa a capela acompanhada do violão e vai crescendo aos poucos com a entrada da guitarra, baixo e bateria. Uma faixa bem acessível e com algumas melodias memoráveis. Letra bem afetuosa: “Dark years brought endless rain. Out in the cold I lost my way. But storms won't last, they clear the air for something new. The sun came out and brought you through./ Anos sombrios trouxeram uma chuva sem fim. Lá fora no frio eu perdi meu caminho. Mas as tempestades não vão durar, elas limpam o ar para algo novo. O sol saiu e trouxe você com ele.” O peso moderado volta com os dos riffs espaçados para evidenciar a coxinha (baixo+bateria) em “Heretic”. A parte lírica fala sobre julgamentos errados. Algo bastante aplicável no dia a dia tamanha a quantidade de injustiças do cotidiano como punições a inocentes e a tal “justiça com as próprias mãos”: “My flesh will feed the demon. No trial, no case for reason. I’ve been chosen to pay with my life. Mad men define what mad is. Turning witches and saints to ashes. Rising masses, marching to find heretic blood./ Minha carne vai alimentar o demônio. Sem julgamento, sem caso para a razão. Eu fui escolhido para pagar com a minha vida. Homens loucos definem o que é louco. Transformando bruxas e santos em cinzas. Aumentando as massas, marchando para encontrar sangue herege.” 

Não esquecendo também de todos os problemas causados pelo Cristianismo com a perseguição e morte de várias pessoas acusadas pelos mais diversos crimes como, por exemplo, bruxaria. A melodia, o dedilhado e o crescente da faixa gera uma expectativa no ouvinte em “Coming Home”. Destaque para a performance de M. Shadows e ao guitarrista Synyster Gates pelo solo e o próprio timbre de guitarra, além do refrão memorável. Lembra, de certo modo, a dinâmica mais direta de algumas músicas do Iron Maiden e Heavy Metal tradicional em geral. Pode ser entendida como uma letra sobre superação de problemas: “Escaped the hail of calculated mortars. Then drank the blood of a king. The desert rain has washed away direction. Had angels looking after me./ Escapei da saraivada de morteiros calculados. Depois, bebi o sangue de um rei. A chuva do deserto levou embora a direção. Tive anjos cuidando de mim.” 

O início pomposo/orquestrado acompanhado de guitarra e bateria dão um tom dramático a “Planets” similar ao da faixa título. Pesada e sinistra, em certo chega a lembrar de “Progenies Of The Great Apocalypse” da banda de Synphonic Black Metal norueguesa Dimmu Borgir. Agora o tema guerra aqui não é tratado na Terra... E sim no espaço! Guerra galáctica ao melhor estilo Star Wars: “Damage, galaxy destruct. Endless, celestial orbit corrupt. You will be forgotten like the others lost in time. Dead civilization left behind./ Dano, galáxia destruída. Interminável, órbita celestial corrupta. Você vai ser esquecido como os outros perdidos no tempo. Civilização morta deixada para trás.” A última faixa é balada ao piano, densa e dramática “Acid Rain”. As batidas compassadas da bateria ficam bem em evidência. A letra pesada fala sobre um apocalipse com chuva ácida, porém as personagens retratadas aqui não possuem medo da morte...: “There's no death, no end of time, when I'm facing it with you./ Não há morte, nem fim dos tempos, quando estou enfrentando isso com você.” 

Ao se ver as opiniões a cerca de “Hail To The King” vemos como o Brasil enxerga de uma maneira diferente da internacional. Lá fora o álbum recebeu críticas ótimas em média. Uma das notas mais baixas foi apenas um “bom” dado pela Revista Rolling Stone dos Estados Unidos. Já aqui... Se por um lado alguns apontavam o lado positivo como “evolução” da banda e que poderia ser algo atraente para detratores, outros acusaram a sonoridade genérica, que o resultado poderia ser bem melhor que o apresentado, além de dizerem que isso não foi uma homenagem aos clássicos do gênero e sim um roubo! De fato, o Avenged Sevenfold errou um pouco na dose em vários momentos. As referências ficaram tão descaradas que soaram como plágio, infelizmente, mesmo não sendo essa a intenção. Outros trechos simplesmente não chamam atenção e nem geram emoção como nas baladas. Apesar destas partes artificiais “Hail...” mostra que a banda amadureceu e deixou de fazer um som juvenil/bobinho. A finalidade definitiva para “Hail To The King” é a de ser uma porta de entrada. Os “haters” podem se sentir atraídos pelas semelhanças com sons do Metallica, Guns N’ Roses e Iron Maiden. Já os fãs mais novos do Avenged podem fazer o caminho contrário e conhecerem as bandas clássicas do Metal. Mesmo a ideia sendo boa seria interessante que ela não se repetisse no sétimos lançamento. Mas provavelmente não será afinal a cada obra a sonoridade destes muda. “Hail To The King” significa algo em português como “Saúdem o Rei”. E foi que eles fizeram com os vários reis do estilo... Espero que no futuro, quando os primeiros se forem, eles possam receber a coroa do Metal e que sejam saudados como reis.



Faixas (clique e ouça):
5- Requiem
7- Heretic
9- Planets



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.


Banda: Avenged Sevenfold
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 6
Gravadora: Warner Bros. Records
País: Estados Unidos





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