quarta-feira, 25 de março de 2015

Resenha: In Flames "Siren Charms" (2014)

















Depois de um tempo realizando Tour pela Europa e América do Norte, a banda In Flames se concentrou no Hansa Studios, em dezembro de 2013, em Berlim, na Alemanha para a gravação do 10º álbum de estúdio e sucessor de “Sounds of a Playground Fading” (2011). Mesmo com toda a tecnologia disponível atual, na qual é possível produzir um belo trabalho em pleno porão de casa, estes suecos prefiram (liderados pelo vocalista Anders Fridén) construírem o novo projeto em meio à “aura” do mesmo estúdio já utilizado por artistas com David Bowie (“Heroes” de 1977, por exemplo) e U2 (“Achtung Baby” de 1991). De fato, artistas muito populares e que não se assemelham com o Metal do In Flames... Mas olhando de certa forma é perceptível ver a intenção do grupo em seguir por novos caminhos e este é apenas um deles. Há anos deixaram de ser apenas mais uma banda de Death Metal Melódico (subgênero na qual ajudaram a criar) e começaram a experimentar com outros estilos. Principalmente a eletrônica (em efeitos sonoros) e no Pop (com as melodias bem acessíveis). Em entrevistas, já afirmaram que não pretendem se limitar a rótulos para lançarem sempre álbuns no mesmo seguimento. Os fãs mais radicais e intolerantes da nova fase já estavam com ódio desta postura e “Siren Charms” só aumentou este sentimento. Lançado em 9 de setembro de 2014 via Sony Music, o título “Canto das Sereias” em português também denota uma interpretação de que realmente o grupo está em busca de públicos diferentes e até maiores porquê não. E aqui eles tentam fazer isso através de muitas melodias grudentas e refrãos pegajosos. A calma predomina e são raros os momentos de agressividade. Algo quase oposto a tudo que fizeram nos anos 90. Formado pelo já citado Anders nos vocais, Björn Gelotte na guitarra, Daniel Svensson na bateria, Niclas Engelin também na guitarra e Peter Iwers no baixo. 

In Plain View” começa com uma introdução bem eletrônica à la filme de ação de Hollywood. Possui um refrão, em contra partida, enfurecido, mas não “gritado” como outrora. Fridén prefere cantar de uma forma mais sentimental. “Everything's Gone” começa com velocidade, mas a faixa em si é cadenciada e cheia de peso. Anders canta com uma voz cheia de efeito e que a deixa com bastante eco. De longe, lembra algo “gótico”, por causa da aparência cavernosa. Refrão, novamente, bem destaque do restante das estrofes e solo bem melodioso e virtuoso: “Where I have nothing. There's no hate. Room to breathe. No envy and nothing to lose./ Onde eu não tenho nada. Não há nenhum ódio. Espaço para respirar. Sem inveja e nada a perder.” 

A levada do início de “Paralyzed” envolve o ouvinte, mas logo vem um efeito eletrônico que lembra Nu Metal. Porém a situação fica mais melódica perto do refrão e esse, aliás, tem um apelo mais comercial, diga-se, mas isso não é necessariamente ruim. “Through Oblivion” é mais relaxada e segue a linha densa, mas com refrão mais atmosférico e moderno/grudento e chiclete. Algo muito distante de tudo o que já fizeram. É quase uma balada. “With Eyes Wide Open” tem início bem calmo e melodioso de guitarra. O som ganha corpo, mas nem de longe soa agressivo. Tanto que quando o vocal surge o clima muda para algo reflexivo e bem acessível deixando-o o refrão bem destacado. É bem acessível. 

A faixa-título “Siren Charms” tem uma introdução com o baixo sozinho e que chama atenção. O vocal e os outros instrumentos surgem, mas o clima denso continua por toda a faixa. Com exceção, é claro, do refrão mais energético. Em “When the World Explodes” o peso volta cadenciado e moderado. Mesmo com o vocal um pouco mais agressivo. A participação de Emilia Feldt deixa a faixa totalmente distinta de tudo o que o grupo já fez. A voz ao fundo mais grave e com os vocais femininos deixa a faixa até um ar mais gótico/Symphonic Metal, pois é acompanhada de coros e harmonias. 

Rusted Nail” começa com acordes e atmosfera feliz, mas que dão espaço para o peso das guitarras. O “corpo” segue mais denso e com vocal mais introspectivo, porém o refrão é pra cima e animado. Destaque também para o solo ao melhor estilo In Flames melodioso e com firula. A seguinte, “Dead Eyes” lembra de longe “Come Clarity” (“Come Clarity” de 2006) em questão de estrutura. Há partes mais cadenciadas, mas o todo é bem leve e se assemelha a uma balada e com um refrão bem acessível. O começo pesado de “Monsters in the Ballroom” pode matar as saudades daqueles que sentiam a falta da sonoridade do In Flames de (no mínimo) dez anos atrás. Porém, a sonoridade segue até certo peso e uma melodia pouco sombria (destaque para a bateria).. Mas o refrão é suave, melódico e super acessível para cantar de olhos fechados e balanço os braços. 

A última faixa é “Filtered Truth”. O começo leve e simples se assemelha com o rock radiofônico atual. No entanto, o refrão é mais agressivo e melódico. De fato, eles não têm medo de fazerem algo diferente. Ainda há o bônus “Become the Sky”. Estranhamente, esta música possui, talvez, a introdução mais pesada do álbum, porém também tem o refrão mais leve e até radiofônico. O solo merece destaque. 

Nas paradas de sucesso, o álbum alcançou a 87ª na França, 62º na Bélgica, 60º na Espanha, 38º na Escócia, 33º na Austrália, 28º na Dinamarca, 12º no Canadá, 9º na Suíça, 7º na Áustria e na Alemanha, 6º na Noruega, 1º na Finlândia e na Suécia (terra natal). A recepção da crítica foi no máximo boa. Afirmaram que aqueles que gostaram do material mais recente da banda iriam gostar deste também e que este não é a abominação que pensavam, no entanto. Um dos elogios recebidos foi o fato da banda soar já como veterana ao trazer vários elementos na mesma mistura e com criatividade. De fato, sem fanatismos com acusações bobas de “sonoridade leve e comercial”, “Siren Charms” é um ótimo álbum. O problema é que existem alguns elementos (efeitos rápidos eletrônicos) que podem causar certo desconforto. Logo, metaforicamente e em tom cômico, se este trabalho fosse uma comida seria um “arroz com passas”. O Metal continua firme e forte, mas deu espaço para sonoridades mais acessíveis e melódicas. Os mais antigos e de gosto limitado podem torcer o nariz, mas “Siren Charms” podem trazer novos fãs, afinal a arte não pode ter limites.

Faixas (clique e ouça):
1- In Plain View
2- Everything's Gone
3- Paralyzed
4- Through Oblivion
5- With Eyes Wide Open
6- Siren Charms
7- When the World Explodes
8- Rusted Nail
9- Dead Eyes
10- Monsters in the Ballroom
11- Filtered Truth
12- Become the Sky (bônus




                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

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Nota do álbum.

Banda: In Flames
Ano: 2014
Álbum de estúdio nº 11
Gravadora: Sony Music
País: Suécia






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