sábado, 7 de março de 2015

Resenha: HIM "Deep Shadows and Brillian Highlights" (2001)






















Com apenas dois álbuns lançados, a banda finlandesa HIM já tinha se consagrado e marcado o nome na história da música no próprio país, pois além de o álbum antecessor “Razorblade Romance” (1999) ter atingido o topo das paradas de sucesso a faixa “Join Me in Death” tornou-se a segunda música que mais ficou no topo da parada da história da Finlândia. Sem contar a primeira colação de “Razorblade...” também na Alemanha. Por tudo isso, existia, de certo modo, a tensão de se manter no mesmo nível com o terceiro registro de estúdio de Janne Johannes "Emerson Burton" Puurtinen (novo tecladista e que substitui Jussi-Mikko "Juska" Salminen), Mika Kristian "Gas Lipstick" Karppinen (bateria), Mikko Henrik Julius "Migé" Paananen (baixo), Mikko Viljami "Linde" Lindström (guitarra principal) e Ville Hermanni Valo (vocal). Lançado em 27 de agosto de 2001 (pela BMG) na Europa “Deep Shadows and Brilliant Highlights” só chegou apenas ao mercado americano em 27 de outubro de 2004. Mais de três anos depois e distribuído pela Universal Records. Pelo menos, mesmo com o atraso, o álbum conseguiu “certa” aceitação pelo público dos Estados Unidos, pois alcançou a 190º na parada da Billboard 200. Ótimo resultado para uma banda de Metal finlandesa diante de um mercado tão concorrido. Mas isso não aconteceu a toa. Produzido por T.T. Oksala e Kevin Shirley “Deep Shadows...” mostra um HIM que manteve algumas das características dos primeiros álbuns como o lado soturno/gótico, porém acrescido de muitas melodias de fácil assimilação e refrãos grudentos e repetitivos. 

“Salt in Our Wounds” abre o trabalho com uma sonoridade moderna instrumental e acompanhada de uma cítara deixando-a sensual. Valo começa cantando sob essa base, porém em poucos instantes a faixa descamba para um refrão pra cima e grudento como foi citado anteriormente. Ela intercala, então, versos calmos e o refrão energético. De fato, já mostra o contraste da obra: sombra e luz, tristeza e alegria e etc: “Love is insane and baby we are too. It's our hearts' little grave. And the salt in our wounds./ O amor é louco e, benzinho, nós também somos. É o pequeno túmulo de nossos corações. E o sal em nossas feridas.” 

A presença mais evidente do teclado em “Heartache Every Moment” a deixa um pouco mais dramática e densa, porém a interpretação do vocalista e da melodia em si fazem com que ela fique “dark romântica”. Em uma música que fala que o amor é superior a qualquer rótulo pecaminoso oriundo de uma raiva divina: “And we sense the danger. But don't wanna give up. 'Cause there's no smile of an angel. Without the wrath of god./ E nós sentimos o perigo. Mas não queremos desistir. Porque não há sorriso de um anjo. Sem a fúria de Deus.” 

A seguinte, “Lose You Tonight” começa bastante distorção de guitarra e o canto de uma águia (que, aliás, aparece mais algumas depois).  O refrão de fácil assimilação ao lado do solo melodioso, calmo e sinuoso são os destaques. O clima sombrio, mas não monótono combina com a letra fala de um personagem profundamente apaixonado e a procura de redenção: “I was waiting for you. Waiting for all my life. And i ain't gonna. Lose you tonight./ Estava esperando por você. Esperando por toda a minha vida. E eu não vou. Perder você esta noite.” 

Os primeiros acordes de violão acompanhado da bela e calma interpretação de Valo, além dos toques de violino já denotam uma faixa ainda mais romântica. A melodia desta é mais alegre se comparada a anterior. Talvez, a mais assimilável facilmente do álbum. Novamente, uma refrão repetitivo e super pegajoso. Quando o mundo ao redor parece não fazer sentido, o único refúgio parece ser nos braços da pessoa amada: “In joy and sorrow my home's in your arms. In a world so hollow. It is breaking my heart./ Na alegria e na tristeza meu lar é nos seus braços. Em um mundo tão falso. Isto está partindo meu coração.” 

A aura da obra de estreia do HIM (“Greatest Love Song Vol.666” de 1997) volta em “Pretending”. Suave, mas ao mesmo tempo densa/sinistra. Mais um bom solo aqui. Em “Close to the Flame” é lenta, sensual e combina o estilo gótico frio e romântico com as melodias açucaras. Ela tem um ritmo perfeito para dançar abraçadinho e devagarzinho. Grande refrão em uma faixa sobre segurança e sensação de “porto seguro” ao lado do amor: “The kiss – sweetest. And touch - so warm. The smile – kindest. In this world - so cold and strong./ O beijo - o mais doce sabor. E o toque - tão quente. O sorriso - o mais amável. Neste mundo - tão frio e forte.” 

Na versão especial deste álbum, a faixa bônus “You Are the One” aparece na sequência. Algo incomum, afinal, normalmente, os bônus ficam são as últimas pela ordem. Simples como o Rock, melodia agradável e suave. Principalmente devido ao destaque dado ao violão. A parte lírica fala de alguém capaz de ultrapassar qualquer coisa (e até deus) para ficar com a amada: “Yes, I have done my evil. I've done my good. Just believe me honey. I won't let go of you. You are the one. And there is no regret at all./ Sim, tenho feito o meu mal. Eu fiz o meu bem. Basta acreditar em mim doçura. Eu não vou desistir de você. Você é a única E não há arrependimento algum.” 

O instrumental no início de “Please Don't Let It Go” trás a percussão de um atabaque. A estrutura é novamente simples, mas o destaque vai para o refrão extremamente chiclete e repetitivo. A personagem pede para a outra que não perca tudo de bom que construíram juntas: “Don't let go of life. Let go of love. Let go of all we have. Don't let go of trust. Let go of lust. Let go of all we share./ Não deixe partir a vida. Deixa ir o nosso amor. Deixa ir tudo o que temos. Não deixes partir a confiança. Deixa ir a nossa paixão. Deixa ir tudo o que partilhamos.” Em seguida, vem a sensual “Beautiful”. 

As harmonias, os acordes do violão, a interpretação de Valo e a atmosfera a tornam envolventes. Em uma letra de paixão avassaladora: “Just one touch, I'm on fire. One touch and I'm crying. 'Cause you're so beautiful. Just one smile and I'm wild. One smile and I'm ready to die. 'Cause you're so beautiful, yeah./ Apenas um toque e eu fico em chamas. Um toque e eu choro. Porque você é tão linda. Apenas um sorriso e eu fico selvagem. Um sorriso e eu estou pronto para morrer. Porque você é tão linda.” A melodia dissonante do início até engana, mas em poucos segundos surge uma melodia grudenta que se fixa na cabeça do ouvinte já na primeira audição. “In Love and Lonely” é a segunda faixa bônus de “Deep Shadows…” e também segue o estilo de “versos calmos para deixar o refrão animado ainda mais evidência”. Em faixa sobre a paixão solitária acompanhada apenas pela solidão: “I can't remember. The last time you smiled. Oh I know how it feels. I know what it's like./ Eu não consigo lembrar. A última vez que você sorriu. Oh eu sei como é sentir-se assim. Eu sei como é.” 

Já a seguinte, “Don't Close Your Heart” começa destacando a voz de Valo de forma bem melódica e calma, porém ela vai crescendo com a entrada dos instrumentos até chegar ao refrão “feliz” e super grudento. A parte lírica, no entanto, fala sobre uma garota cansada de viver sem amor e que decide tirar a própria vida, mas tenta ser impedida pelo amado: “I know how it feels to be on your own. In this cruel world where hearts are bound to turn to stone. Where you are alone and tired of breathing. It's all going wrong and you just can't stand the pain anymore. You're too numb to believe in anything./ Sei como é sentir-se só. Nesse mundo cruel onde os corações são predestinados a tornarem-se pedra. Quando você está sozinho e cansado de respirar. Tudo indo errado e você não pode suportar mais a dor. Você está extremamente entorpecido para acreditar em alguma coisa.” 

Porém, o lado escuro e sombrio da banda volta na última música: “Love You Like I Do”. Cantada em um tom bem mais grave e um sonoridade lenta guiada por teclado, levada de violão e acordes espaços de violão geram um tom de tristeza fúnebre. Afinal, se trata de uma música sobre sofrimento após o fim de relacionamento: “No one will love you. No one will love you the way i do. No one will love you,love you like I do./ Ninguém vai te amar. Ninguém vai te amar do jeito que eu amo. Ninguém vai te amar, te amar como eu amo.” 

O álbum foi muito bem aceito e entrou no top das paradas de sucesso da Alemanha e da terra natal Finlândia onde também vendeu mais de 50 mil cópias. “Deep Shadows and Brilliant Highlights” é ligeiramente mais acessível que os álbuns antecessores, como os refrãos grudentos (“Please Don't Let It Go”, por exemplo). Há também um interessante contraste de músicas com melodias alegres como em “Don't Close Your Heart” e outras mais densas e sombrias “Love You Like I Do”. Literalmente é o Metal do amor, afinal, o HIM trabalha com propriedade e exclusividade este tema e sabe muito bem que este sentimento pode gerar tanto momentos de euforia quanto de quase depressão. De fato, há “luz” e “trevas” neste trabalho... Mas tudo apresentado com maestria. Acessível sem perder a poesia.



Faixas (clique e ouça):
7- You Are the One (bônus)
10- In Love and Lonely (bônus)



                                                                             Opinião do autor:
Track by track.

Track by track.

Nota do álbum.


Banda: HIM
Ano: 2001
Álbum de estúdio nº 3
Gravadora: BMG (Europa) / Universal (Estados Unidos)
País: Finlândia









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