quarta-feira, 8 de abril de 2015

Resenha: Amon Amarth "Deceiver Of The Gods" (2013)























Dentre as várias bandas de Death Metal suecas nascidas nos anos 90 e que “ousaram” colocar melodia no meio de tanta brutalidade, o Amon Amarth destoa das outras. Enquanto a maioria das bandas de Melodic Death Metal mantiveram a rispidez do som apenas acrescentando elementos mais memoráveis e acessíveis ou simplesmente partiram para uma direção mais moderna e alternativa, estes suecos aqui trouxeram a estrutura das bandas de Heavy Metal tradicional inglês e americano e até um pouquinho de Thrash. Este estilo “novo” do grupo veio sendo construído há alguns álbuns e principalmente aos mais recentes com a parceria do produtor Jens Bogren. Porém, decidiram iniciar uma nova etapa na carreira com a ajuda de Andy Sneap (produziu álbuns das bandas Arch Enemy, Exodus, Kreator, por exemplo). Assim, a mesma formação desde “The Avenger“ (1999) o grupo composto por Fredrik Andersson (bateria), Johan Hegg (vocal), Johan Söderberg e Olavi Mikkonen (guitarras) e   Ted Lundström (baixo) lançou em 25 de junho de 2013 “Deceiver Of The Gods”. A sonoridade se mantém a mesma. Agressiva e com vocais brutais, mas sem perder os ganchos melódicos, além do ótimo trabalho de guitarras. A maior diferença aqui, talvez, seja a inclinação para melodias mais sinistras e não tão épicas como nos trabalhos anteriores “Twilight of the Thunder God” (2008) e “Surtur Rising” (2011). 

A abertura fica com a faixa título “Deceiver of the Gods”. Inicia-se com as guitarras características da banda. Quando os instrumentos aparecem, o destaque fica para a velocidade da bateria. Melódico? Sim. Mas sem perder a agressividade graças aos vocais urrados de Hegg. A parte lírica, obviamente, continua falando tradicionalmente a respeito da mitologia nórdica. A faixa fala sobre os planos vingativos de Loki (deus do fogo) na busca pelo poder: “Asgard's always been my home. But I'm of different blood. I will overthrow their throne. Deceiver, deceiver of the gods./ Asgard sempre foi a minha casa. Mas eu sou de um sangue diferente. Eu vou derrubar seu trono. Enganador, enganador dos deuses.” 

A seguinte, “As Loke Falls” mantém as melódicas guitarras do Amon Amarth em evidência com a intro usando a técnica de tocar no braço da guitarra com as duas mãos (“shredding”). A velocidade surge, mas mantendo a melodia. E é a técnica citada o chamariz da faixa. A guerra divina se inicia: “Heimdall's blade bites burning sharp. As it cuts through flesh and bone. Blood comes gushing from the wound. As loke's head falls tumbling. Rolling to the burning ground./ A lâmina de heimdall corta perfeita e intensamente. Enquanto passa pela carne e osso. O sangue jorra da ferida. Enquanto a cabeça de loke começa a cair. Rolando para o solo ardente.” Por outro lado, “Father of the Wolf” é  mais simples, direta com aquela influência de Heavy tradicional. Destaque paras os belos arranjos melodiosos de guitarra: “They brought to life a malicious force. A vile beast that cannot be tamed. Fimbultyr's nemesis now is born. A vile beast that can't be restrained./ Eles trouxeram à vida uma força maligna. Uma fera vil que não pode ser domada. A ruína de fimbultyr agora nasceu. Uma fera vil que não pode ser contida.” 

A agressividade continua nas palhetas e no ritmo galopante de “Shape Shifter”. A letra fala sobre o ser “Metamorfo”. Ser capaz de modificar fisicamente em qualquer coisa: “I was born of giant's blood. Raised in asgård, the home of gods. I am the master of disguise. For this trait I've gained your prise./ Eu nasci da linhagem dos gigantes. Criado em asgård, o lar dos deuses. Eu sou o mestre do disfarce. Por esse motivo, ganhei vossa adoração.” Melódica e compassada. Apesar da brutalidade dos vocais as melodias das guitarras são a verdadeiro destaque em “Under Siege”. Vale ressaltar que as partes lentas e carregadas lembram um pouco o atual Metal moderno: “We have held out for months. Hoping for relief. Our fortress now our tomb. And salvation now our grief. We have held out for months. Waiting for relief./ Nós resistimos por meses. Esperando por socorro. Nossa fortaleza agora nosso túmulo. E salvação agora nossa tristeza. Nós resistimos por meses. Estamos à própria sorte.” 

Gemidos de dor, sangue e tripas marcam o início de “Blood Eagle”. A ideia era contextualizar o ouvinte, mas o resultado é até engraçado. Espero que esta também seja a intenção real. O estilo mais direto volta: “Look to my burning eyes. Plead for your worthless life. All remorse I had has died. And all I have is hate inside./ Olhe para os meus olhos ardentes. Implore por sua vida inútil. Todo o remorso que eu tinha morreu. E tudo que eu tenho é ódio aqui dentro.” Bateria bem destacada em um ritmo compassado e de melodia densa que segue por toda a faixa em “We Shall Destroy”. Letra da batalha que ressalta a importância do ditado “a união faz a força”: “Hold the lines! Move as one! In unity our victory's won. Our shields will form a mighty wall. United we shall never fall./ Mantenham as linhas! Movam-se como um! Na união nossa vitória está garantida. Nossos escudos irão formar uma poderosa parede. Unidos nunca seremos derrotados.” 

A introdução é simples e pesada, mas conta com os uma versão ainda brutal e gutural dos vocais Johan Hegg. E, de fato, esta é área que mais chama atenção na faixa, afinal também conta com a participação de Messiah Marcolin (ex-Candlemass). Fala sobre Hel. Ser mitológico feminino composto de metade mulher e metade esqueleto. Criatura responsável pelos submundos da mitologia nórdica. Diferentemente de outros equivalentes em outras crenças, Hel não é má e muito menos boa. É apenas justa. Uma curiosidade também é o fato de que a palavra “hell” (inferno em inglês) é derivado dela: “Welcome to my humble home. Your soul is mine to keep. There are no walls of rock and stone. Yet no one ever leaves./ Bem-vindo ao meu humilde lar. Sua alma é minha responsabilidade. Não há muralhas de rocha e pedra. Porém ninguém nunca sai daqui.” 

A velocidade volta e ao melhor estilo Melodic Death Metal em “Coming of the Tide”. A melodia, aliás, utilizada aqui é grudenta que lembra algo de Heavy tradicional: “So now we're on the ride again. And vengeance is. Our newfound path. We draw our strength. From grief and pain. These bastards shall know. Our endless wrath./ Portanto agora estamos na estrada novamente. E a vingança é. Nosso novo caminho. Nós tiramos nossa força. Da tristeza e da dor. Esses malditos conhecerão. Nossa ira sem fim.” A longa “Warriors of the North” possui mais de 8 minutos com várias passagens. De fato uma jornada de muito peso e melodia. O clima não é mais atmosférico do que brutal: “We were the warriors of the north. Notorious and brave. We'd never lost a fight in war. We feared not the grave./ Nós éramos os guerreiros do norte. Notórios e valentes. Nós nunca tinhamos perdido uma luta na guerra. Não temiamos a sepultura.” 

Realmente estes suecos não bebem apenas da fonte do Metal Extremo. Para mostrar isso a banda lançou um EP bônus que vem na edição especial chamado de “Under The Influence” (“Sobre a influência”) o título não poderia ser melhor. São 4 faixas e cada uma homenageia uma destas influências. “Burning Anvil of Steel” segue a linha do Judas Priest com o destaque indo para o trabalho de guitarras. “Satan Rising” segue sombria e cadenciada ao melhor estilo Black Sabbath (no início de carreira no começo dos anos 70), além da sirene na introdução e que remete a “War Pigs” (“Paranoid” de 1970) dos próprios ingleses. Já em “Snake Eyes” o som é um Rock n’ Roll cru, direto, pesado e direto com o do Motörhead. Enquanto que “Stand Up to Go Down” tem a levada e o riff extremamente AC/DC. 

As vendas e a popularidade do Amon Amarth tem aumentado a cada lançamento. A recepção da crítica foi ótima na maioria. Por parte do público também: 156º no Japão; 67º na França e no Reino Unido; 44º na Bélgica; 27º na Dinamarca; 19º nos Estados Unidos (!); 15º na Hungria; 12º na Finlândia; 9º no Canadá, Suécia (terra natal) e Suíça; 7º na Áustria e 3º na Alemanha. Os fãs, obviamente, não se decepcionaram com o resultado. Muitos apontaram, aliás, que eles, de fato, não progrediram, mas pelo menos mantiveram a mesma linha dos trabalhos mais recentes com a mesma combinação de peso e melodia. Esta que para alguns recebeu ainda mais espaço. Outros também a elogiaram perante as outras bandas de Melodic Death Metal que perderam as próprias características ao longo dos anos. Alguns, no entanto, afirmaram que aqui não há nenhum hino como “Twilight of the Thunder God” (Twilight of the Thunder God” de 2008). De fato, o Amon Amarth se diferencia das outras bandas de Melodic Death Metal. Mantém todas as características do grupo, ou seja, a mistura de brutalidade e melodia, além da influência de Heavy Metal tradicional e, é claro, da parte lírica rica em cultura nórdica. Diferentemente de outros grupos que mudaram totalmente de estilo. A questão é que aqui, talvez, pelo enredo das faixas, o Amon Amarth optou por algo menos “épico” e com cara de hino infelizmente se comparado aos trabalhos anteriores como as faixas “The Pursuit Of Vikings“ (“Fate Of Norns” de 2004), “Cry Of The Black Birds“ (“With Oden On Our Side” de 2006) e “War of the Gods“ (“Surtur Rising” de 2011). 


Faixas (clique e ouça):
1- Deceiver of the Gods
2- As Loke Falls
3- Father of the Wolf
4- Shape Shifter
5- Under Siege
6- Blood Eagle
7- We Shall Destroy
8- Hel
9- Coming of the Tide
10- Warriors of the North



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.


Banda: Amon Amarth
Ano: 2013
Álbum de estúdio nº 9
Gravadora: Metal Blade
País: Suécia





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