quarta-feira, 15 de abril de 2015

Resenha: Linkin Park "The Hunting Party" (2014)






















A banda americana Linkin Park sempre será reconhecida na história do Rock/Metal com um dos expoentes do Metal com influências de Hip Hop. O chamado Nu Metal, ao lado de grupos como Limp Bizkit, Korn e Slipknot, principalmente. A verdade é que o grupo não era fã deste rótulo e aos poucos começaram a criar trabalhos na qual a presença do que poderia ser classificado como pesado e “metálico” foi extinto. A surpresa, no entanto, é que o sétimo álbum de estúdio desses apresentam vários momentos agressivos. Algo não visto com tanto espaço desde “Meteora” (2003). Aparentemente, toda a vontade destes de fazerem um som ainda mais moderno com destaque para efeitos eletrônicos (de dubstep, por exemplo) foi saciada com “A Thousand Suns” (2010) e “Living Things” (2012). E caso existisse algum desejo não realizado ele foi aplicado no álbum inteiro com versões remixadas de “Living...” chamado “Recharged” (2013). Após, a banda (e os fãs, é claro) deve ter ficado com saudades do peso. Formado por Brad Delson (guitarra), Chester Bennington (vocal), Dave "Phoenix" Farrell (baixo), Joe Hahn (programação), Mike Shinoda (guitarra base, teclado e vocal) e Rob Bourdon (bateria) lançaram em 13 de junho de 2014 “The Hunting Party”. Foi gravado nos estúdios “Larrabee Sound Studios”, “EastWest Studios” e “Glenwood Place Studios” (Los Angeles, Califórnia) e produzido por Shinoda e Delson. O primeiro sem a participação do produtor Rick Rubin desde “Meteora”. 

O processo de composição das faixas também foi diferente. Antes o Linkin Park ia ao estúdio com as ideias dentro de demos pré-gravadas. Desta vez, no entanto, eles foram gravar com as mentes vazias de ideias. Tudo foi criado na hora dentro do estúdio. Bennington não participou, no entanto, do início do processo, pois em 2013 estava em turnê como recém contratado banda de Rock (e Grunge) Stone Temple Pilots substituindo a vaga que era de Scott Weiland. A belíssima capa foi produzida pelo artista taiwanês James Jean. O título “The Hunting Party” (“O Grupo de Caça”) é uma metáfora a respeito do cenário Rock atual e da sociedade em geral. A banda afirmou que há muitos seres-humanos que se comportam como “herbívoros” e que ficam apenas pastando e se alimentando daquilo que é mais fácil. A ideia aqui, então, é exaltar metaforicamente a ideia de se adquirir uma postura de caçador e assim correr atrás dos próprios objetivos saindo da zona de conforto. A crítica também se aplica a musica especialmente quando dizem que existem grupos tentam soar como cópias de outras. Além do fato de que a maior parte das bandas mais famosas de rock atuais fazem um som bastante suave. No geral “The Hunting Party” traz alguns dos elementos do antigo Nu Metal apresentado só que em menores proporções (a mistura dos gritos com passagens faladas do Rap). Aqui, porém existem algumas “novidades” com a adição de passagens Punk e Hardcore. 

Os primeiros segundos de “Keys to the Kingdom” provam isso. Ela já começa com os gritos de Chester Bennington feitas através de um efeito de distorção. De fato, é a volta do peso do Metal. A velocidade da bateria e a pegada Hardcore surpreendem. Porém os vocais limpos de Mike Shinoda em coro e super produzidos aparecem. Tudo bem eletrônico. O Rap (com as passagens faladas), obviamente, ainda está presente. Tem até solo de guitarra e corinho grudento acompanhado dos gritos. “All for Nothing” começa simples e com toques de eletrônica e vocais rap. O estilo predomina até no refrão falado em tom de ordem. Aqui acontece a primeira participação especial do álbum. É a de Page Hamilton, vocalista da banda americana Helmet de Alternative Metal: “And no I'm not your soldier, I'm not taking any orders. I'm a five star general infantry controller, need a lesson, let me show you./ E eu não sou seu soldado, não seguirei suas ordens Sou um general de uma infantaria cinco estrelas, se precisa de uma lição, eu te dou.” 

De fato, o lado mais pesado banda voltou a ter espaço em “Guilty All the Same. A bateria fica evidência na intro. Após, surge um piano e alguns toques bem leves de música eletrônica. Porém, em seguida, é a vez da guitarra se destacar e com um surpreendente riff melódico e extremamente grudento. Bem na linha daqueles marcantes das bandas de Hard Rock dos anos 70 (fazendo um paralelo). A construção de acordes lembra algo de música clássica, aliás. Chester nos vocais. O refrão é agressivo e combinado ao peso da guitarra e bateria, além da adição no meio de um trecho rap, fazem lembrar os tempos de Nu Metal da banda no início da década de 2000. Uma faixa contra a ganância do capitalismo em geral: “If greed could be to blame. Or greedy for the fame. Tv or a name. The media and the game. To me you're all the same. You're guilty./ Se a ganância é a culpada. Gananciosos pela fama. Da tv ou um nome. Da mídia e do jogo. Para mim, vocês são todos iguais. Você é culpado.” 

Depois vem o interlúdio instrumental de “The Summoning” com efeitos com cara de introdução de filme de ação ou ficção científica. Já “War” é um Punk/Hardcore gritado, curto e direto com direito a 1, 2, 3, 4. A intro de “Wastelands” traz uma batucada. O rap volta com Shinoda, mas o refrão é melodioso de Chester. Quase Nu Metal... Mas é mais Rock devido à acessibilidade. Uma música que fala sobre resistência: “So, no. I'm not afraid to see you suckas hold a blade to me. Ain't no way to shake the ground I built before you came to be. Take it how you take it. I'm the opposite of vacancy. And this is not negotiation. Y'all can hate and wait and see./ Então, não. Não tenho medo de vê-los segurarem uma lâmina para mim. Não há como tremer o chão que construí antes de ser o que é. Reaja como quiser. Sou o oposto do vazio. E essa não é uma negociação. Podem odiar, esperar e ver.” 

Enquanto “Until It's Gone” é um som simples, calmo moderno e acessível de Bennington. Bem radiofônico e super produzido. Lembra a sonoridade adotada a partir do álbum de 2007. Destaque para a refrão chiclete para cantar junto no chão  e encerra com um trecho de hip hop: “Oh you don't know what you've got. No you don't know what you've got./ Oh você não sabe o que tem. Não, você não sabe o que tem.” O Metal “quase Thrash” da intro em “Rebellion” chama  atenção. Lembra um pouco Slipknot mais precisamente e o material mais agressivo do System Of A Down. E isso não é atoa, afinal a faixa conta com a participação de Daron Malakian guitarrista e vocalista do System. O Shinoda volta, mas sem “falar” a letra. Chester volta a gritar com tudo também no meio da faixa. 

Mark the Graves” é mais longa e possui uma introdução instrumental pesada. Mas as estrofes são calmas e próximas de algo Alternativo. Não seria loucura dizer que existe na melodia utilizada, a atmosfera e no timbre de guitarra algo de Stone Temple Pilots, afinal Chester Bennington canta nas duas bandas. “Drawbar” é instrumental. A introdução é estranha com piano e acordes sinistros. A tradicional bateria à la bateria de fanfarra surge e conta com a participação de Tom Morello (guitarrista do Rage Against The Machine). “Final Masquerade” começa com bateria e bem atmosférica acompanhada de Chester. Acessível, suave e boa para o rádio. O refrão é “pra cima” e grudento. “A Line in the Sand” é longa. Começo com clima triste. O peso surge e com uma melodia que se assemelha a de “Guilty All the Same”. O refrão gritado de Bennington e o solo inspirado se destacam compensam a parte mais calma e com cara de rap. 

O Linkin Park lançou ainda em 12 de agosto de 2014 uma edição do álbum com versões a capela e instrumentais das faixas originais chamada de “The Hunting Party (Acapellas + Instrumentals)”. Ao todo o álbum “The Hunting Party” vendeu 274 mil cópias nos Estados Unidos e mais 900 mil no restante do mundo. Nas paradas de sucesso o desempenho: 27º na Suécia; 13º na Noruega; 8º na Holanda; 6º na Finlândia; 4º na Escócia e na Itália; 3º na Austrália, Bélgica e Estados Unidos; 2º na Áustria, Nova Zelândia e Reino Unido; 1º na Alemanha, Hungria, Portugal, República Tcheca e Suíça. De fato, o retorno ao antigo som foi muito bem recebido. Críticos disseram que a banda soa rejuvenescida. Ao final, a média foi boa com resultados entre “regular” e “ótimo”.  No geral, a banda agradou e muito o público. Vários apontaram o trabalho como o melhor desde “Meteora”. Alguns mais empolgados disseram que soava inovados. Outros apenas que não “inventava a roda”, mas que era surpreendente comparado ao material eletrônico lançado anteriormente. E isso é verdade. “The Hunting Party” é um resumo de tudo o que já fizeram. Do agressivo ao alternativo... Quem diria que o Linkin Park voltaria ao peso do Metal em resposta ao próprio som utilizado nos álbuns recentes e diante do Rock leve atual de bandas como Mumford and Sons.


Faixas (clique e ouça):
1- Keys to the Kingdom
2- All for Nothing
3- Guilty All the Same
4- The Summoning
5- War
6- Wastelands
7- Until It's Gone
8- Rebellion
9- Mark the Graves
10- Drawbar
11- Final Masquerade
12- A Line in the Sand



                                                                             Opinião do autor:
Nota track by track.

Nota track by track.

Nota do álbum.



Banda: Linkin Park
Ano: 2014
Gênero: Alternative Metal
Álbum de estúdio nº 6
Gravadora: Warner Bros. e Machine Shop
País: Estados Unidos





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