quarta-feira, 4 de março de 2015

Resenha: Nightwish "Imaginaerum" (2011)






















Após o fim da turnê de “Dark Passion Play” (2007), o líder e tecladista da banda finlandesa Nightwish Tuomas Holopainen começou a planejar o novo álbum. Seria algo grandioso, épico, distinto de tudo que já fizeram, além de especial, afinal pela primeira vez seria o único compositor do novo álbum. Tuomas já afirmou em entrevistas que escuta mais trilhas sonoras de filmes a Metal em si. Logo, não foi uma surpresa, de fato, a notícia de que o Nightwish lançaria o novo álbum acompanhado de um filme baseado nas próprias músicas! Esta obra cinematográfica foi dirigida por Stobe Harju. O roteiro conta a história de um compositor idoso no leito de morte relembrando momentos da própria vida. Inicialmente, seriam 13 curtas. Uma para cada faixa, porém decidiram em conjunto em fazer um filme. Ele foi gravado no Canadá por atores ingleses. Há apenas duas participações do próprio Nightwish no longa e em ambas a banda está tocando. Não existem diálogos dos integrantes, pois em entrevista a revista Roadie Crew (edição: fevereiro de 2012 – Nº 157) Holopainen afirmou que seria ridículo ver os músicos do grupo tentando atuar. Inicialmente, o título do projeto seria “Imaginarium” (anunciado em fevereiro de 2011), mas ao perceberem a grande quantidade material com o mesmo nome alternaram o registro para “Imaginaerum” (em setembro do mesmo ano). O CD foi lançado em 30 de novembro de 2011. O filme em 23 de novembro de 2012 em Hartwall Areena em Helsinque na Finlândia após um show do Nightwish. Na entrevista concedida a Roadie Crew, Tuomas Holopainen ficou feliz em ver que “Imaginarium” custou menos (800 mil reais) em termo de produção comparado ao antecessor (1 milhão de reais). No entanto, o filme elevou os gastos do projeto. Ao todo foram 8 milhões sendo que 2 foram tiradas do próprio bolso dos integrantes da banda formada por Anette Olzon (vocais), Emppu Vuorinen (guitarra e violão), Jukka Nevalainen (bateria e percussão), Marco Hietala (baixo, violão e vocais), além, é claro, de Tuomas. 

Na abertura “Taikatalvi”, Hietala canta em finlandês sobre os últimos momentos do idoso em uma faixa singela, com trilha sonora delicada como música de caixinha de música: “Taipunut havu, kesä hoivassa sem. Valkomeren niin aavan. Joka aavekuum siivin. Saapuu mut kotiin noutamaan./ No meio da primavera, no verão sob seus cuidados; Um imenso mar branco. Que com asas da lua fantasmagórica. Veio para me levar para casa.” O peso do Metal com guitarra e bateria surge em “Storytime”. Anette traz um vocal, às vezes, “circense” assim como alguns momentos na melodia. Há também as tradicionais orquestrações e corais. O peso das guitarras e orquestrações sinfônicas épicas marcam o início de “Ghost River”. O destaque diferente aqui são os vocais mais pesados e repetitivos de Hietala no refrão. Ao vivo deve fazer sucesso com o público cantando junto.  

As primeiras notas de piano em “Slow, Love, Slow” lembram a trilha do filme “O Exorcista” (1973). O contra baixo, o piano, o saxofone, o estilo de Anette utilizado forma um ar “jazzístico”. Algo bem distinto de tudo que estes finlandeses já fizeram. O peso, porém, volta acompanhado de violinos na melodia festiva e alegre de “I Want My Tears Back”. Olzon canta de uma maneira mais delicada, no entanto, o refrão é pra cima e é grudento. O clima animado com um todo remete à mente do ouvinte o som do Folk Metal. “Scaretale” começa com cara de filme de terror. Lembra clássico trecho do filme “A Hora do Pesadelo” (1984) com as crianças cantarolando uma cantiga sobre Freddy Krugger. O peso e a velocidade ganham espaço aos poucos, além das orquestrações épicas. Obviamente com os toques e vocalizações circenses. Em seguida, há a instrumental “Arabesque”. Ela possui uma sonoridade dramática e elementos de música egípcia, além de passagens mais agitadas que dão um ar de trilha de filme de ação. De fato, “Imaginaerum” é um álbum cinematográfico. 

Depois vem a balada “Turn Loose the Mermaids”. Tem um clima suave, é ao violão e é singela. Os assobios no meio da faixa dão um ar de faroeste a ela. A longa “Rest Calm”. Começa lenta, carregada, sombria, mas ganha peso com o riff de guitarra. O refrão melodioso  quase acústico gruda. A faixa intercala momentos mais simples com passagens mais épicas. Já em “The Crow, the Owl and the Dove” o guitarrista Hietala faz um belo dueto com Anette. Música com pegada de balada e com trechos quase acústicos e sinfonias apenas ao fundo. “Song of Myself” começa épica. Chama também atenção o comprimento da mesma. Ao todo são 13 minutos de variações de peso e andamento. Rica ao misturar passagens calmas com pesadas e trechos leves com orquestrações com coros e pompa. Mas o destaque fica para o final... Cinematográfico literalmente. O locutor lê uma carta e ao mesmo tempo ao fundo uma bela melodia dramática e sinfônica o acompanha. Lindo trabalho! A faixa-título encerra o álbum. Ela seria o “encerramento do filme”, pois é constituída por trechos instrumentais orquestrados das melodias de várias músicas do próprio registro. Começa com a de “Taikatalvi” vai para “Storytime” e passa por outras. 

Sobre o filme... Tuomas, também afirmou na entrevista a Roadie Crew que o longa tratava-se das coisas bonitas da vida com o amor, arte, lembranças e imaginação. Em síntese (só salientando que a especialidade do For headS com música e não com cinema... Infelizmente... E talvez só por enquanto), conta a história de um senhor compositor no leito de morte e que entra em coma e revisita o próprio passado. Há muitas metáforas a respeito dos personagens apresentados e o que cada cena representa. No fim, o resultado do filme é apenas regular. Não que seja mal feito. O problema é que ele não cativa e emociona. Os efeitos especiais em chroma key deixam a produção com ar artificial. Fora a história, cenas e falas soarem extremamente batidas. Tudo parece algo tirado de algum outro filme. Chega ser irritante. Não há nada genial ou diferente. A maior referência possível é o filme animadoOs Fantasmas de Scrooge” de 2009. Estrelado pelo ator Jim Carrey como dublador. O filme do Nightwish foi para as salas de cinema da Finlândia da Rússia e Malásia... E foi um fracasso colossal! A produção custou mais de 8 milhões de reais como dito antes, porém o retorno foi algo próximo de 500 mil reais apenas. Algo em torno de 6% do dinheiro gasto. 

Por outro lado... O retorno do público foi extremamente positivo! Depois de dividir a opinião do público com “Dark Passion Play”, os fãs (mesmo aqueles que simplesmente decretaram o falecimento do grupo após a saída de Tarja Turunen) se renderam ao novo trabalho. Apontaram a riqueza de elementos, a renovação na sonoridade sem deixar de ser Nightwish, o fato das músicas combinarem com o vocal de Anette e etc. Os críticos também deram notas altíssimas classificando-o, quase sempre, como, no mínimo, ótimo. De fato, “Imaginareum” é um álbum ímpar não só na carreira da própria banda como no Metal em si. Primeiramente, porque a mente criadora do grupo Tuomas Holopainen ter conseguido o belo feito de dialogar a criação de músicas com um filme. As influências são inúmeras. Sonoramente, a momentos mais leves... Outros mais pesados... Alguns felizes... Outros tristes... Sons que nos remetem ao Egito ou ao deserto americano... Mas isso tudo só aconteceu com naturalidade pelo fato de Tuomas ser uma pessoa culta e que não enxerga apenas nos “limites do Heavy Metal”. “Imaginaerum” (o álbum e o longa) possuem, por exemplo, traços do cineasta americano Tim Burton. Mestre em mesclar diferentes sentimentos em uma mesma cena. A pompa e a grandiosidade não me agradam de uma forma geral. Prefiro o estilo feliz, pesado e direto de “I Want My Tears Back”. Definitivamente, não gosto de circo e nada circense. Mas, obviamente, não há como negar o primor e o brilhantismo de “Imaginaerum”. A imaginação dos grandes artistas é realmente inspiradora... 


Faixas (clique e ouça):



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

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Filme "Imaginaerum (2012):


Banda: Nightwish
Ano: 2011
Álbum de estúdio nº 7
Gravadora: Nuclear Blast / Roadrunner Records
País: Finlândia




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