quarta-feira, 1 de abril de 2015

Resenha: Cryptic Wintermoon "Fear" (2009)


As pressões da indústria fonográfica em diversas formas (como: fazer uma arte mais acessível para ser facilmente capitalizada pela gravadora) pode ser uma “boa ideia” para alguns. Mas não para o Cryptic Wintermoon. Banda de Melodic Black Metal da Alemanha que após lançar os 3 primeiros álbuns por uma gravadora decidiram seguir carreira de forma independente e livre. Outros problemas que afligiam o grupo eram o preço abusivo dos CDs, além do prazo obrigatório de entrega do material. Com toda a liberdade possível em mãos Andrea Walther-Schmidt (teclado), Andreas Schmidt (bateria), Larsen Beattie e Michael Schürger (guitarra), Orlok (baixo) e Ronny Dörfler (vocal) lançaram por conta própria o álbum “Fear” em 19 de setembro de 2009. Álbum conceitual a respeito da Primeira Guerra Mundial (1914-1918). Os vocais rasgados, os riffs ríspidos e todo o clima negativo acrescido de melodias apresentado nos álbuns anteriores se mantém aqui. 

A abertura fica com “Intro / 21 Guns”.  Uma rápida introdução de 1 minuto com uma antiga música country sendo ouvida através de um rádio. Começo digno de início de filme. “Pride Of Australia” surge com o peso e de forma abrupta e cortando o clima singelo construído com a faixa anterior. Predomina a cadência e os vocais rasgados. O riff da introdução bem melódico evidencia a influência do chamado Melodic Death Metal sueco em “Dominate”. Uma levada simples e repetitiva. Há, porém, leves toques de música eletrônica na faixa em alguns momentos. A introdução com um soldado falando pelo rádio, mas que rapidamente é substituído por um grito bem Black Metal junto de brutalidade pode dar um susto em alguém mais desavisado em “Dreadnought”. A melodia, porém surge em seguida e bem acessível diga-se em certos momentos. Incluindo uma passagem atmosférica. “Down Below” com o som de um avião e que aos poucos é acompanhado de leves toques de acordes de guitarra de uma maneira sossegada. O peso vai aumentando de forma progressiva. A melodia traz um clima triste. 

O início de “One of Your Sons Is Coming Home” é surpreendente, afinal é utilizado apenas um piano com uma melodia incrivelmente chiclete/acessível/grudenta. Algo que poderia se esperar de um grupo de Power Metal, mas não de um de (Melodic) Black Metal. Porém, logo, ela é acompanhada pelos vocais rasgados, mas ainda segue leve em questão de peso e, no entanto, tensa no campo do clima. Dramaticamente bela. Em contrapartida “Hellstorm Infantry” é mais simples e direta e tem um ritmo e riff que poderia ser rotulado com “Melodic Thrash Metal” (apesar do mundo do Metal ser extenso e criativo este subgênero ainda não inventado). Já “Tales from the Trenches” é um grande exemplo de típico “Melodic Black Metal”. O vocal rasgado, velocidade, a bateria frenética, a guitarra estridente, mas... Entregando uma melodia cativante no meio de todo o caos do Metal Negro. 

Em “God with Us” a velocidade se mantém. Aqui, porém, há a incursão de trechos de conversas de rádio para a ambientação do ouvinte. No meio a levada perde a velocidade e dá mais visibilidade para o trabalho melódico das guitarras. Na seguinte, “Last Letter” o tradicional Melo Black fica evidente aqui com a melodia explícita entre os momentos mais agressivos. O destaque vai para o riff melodioso da faixa. “Hundert Mann und ein Befehl” é cantada em alemão em ritmo de marcha. A melodia é de fácil assimilação. Enquanto “The End” tem uma adição diferenciada de piano guiando a melodia, mas não chega a ser um Symphonic Black Metal. A verdade, no entanto, é que este não é o fim... Literalmente. A última faixa é “Last Post (Outro)” que começa com os sons da guerra com tiros, explosões e uma trilha ao fundo densa que dá uma cara de filme de terror. 

Se por um lado existe a independência de gravadora, a liberdade prejudicou gravemente a divulgação, afinal foram produzidas apenas 1 mil cópias deste álbum. Quem teve a chance de comprar o álbum físico ou baixo pela internet encontrou um Cryptic Wintermoon ligeiramente diferente. A climatização da obra com a utilização de sonoplastia de guerra e outros momentos mais tristes e cadenciados tiraram a tradicional velocidade do grupo. Que era quase um Melo Death sueco.  Mesmo assim, o Cryptic conseguiu mostrar o peso, a agressividade e o lado soturno do Black Metal com a adesão de melodias marcantes e, às vezes, até grudentas. A questão que fica em aberto é sobre o futuro do grupo, já que ao mesmo tempo a banda é livre para fazer o que quer e quando quer, a falta de pressão de uma gravadora para a criação de um novo faz com que não existe nenhuma maneira de prever quando será lançado o quinto álbum.


Faixas (clique e ouça):
9- God with Us
12- The End
13- Last Post (Outro)



                                                                             Opinião do autor:
Track by track.

Track by track.

Nota do álbum.


Banda: Cryptic Wintermoon
Ano: 2009
Álbum de estúdio nº 4
Gravadora: independente/sem gravadora
País: Alemanha






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